«“Cada um tem uma Lisboa pessoal”, era uma frase de José Cardoso Pires. Nesta sua obra escreve: “ninguém poderá conhecer uma cidade se não a souber interrogar, interrogando-se a si mesmo. Ou seja, se não tentar por conta própria os acasos que a tornam imprevisível e lhe dão o mistério da unidade mais dela”. Por isso, este não é um livro para os que praticam as vias-sacras dos monumentos, os labirintos de roteiro ou para os viajantes de museu. É uma rota atenta à luz e às cores, aos cheiros e às vozes, ao humor, ao tom, à sintaxe e aos gestos, “registos inconfundíveis do espírito do lugar”. O autor evoca as antigas tertúlias das letras e da política nos cafés do Rossio, a cor de Lisboa na pintura de Bernardo Marques, Carlos Botelho, Abel Manta ou Vieira da Silva, e os bares da capital (“cada bebedor tem o seu mapa, cada mapa os seus portos”). Elege a geografia cultural do Chiado como o local que define Lisboa e, ao recordar a ferida aberta do incêndio de 1988, questiona-se: “Quando estas cicatrizes tiverem fechado, como será este rosto de mim mesmo?”» [Luís Almeida d’Eça, Agenda Cultural de Lisboa, Fevereiro 2019]
12.3.19
Sobre Pela Estrada Fora — O Rolo Original, de Jack Kerouac
Esta é a edição nunca antes publicada de Pela Estrada Fora, o texto que surgiu na forma original de rolo. Representa a primeira e mais genuína forma de expressão das ideias de Kerouac, o momento em que a sua visão e voz narrativa se juntaram sob a forma de um impulso contínuo de energia criativa.
Esta versão é mais dura, crua e sexualmente explícita do que o romance já publicado. Kerouac utiliza também o nome real dos seus amigos, incluindo Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs.
Esta edição foi preparada por Howard Cunnell, juntamente com três outros estudiosos da obra de Kerouac.
Cunnell estudou a história e origem do rolo e todas as suas transformações subsequentes até se tornar o texto publicado e conhecido.
Pela Estrada Fora: O Rolo Original é, sem dúvida alguma, um dos mais significativos documentos na história contemporânea da literatura americana.
11.3.19
Sobre Peter Frankopan
«As Rotas da Seda — Uma Nova História do Mundo» e «As Novas Rotas da Seda — O Presente e o Futuro do Mundo», de Peter Frankopan, ambos disponíveis em www.relogiodagua.pt
Sobre «As Rotas da Seda»
A região das Rotas da Seda é desconhecida para muitos. No entanto, a região que ligava o Ocidente com o Oriente foi onde a civilização nasceu, onde as grandes religiões do mundo se enraizaram, onde eram trocados bens e onde as línguas, as ideias e a doença se disseminavam. Em «As Rotas da Seda», Peter Frankopan afasta-se de uma visão eurocêntrica do mundo para oferecer um relato diferente da História, sublinhando a importância vital readquirida por essa zona do mundo.
«O mais iluminador livro do ano... Um antídoto saudável a relatos eurocêntricos da História.» [Times Literary Supplement]
«Frankopan é um historiador brilhante e destemido de Oxford, que marcha com rapidez e erudição através dos séculos. Um livro fascinante a todos os níveis. Um feito histórico de alcance épico.» [The Guardian]
Sobre «As Novas Rotas da Seda»
Aquando da sua publicação em 2015, As Rotas da Seda tornou-se de imediato um clássico, uma reinterpretação da história do mundo, que nos levou a olhar para o passado sob uma perspetiva diferente. As Novas Rotas da Seda atualiza esta história, tendo em conta um mundo que muda com cada vez maior rapidez.
Seguindo as Rotas da Seda para leste da Europa e até à China, atravessando a Rússia e o Médio Oriente, As Novas Rotas da Seda lembra-nos que vivemos num mundo profundamente interligado. Na era do Brexit e de Donald Trump, os temas como o isolamento e a fragmentação assombram o Ocidente e criam um contraste profundo com o que acontece nas Rotas da Seda, onde as relações e a cooperação mútua se intensificam cada vez mais.
