7.2.19

Sombre História em Duas Cidades, de Charles Dickens




«A História em Duas Cidades é, acima de tudo, um jogo de espelhos, de similitudes e contrastes. Antes de mais nada, obviamente, entre as duas cidades do título, Londres e Paris. A Revolução Francesa abalou o mundo, gerou ondas de fascínio e pavor que reverberaram durante muitas gerações. Escrevendo em 1859, setenta anos depois do sucedido, Dickens traçou para o seu público vitoriano um retrato daqueles tempos conturbados, o tempo dos avós dos seus leitores. Um tempo já distante mas ainda bem vivo na memória colectiva, uma viragem decisiva na história do mundo e da Europa. História em Duas Cidades não é, porém, um livro de história. Quando muito, será um romance histórico. (…)» [Da Introdução de Paulo Faria]

«Em História em Duas Cidades a vida está sobretudo na sublime negatividade de Madame Defarge e no seu tricot, uma das mais conseguidas criações de Dickens, e que funciona como evidente metáfora da narrativa do próprio romance.»

[Harold Bloom, em Romancistas e Romances]

6.2.19

A chegar às livrarias: A Chama, de Leonard Cohen (trad. Inês Dias)




A Chama, de Leonard Cohen, é um legado de poemas, canções, desenhos e versos dispersos, às vezes registados em cadernos de apontamentos e até guardanapos de papel. 
É uma despedida deliberada, que evita os sentimentalismos.
Pouco antes da sua morte em novembro de 2016, Leonard Cohen disse em entrevista: «Estou preparado para morrer. (…) A certa altura, e se estás ainda na posse das tuas capacidades, (…) tens de aproveitar a oportunidade para deixar tudo em ordem. Talvez seja um cliché, mas subestima-se o seu poder analgésico. Deixar tudo em ordem, quando se pode fazê-lo, é uma das atividades mais reconfortantes, e os benefícios são incalculáveis.»
Esta despedida de Cohen, que recolhe textos já publicados e inéditos, evidencia a variedade dos talentos de um romancista, poeta e cantor singular, lírico e filosófico, terno e corrosivo, feroz e generoso. Inclui novos poemas sobre a guerra, o arrependimento e a amizade, as letras das canções dos seus últimos quatro álbuns, fragmentos dos cadernos que guardou desde a adolescência e uma série de autorretratos e outros desenhos.
No conjunto, reflete uma sensibilidade que oscila entre o carnal e o místico, a melancolia e o apego à vida, a irreverência e o ceticismo, o perfil de alguém que enfrentou a morte com a mesma inteireza com que viveu.

Livro disponível aqui

Sobre Clarice Lispector




Por ocasião da publicação de «Todas as Crónicas» e «Correio para Mulheres», de Clarice Lispector, Joana Emídio Marques escreve sobre «Clarice e Agustina: a arte da crónica subversiva».



«Foram contemporâneas. Clarice nasceu na Ucrânia, em 1920, Agustina em Vila Meã, em 1922. Filhas da Europa do pós-guerra, membros dessa geração de 20 que conta com tantas cabeças geniais ( Eduardo Lourenço, Mário Cesariny, Jorge de Sena, Sophia, Carlos de Oliveira, José Saramago) à literatura e à cultura de Língua Portuguesas. Vindas de dois mundos tão fechados quanto incomensuráveis como eram para os judeus pobres a Ucrânia pós revolução bolchevique e mais tarde o nordeste brasileiro ou a província nortenha do Portugal salazarista.
Dificilmente Lispector terá lido Bessa-Luís, mas esta última leu, com certeza, a escritora judia que trouxe para a literatura ecos de Kafka, Hermann Broch, Herman Hesse. Se Clarice era uma descendente dos judeus ashkenazi, Agustina é, como todos nós, descente de judeus sefarditas, mouros, berberes. Em comum: uma personalidade singular que espelhava uma inteligência e uma subversão muito particulares, o possuírem qualquer coisa de feiticeiras, magas, senhoras de um tempo antigo. E, em simultâneo, um prazer nas mundanidades que adornam o universo feminino: as roupas, a maquilhagem, a elegância, a má-língua, a astucia, a (auto) ironia.
[…]

Tanto para as crónicas de Agustina como de Clarice Lispector é preciso saber ler nas entrelinhas, perceber a ironia velada pois, nenhuma delas procura reduzir as zonas de incompreensibilidade da experiência humana (ou animal, também eles protagonistas de vários textos de CL) ou dos acontecimentos, pelo contrário, é sempre o menos visível que lhes interessa e é para lá que elas conduzem os leitores. Se hoje se espera das narrativas jornalísticas que apenas identifiquem, nomeiem, expliquem da forma mais racional e simplificada possível, revisitar ou descobrir as magnificas crónicas de Agustina e Clarice é perceber que o jornalismo pode e deve obrigar os leitores a construírem novas categorias de pensamento.» [Joana Emídio Marques, Observador,3/2/2019. Texto completo em https://observador.pt/2019/02/03/clarice-e-agustina-a-arte-da-cronica-subversiva/ ]

Sobre Na Rússia com Rilke, de Lou Andreas-Salomé




Este diário de viagem, iniciado em Moscovo em abril e terminado em agosto de 1900, é um documento da maior importância para compreender a evolução de Lou Andreas-Salomé. 
Nesta viagem, Lou reencontra o país da sua infância. É uma época em que alcança a maturidade, e o destino surge-lhe com uma promessa de plenitude. O diário é ocasião de uma descoberta de si própria, pois a viagem é para ela uma realização do seu ser.
A Rússia evocada é também a de Tolstoi, que os dois viajantes — Rilke e Andreas-Salomé — visitam, e a dos movimentos que anunciam a Revolução de Outubro de 1917.

5.2.19

Bob Dylan em Portugal





Bob Dylan, vencedor do Prémio Nobel da Literatura 2016, virá a Portugal em Maio deste ano, para um único espectáculo.
O concerto será no Coliseu do Porto, no dia 1 de Maio.
De Bob Dylan a Relógio D’Água tem editados «Canções I», «Canções II», «Tarântula» e «Crónicas (Volume 1)», disponíveis aqui: https://relogiodagua.pt/?s=bob+dylan&post_type=product

Sobre O Banquete, de Platão




Com 39 desenhos de Maria Helena Vieira da Silva, esta edição tem tradução, introdução e notas de Maria Teresa Schiappa de Azevedo.

«Desenvolvendo-se ao longo do tempo, em conversa com um Sócrates jovem, que aqui assume ironicamente o papel de discípulo, a exposição de Diotima orienta-se segundo o esquema antes definido por Ágaton: a natureza de Eros e os seus efeitos sobre os homens. A realidade contraditória do Amor prefigura-se com o mito do seu nascimento (203a-c), onde Platão alcança uma das suas mais belas e sugestivas criações artísticas (…).»[Da Introdução]

Exposição no Flatiron Project Space a partir de Gonçalo M. Tavares




De 12 de Fevereiro a 13 de Março, no Flatiron Project Space, em Nova Iorque, serão apresentados cerca de 300 trabalhos na exposição Wrong House Project.


Os trabalhos foram realizados por estudantes da School of Visual Arts que, em 2017, vieram a Lisboa e colaboraram com Gonçalo M. Tavares num projecto em que o escritor português trabalhava, “A casa errada”. Os desenhos realizados seriam utilizados como material de pesquisa para um novo livro.

A exposição será inaugurada dia 13 de Fevereiro, às 18:00.