«Hoje na Sábado escrevo sobre A História, da italiana Elsa Morante (1912-1985), tão arredia da edição portuguesa, ao contrário de seu marido, Alberto Moravia. É bom tê-la de volta. O mais famoso dos seus romances foi agora traduzido por José Lima. À data do lançamento, em 1974, no auge dos anos de chumbo italianos, a celeuma em torno do livro dividiu a intelligentsia marxista. […] O relato do conflito é devastador. Morante tem uma escrita seca, precisa, capaz de, sem ênfase retórica, fazer o retrato vívido de personagens secundários (como é o caso de Davide Segre) e, ao mesmo tempo, descrever acontecimentos terríveis em grande angular. Inquéritos e listas valem o que valem, mas, segundo uma pesquisa feita em 1985 pelo jornal Corriere della Sera, A História é (ou era) o mais lido e discutido dos romances italianos contemporâneos. Fora de Itália, é considerado um dos cem romances mais importantes de sempre em qualquer língua. Cinco estrelas. Publicou a Relógio d’Água.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica a A História publicada na Sábado de 10/1/2019]
14.1.19
11.1.19
Mrs. Osmond, de John Banville, foi um dos 5 melhores livro de 2018 para Eduardo Pitta
«Se a ficção jamesiana é um paradigma de excelência, John Banville chegou lá. Num exercício arriscado, Mrs. Osmond prolonga Retrato de Uma Senhora, o clássico de 1881. James fez a transição do romance vitoriano para o modernismo, e Banville, dialogando de igual para igual, faz com brilho o caminho de volta.» [Eduardo Pitta, blogue Da Literatura, 27/12/2018]
Rui Nunes entrevistado por Maria Leonor Nunes, no «JL», a propósito do seu último livro, «Suíte e Fúria»
«Não lhe contem histórias. Está “farto” de “abrir um livro e encontrar o paraíso”, de uma literatura que não é capaz de dizer a realidade, quando assistimos, diz ele, a um “retorno ao que houve de pior no séc. XX”. O mesmo é dizer ao “fechamento” da Europa, ao ressurgimento das ideias nazis, “essa luz maligna” que “estranhamente continua a iluminar o mundo atual” e a “seduzir muitas pessoas”.
A escrita é nele “biológica”. Está no gume do seu olhar. E mesmo que os seus olhos já vejam pouco, não quer deixar de escrever o que se passa. “A realidade é inesgotável e provocadora”, diz Rui Nunes ao “JL”. E, a um tempo, perturbadora. Tudo isso assoma no seu novo livro, “Suíte e Fúria”, edição Relógio D’Água, uma narrativa sobre o tempo histórico e individual, a memória e o real, a separação e a mudança. […]
— Diz noutro passo do seu livro que está cansado de abrir um livro e encontrar o paraíso.
— E o que isso significa? Que a realidade não está lá, que as histórias, com o seu princípio, meio e fim, são elas próprias uma dimensão do paraíso. Dão uma realidade acabada, de certo modo inquestionável no seu acabamento. E falta-lhes abertura ao mundo. Isso é o que menos me agrada no que se está a publicar. São histórias fechadas, com referências unicamente a outras histórias, a outros livros. O eco de outras leituras está demasiado presente e o eco do mundo cada vez mais distante. É uma literatura que trabalha sobre a literatura, livros que se escrevem sobre livros. E assim a realidade vai-se progressivamente afastando da literatura.» [«JL», 2/1/2019]
Sobre Dizer Não não Basta, de Naomi Klein
Neste livro, Naomi Klein expõe as forças que explicam o sucesso de Donald Trump, mostrando que não se trata de uma aberração mas sim de um produto dos nossos tempos — imagens de marca de reality shows, obsessão pelas celebridades e por CEO, Vegas e Guantánamo e banqueiros gananciosos— tudo em um.
A autora expõe também a sua opinião sobre como podemos quebrar estas políticas de choque, contrariar o caos e a divisão que hoje imperam, e alcançar o mundo de que precisamos.
Dizer Não não Basta foi um dos dez livros da longlist do National Book Award de Não Ficção 2017.
«Naomi Klein escreveu um guia de esperança para a pessoa comum. Leiam este livro.» [Arundhati Roy]
«Urgente, oportuno e necessário.» [Noam Chomsky]
Sobre Enciclopédia, de Gonçalo M. Tavares
Enciclopédia, de Gonçalo M. Tavares, que reúne Breves Notas sobre Ciência, Breves Notas sobre o Medo e Breves Notas sobre as Ligações, foi editado na Polónia em Outubro de 2018 pela Słowo/obraz terytoria. Em Portugal, a obra foi publicada pela Relógio D’Água em 2012.
“Céptico como os cépticos, crente como os crentes.
A metade que avança é crente, a metade que confirma é céptica.
Mas o cientista perfeito é também jardineiro: acredita que a beleza é conhecimento.”
[sobre ciência]
“Indecifrável é o homem que, além de permanecer em silêncio e imóvel, se esconde da luz, como o mais velho dos ratos.
Dele — por jamais ter sido visto, mas, acima de tudo, por jamais ter sido entendido — se construirá uma robusta e luminosa estátua no centro dessa cidade que nem sequer se recorda de alguém o ter visto nascer.”
[sobre o medo]
“Lilith atravessou um caixão aberto, correu de um lado ao outro do caixão aberto. Apenas dois metros de comprimento: duas sensações estranhas: correr em espaço tão curto e esse movimento intenso dentro de uma caixa feita para guardar a imobilidade. Um exercício filosófico: correr dentro de um caixão.”
[sobre as ligações]
10.1.19
Sobre Peter Sloterdijk
«Noutros, a entrada [numa escrita dura] é imediata. Um exemplo: Peter Sloterdijk, filósofo alemão — para mim, o grande escritor vivo. (Está a sair agora, na Relógio D’Água, Tens de Mudar de Vida, já um clássico. […])
O que é fascinante em Sloterdijk está também presente em Ortega y Gasset: grandes imagens, grandes metáforas; uma escrita bem acima do nível da terra mas totalmente acessível.» [Gonçalo M. Tavares, JL, 2/1/2019]
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