Com profundo conhecimento da matéria, Peter Frankopan revela-nos o seu olhar sobre esta complexa rede de ligações, avaliando as consequências globais da constante mudança do centro do poder.
Este livro compele-nos a refletir sobre quem somos e onde estamos no mundo, de modo que entendamos os temas dos quais as nossas vidas dependem.
«Gostei muito do livro, e aprendi imenso com As Novas Rotas da Seda. Frankopan é um guia brilhante.» [Niall Ferguson]
«O novo mapa da ordem mundial.» [Evening Standard]
Sobre As Formigas, de Boris Vian
Estas onze formigas – o número fetiche de Boris Vian – são contos em que a farsa surge do drama, a raiva se junta ao que é pungente e o humor mantém as emoções à distância. A maior parte das narrativas inspira-se numa expressão conhecida ou num cliché linguístico desenvolvidos de forma original. O estilo, esse, combina falso realismo com delírio onírico, o excesso cómico com o exagero feroz.
A morte, sob a forma de assassínio ou suicídio, está presente na guerra, na vida quotidiana das pontes de Paris e nos palcos do cinema, ligada ao sadismo, à fraqueza, ou até ao amor – mata-se, às vezes, aqueles que se amam.
E, como escreve o autor desta nova tradução [Jaime Rocha], «muitos dos títulos que nos parecem enigmáticos provêm de citações musicais» e na recolha original «quase todos os contos eram dedicados a músicos de jazz, com um trecho que esclarecia o título mas que em edições posteriores foi omitido».
Sobre Deborah Levy
Deborah Levy entrevistada por Isabel Lucas, a propósito de «Coisas Que não Quero Saber»: «Escrevo sobre tudo o que é insano, triste, mau e belo»
«Romancista, dramaturga, poeta, ensaísta, duas vezes finalista do Booker Prize, em 2013 com Swimming Home e em 2016 com Hot Milk, Deborah Levy aceitou o desafio de uma pequena editora, a Notting Hill Editions, dirigido a vários autores, escrever um ensaio literário como resposta a um ensaio famosos de outro autor. Calhou-lhe Orwell. O resultado é um texto brilhante, cheio de pistas literárias, profuso em notas de reflexão, escrito de forma clara, a escapar à argumentação óbvia, capaz de gerar uma reflexão profunda sobre a identidade, a relação entre presente e passado, ao mesmo tempo que permite a leitura escorreita. Cada leitor pode demorar-se o tempo que quiser nas menos de cem páginas do livro e olhar Levy como quem olha através da tal vidraça sugerida por Orwell.
“É escritora, não é?”, perguntava-lhe então o homem. E a pergunta surge quando Levy anda às voltas com a ideia de hesitação. Identitária também, mas sobretudo enquanto estratégia de escrita. Para falar disso, dá o exemplo de uma actriz que, como um escritor, tem de se fazer ouvir. “Fazer-se ouvir não é falar mais alto, mas sentir-se no direito de expressar um desejo. Hesitamos sempre que desejamos uma coisa. No meu teatro, gosto de mostrar a hesitação e não de ocultá-la. Uma hesitação não é o mesmo que uma pausa. É uma tentativa de anular o desejo.” Pode-se simplesmente murmurar e ser-se ouvido.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 8/3/2019]
Sobre Peter Pan, de J. M. Barrie
Era uma noite de sexta-feira. Os Darling jantavam em casa de uns amigos e a cadela Nana ficara presa no pátio. O caminho estava livre para Peter Pan, o rapaz que se recusava a crescer, vir buscar a sua sombra e levar os pequenos Wendy, John e Michael para a Terra do Nunca. Uma ilha encantada, povoada de sereias, peles-vermelhas e piratas, capitaneados pelo sinistro Jaime Gancho, e onde se vai desenrolar uma bela história de iniciação.
O autor do livro, James Matthew Barrie (1860-1937) nasceu na Escócia. Estudou em Glasgow e depois na Universidade de Edimburgo, antes de se fazer jornalista em Nottingham, profissão que continuou em Londres. Publicou poemas, peças de teatro e romances.
