5.11.18

A chegar às livrarias: O Pregador Atormentado, de Thomas Hardy (trad. revista de Vasco Gato)




Em O Pregador Atormentado, Thomas Hardy criou uma das suas mais desconcertantes personagens femininas.
Lizzy Newberry é-nos apresentada através dos olhos perplexos de um jovem pastor metodista, que se aloja em sua casa e vai compreendendo que a bela anfitriã se dedica a atividades que envolvem grande parte da povoação. As tentativas de Stockdale de afastar a desenvolta viúva da sua perigosa atividade vão revelar-se mais difíceis e menos convictas do que ele imaginara.

H. G. Cancela entre os finalistas portugueses do Oceanos — Prémio de Literatura em Língua Portuguesa 2018





As Pessoas do Drama, de H. G. Cancela, que recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da APE 2017, é um dos três finalistas portugueses do Prémio Oceanos. Os outros são Luís Quintais, com A Noite Imóvel, e Bruno Vieira Amaral, com Hoje Estarás Comigo no Paraíso.
Os restantes finalistas são Milton Hatoum, com A noite da espera, Sérgio Sant’Anna, com Anjo noturno, Ricardo Aleixo, com Antiboi, Marília Garcia, com Câmera lenta, Luís Carlos Patraquim, com O Deus restante, João Silvério Trevisan, com Pai, pai, e Mbate Pedro, com Vácuos.
O júri é composto por Ana Paula Tavares, Daniel Munduruku, Flora Sussekind, Heitor Ferraz, Helena Buescu, Julián Fuks, Maria João Cantinho e Pedro Mexia. O vencedor será anunciado a 7 de Dezembro.
Ana Teresa Pereira venceu o Prémio Oceanos do ano passado, com o romance Karen, editado na Relógio D’Água.

Sobre A Amiga Genial, de Elena Ferrante




«Foi como trabalhar com um fantasma», diz Saverio Costanzo, o realizador da série da HBO baseada na tetralogia de Elena Ferrante.

Mais informação sobre a adaptação da obra de Elena Ferrante no artigo de Merve Emre no The New York Times, 31/10/2018, disponível em https://www.nytimes.com/2018/10/31/magazine/elena-ferrante-hbo-my-brilliant-friend.html

Comemorando José Cardoso Pires




No dia 26 de Outubro passaram 20 anos da morte do escritor José Cardoso Pires. Estão em curso diversas iniciativas para recordar a obra do autor de O Delfim e de Balada da Praia dos Cães.
No próximo dia 8, às 18:00, será inaugurada na Biblioteca Palácio Galveias uma exposição de retratos de Eduardo Gageiro, que conta com a participação do fotógrafo e de Catarina Vaz Pinto, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa.
Esta exposição é uma intervenção conjunta da Câmara Municipal de Lisboa e da editora Relógio D’Água, e contou com a cedência benévola das fotografias por parte do próprio Eduardo Gageiro.
A exposição está aberta ao público até 30 de Dezembro.

Outras iniciativas podem ser consultadas em http://blx.cm-lisboa.pt/noticias/detalhes.php?id=1368

2.11.18

Sobre Um Bailarino na Batalha, de Hélia Correia




«Se, nos romances de Hélia Correia, desde A Casa Eterna (1991), prosseguido em Bastardia (2005) e plenamente realizado em Adoecer (2010), nos habituáramos a um léxico cruzado entre mítico-fantástico e as qualidades positivas e negativas do corpo, em Um Bailarino na Batalha, ora publicado, este complexo semântico de dupla vertente atinge a sua máxima expressão. Porém, neste novo romance, o corpo é, do ponto de vista ficcional, levado ao seu máximo limite representativo; melhor: não o corpo em si, mas a carne do corpo, uma carne desligada da mente (espírito, alma, racionalidade), abandonada a si própria manifestada por propriedades que dispensam a espiritualidade e a racionalidade ocidentais: os ossos, as veias, o sangue, o cérebro, os cotovelos, o olhar como sentido de orientação…» [Miguel Real, JL, 24/10/2018]

Sobre Todos os Contos, de Clarice Lispector




«Melhor do que Borges.» [Elizabeth Bishop]

«A maior escritora latino-americana de prosa.» [The New York Times]

«Um dos génios escondidos do século XX, na mesma liga de Flann O’Brien, Borges e Pessoa — original e brilhante, acutilante e perturbador.» [Colm Tóibín]

«Clarice Lispector possuía uma inteligência dura como um diamante, um instinto visionário, e um sentido de humor que ia desde a admiração ingénua até à comédia mais perversa… Lispector tenta captar o que é pensar na nossa existência enquanto ainda estamos nela — no “maravilhoso escândalo” da vida, como a autora diz. Um trabalho espetacular, sem uma real continuidade dentro da literatura nem fora dela.» [Rachel Kushner, Bookforum]

A chegar às livrarias: Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares (edição revista pelo Autor)





«é evidente

é evidente que podemos explicar.
é evidente que podemos concluir.
é evidente que podemos curar.
é evidente que podemos abrir 1 consultório e dizer: PAGA!
é evidente que podemos psicanalizar.
é evidente que podemos ter componentes.
é evidente que podemos começar pelo início.
é evidente que podemos ter emoção e razão e céu em cima e terra por baixo.
é evidente que podemos comer e não dar por isso, defecar e não dar por isso, fornicar e fecundar e não dar por isso.
é evidente que podemos Regressar.
é evidente que podemos enumerar e dar os nomes certos às coisas erradas.
é evidente que podemos acertar.
é evidente que podemos ter 1 corpo sem falhas excepto a Falha Grande que é MORRER e as outras falhas pequenas que são a dor a doença e a velhice.
é evidente que podemos fixar, explicar, concluir, exemplificar,
começar, abrir 1 consultório, curar, receber e pagar, estruturar, desenvolver, ter ideias claras e ideias claras,
é evidente que podemos pensar, dançar e depois pensar ou então o contrário
é evidente, enfim, de novo, insisto, que podemos explicar,
mas é melhor não.»