28.2.19

Sobre O Que Maisie Sabia, de Henry James




«Creio que a impressão que me deixaram essas atividades amorosas entre quatro pessoas adultas, observadas pelo frio olhar de uma espécie de Alice-no-país-das-maravilhas, foi sobretudo a de um romance mundano (…) quase perverso de tão engenhoso, singular pelo virtuosismo com que as personagens secundárias mudam de lugar em redor da pequena heroína, como os elementos de um corpo de baile ou de uma equação de álgebra.
(…) Na época em que James escreveu Maisie, ou seja, em 1897, ninguém se atrevia a explorar seriamente o campo da sexualidade infantil. Freud era conhecido apenas por alguns especialistas. No entanto, não podemos deixar de pensar que a sociedade bem-pensante havia arrumado a um canto o pecado original, e que Santo Agostinho teria ficado menos surpreendido do que os primeiros leitores de Maisie ao comprovar a tranquila naturalidade com que esta rapariga se movimentava no meio a que chamamos o “mal”.» [«Os Encantos da Inocência. Uma Releitura de Henry James», Marguerite Yourcenar]

Sobre Minha Ántonia, de Willa Cather




«Lemos as primeiras páginas desta obra e rapidamente damos conta que mergulhamos no universo da grande literatura e do melhor que o século XX produziu nesta matéria. 
A narrativa não nos dá conta com rigor do período em que decorre, sendo que podemos concluir que abrangerá desde o final do século XIX, coincidindo com a imigração em massa de europeus que procuram a sua sorte no país da abundância e dos sonhos, até às vésperas da 1.ª Guerra Mundial, ainda que a narrativa, no final, se perceba que passou dos anos 20. Não é que seja um dado importante, contudo, permite-nos o enquadramento histórico até para compreender o desenvolvimento socioeconómico da região onde se desenrola a maior parte da narrativa, em especial, o estado do Nebrasca. […] 
Doces e ternas são as palavras de Willa Cather transpostas pelos seus personagens, numa contínua reflexão sobre a vida e as relações que travamos, seja de amizade ou de amor, ou até mesmo quando ambos se confundem dando a ideia de amor ideal.
“Minha Ántonia” é um romance marcante e é tido como a obra icónica de Willa Cather ainda que tenha sido com “One of Ours” (1922) a obra que lhe valeu o Prémio Pulitzer, em 1923.» [Jorge Navarro, no blogue O Tempo entre Os Meus Livros, 6/7/2018. Texto completo em http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.com/2018/07/a-escolha-do-jorge-minha-antonia.html ]


De Willa Cather aRelógio D’Água publicou também Uma Mulher Perdida e O Meu Inimigo Mortal.

Sobre A Hora da Estrela, de Clarice Lispector




«Clarice Lispector era uma estrangeira. Sempre foi uma estrangeira – um pássaro vindo de longe, um pássaro vindo das ilhas que estão além de todas as ilhas do mundo para nos intrigar a todos com o seu voo e o frêmito de suas asas. E a língua em que ela escreveu atesta belamente esse insulamento: um estilo incomparável, um emblema radioso, uma maneira intransferível de ser e viver, ver e amar e sofrer. Enfim, uma linguagem dentro e além da linguagem, capaz de captar os menores movimentos do coração humano e as mais imperceptíveis mutações das paisagens e dos objetos do mundo» [Lêdo Ivo]


«A Hora da Estrela ou “as fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela”. De um lado a “terra serena da promissão, terra do perdão”; do outro, o sufoco, o vale-tudo, a agressão da “cidade inconquistável” — os dois brasis.» [Eduardo Portella, na apresentação da edição brasileira de A Hora da Estrela]


Sobre Contos I, de Anton Tchékhov




«Tchékhov escrevia livros tristes para pessoas alegres; quero dizer com isto que só um leitor com sentido de humor será capaz de sentir a fundo a tristeza deles. Há escritores que emitem um som intermédio entre o riso abafado e o bocejo — muitos deles, a propósito, são humoristas profissionais. A outros, por exemplo a Dickens, sai uma coisa intermédia da risada e do soluço. Existe também uma variedade horrível de humor utilizada de propósito pelo autor para dar um escape puramente técnico depois de uma tempestuosa cena trágica, mas o truque nada tem que ver com a verdadeira literatura. O humor de Tchékhov é alheio a isso tudo; é um humor puramente tchekhoviano. O mundo, para ele, é cómico e triste ao mesmo tempo, e sem repararmos na sua comicidade não compreenderemos a sua tristeza, porque são inseparáveis.» [Do Prefácio de Vladimir Nabokov]

Sobre Middlemarch, de George Eliot




Middlemarch (1871-72) é o mais importante romance saído do período vitoriano. Nele, George Eliot aborda todos os temas fulcrais da vida moderna: arte, religião, ciência, política, carácter, sociedade e relações humanas.
Entre as suas personagens estão algumas das mais notáveis da literatura inglesa: Dorothea Brooke (a heroína), Rosamond Vincy (bela e egoísta), Edward Casaubon (o estudioso), Tertius Lydgate (um médico brilhante de duvidosa moralidade), Will Ladislaw (o artista) e Fred Vincy e Mary Garth (namorados de infância).

«Middlemarch é a sua [de George Eliot] mais subtil análise da imaginação moral, possivelmente a mais subtil que alguma vez foi conseguida na prosa de ficção. […) O romance canónico, no verão da sua existência, pode ter atingido o seu sublime em Middlemarch, cujo efeito sobre os leitores se mantém “incalculavelmente difundido”.» [Harold Bloom]

De George Eliot, a Relógio D’Água editou também O Moinho à beira do Floss.

27.2.19

Cristina Carvalho nomeada para Prémio Autores 2019 da SPA





A Saga de Selma Lagerlöf, de Cristina Carvalho, editada pela Relógio D’Água, é uma das obras nomeadas para o prémio de Melhor Livro de Ficção Narrativa.
Os outros nomeados nesta categoria são Rui Lage, com O Invisível, e Sandra Catarino, com Os Fios.

A cerimónia de entrega do Prémio Autores tem lugar no Grande Auditório do CCB, no próximo dia 27 de Março.

Sobre A Chama, de Leonard Cohen




«Magnífico poeta, melancólico, irónico, subtil – é o mínimo que se pode dizer de Leonard Cohen, cujo ‘A Chama’ (Relógio D’Água) acaba de sair: são os últimos poemas, a recordação de uma busca pela beleza e pela pacificação.» [Francisco José Viegas, Correio da Manhã, 12/2/2019]