Peter Pan — que teve continuação em Peter Pan in Kensington Gardens (1906) — é a mais conhecida das suas obras. Começou por ser uma peça de teatro em 1904, só mais tarde conhecendo a sua forma definitiva.
Gonçalo M. Tavares finalista do prémio europeu de literatura Jean Monnet
O vencedor do Prémio Jean Monnet será conhecido a 16 de novembro, em França. Entre os vencedores de anteriores edições contam-se autores como a portuguesa Lídia Jorge, o Nobel Patrick Modiano, J.G. Ballard, Claudio Magris, Hans Magnus Enzensberger ou Erri de Luca
O escritor português Gonçalo M. Tavares é finalista do prémio Jean Monnet para o melhor livro europeu publicado em França, com a obra "Uma menina está perdida no seu século à procura do pai", anunciou a editora. Gonçalo M. Tavares figura assim numa lista de "grandes nomes da literatura europeia, como o alemão Bernard Schlink, ou os ingleses Julian Barnes e Graham Swift”. A obra, saída em 2014 na Porto Editora, vai ser reeditada pela Relógio D’Água.
Em França, o romance "Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" foi editado em 2018 pela Viviane Hamy, numa tradução de Dominique Nédellec. O mesmo livro já havia sido finalista do Prémio Oceanos, no Brasil, e havia recebido o Prémio Tabula Rasa em Portugal, em 2015.
O vencedor do Prémio Jean Monnet será conhecido a 16 de novembro, em França. Entre os vencedores de anteriores edições contam-se autores como a portuguesa Lídia Jorge, o Nobel Patrick Modiano, J.G. Ballard, Claudio Magris, Hans Magnus Enzensberger ou Erri de Luca. O vencedor da primeira edição do prémio, em 1995, foi o italiano Antonio Tabbuchi com "Afirma Pereira".
Esta não é a primeira vez que Gonçalo M. Tavares é apontado como um dos favoritos ao prémio, já que em 2015 também foi finalista com o romance duplo "Um homem: Klaus Klump" e "A Máquina de Joseph Walser", editado pela Caminho. "Gonçalo M. Tavares é atualmente um dos escritores europeus mais traduzidos e premiados. Está a ser editado em mais de 50 países e já recebeu vários prémios internacionais, o último dos quais no final de 2018, na Roménia, pelo conjunto da sua obra", destaca a Porto Editora.
Em França, recebeu em 2010 um dos "mais importantes prémios", o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro, com "Aprender a rezar na Era da Técnica" -- prémio que foi atribuído a autores como Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez, e que é visto, por muitos, como uma antecâmara do Nobel, acrescenta. O autor recebeu ainda, no mesmo país, o 'Prix Littéraire Européen' 2011, com "O Senhor Kraus", e o 'Grand Prix Littéraire Culture' 2010.
Foi ainda finalista, por duas vezes, do 'Prix Médicis Étranger' (com "Uma Viagem à Índia" e "Aprender a Rezar na Era da Técnica"), outras duas, do 'Prix Femina' (com "Matteo perdeu o Emprego" e "Aprender a Rezar na Era da Técnica") e do 'Prix Cévennes' (com "Jerusalém").
Os restantes finalistas do Prémio Jean Monnet para o melhor livro europeu editado em França em 2019 são "Olga", do alemão Bernard Schlink, "La Capitale", do austríaco Robert Menasse, "Idiss", do francês Robert Badinter, "Grace", do irlandês Paul Lynch, e "Ásta", do islandês Jón Kalman Stefánsson.
Terminam a lista dos finalistas a este prémio as italianas Helena Janeczek e Rosella Postorino, respetivamente com "La Fille au Leica" e "La Goûteuse d'Hitler", bem como os ingleses Julian Barnes, com "La Seule historie" e Graham Swift, com "De l'Angleterre et des Anglais”. [A partir da notícia publicada no site do Expresso, 7/3/2019]
Subscrever:
Mensagens (Atom)









