8.10.18

Maria Filomena Molder em entrevista a Joana Emídio Marques, a propósito do seu último livro, «Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais»


Maria Filomena Molder com cartola numa fotografia de Jorge Molder [in Observador, 6/10/2018]

«Maria Filomena Molder é um dos segredos mais bem guardados da nossa cultura. Não porque esteja escondida, esquecida ou exilada. Escreve e publica, dá entrevistas, faz conferências em Portugal e no estrangeiro (apanhámo-la a meio caminho entre Florença e a preparação de uma conferência sobre o filme Jaime de António Reis e Margarida Cordeiro). Simplesmente porque pouca gente há, no nosso espaço público, que seja simultaneamente tão próxima e tão longínqua, tão incapturável pelos tópicos dos discursos vigentes nas artes, na sociedade, na filosofia. E, ainda assim, tão capaz de traduzir as suas contemplações, reflexões, memórias, rememorações numa escrita que nos põe dentro de uma intimidade profunda, não com ela, mas com nós mesmos. […]

Maria Filomena Molder, numa fotografia que ela própria escolheu para se re(a)presentar. O facto de a imagem estar ligeiramente desfocada é uma das razões da escolha [in Observador, 6/10/2018]


Os dias são precisamente o mote desta conversa: chamou-lhes, no seu mais recente livro Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais (Relógio d’ Água), um conjunto de ensaios que, tal como a viagem de Ulisses, são por vezes a travessia num mar difícil de vindimar, como o são para a própria autora que diz ter de esperar que aquilo que é dito possa ser escrito. Para ela não é imediato nem é líquido que consiga fazer esta passagem.Tal como, e pegando numa imagem da ensaísta Silvina Rodrigues Lopes, a literatura não existe sem atrito, também não existem bons livros que não oponham resistência aos seus leitores. Ainda que hoje nos queiram convencer do contrário, a obra é mais importante que a atenção que lhe é dedicada e no fim é sempre a obra que procura os seus leitores e não o contrário.» 


A entrevista completa pode ser lida aqui.

Apresentação de Nunca Dancei num Coreto de Maria Filomena Mónica





A obra Nunca Dancei num Coreto, de Maria Filomena Mónica, vai ser apresentada no Auditório do Museu da Farmácia, na Rua Marechal Saldanha, n.º 1, em Lisboa, no dia 11 de Outubro, quinta-feira, às 18.30h.
A apresentação será feita por Clara Ferreira Alves.


«Desde que, em 1990, comecei a escrever regularmente para os jornais, houve colegas que me criticaram com o argumento de que estaria a desperdiçar os meus supostos talentos. Não tardei a verificar que o facto de escrever para um público mais vasto do que o constituído pelos círculos universitários não só em nada me prejudicava como até me ajudava a pensar com mais clareza.» [Do Prefácio]

Sobre Viagens, de Virginia Woolf




«[…] um livro que a autora nunca escreveu. A partir de excertos do diário, cartas avulsas, artigos e ensaios, Jorge Vaz de Carvalho organizou um volume com este título. Com efeito, a autora de Mrs. Dalloway nunca escreveu um livro de viagens, mas a solução encontrada preenche a lacuna. Ao longo da vida, Virginia fez viagens a Itália, Portugal, Espanha, Grécia, Turquia, Alemanha, França, Irlanda e Holanda, repetindo algumas em anos diferentes. A França, por exemplo, foi dezasseis vezes. Escreveu sobre essas experiências a partir de Novembro de 1904, tinha então 22 anos. Várias delas foram mais tarde transpostas para obras de ficção. As observações sobre Portugal são parcimoniosas. Virginia e o irmão Adrian desembarcam em Leixões, apanhando no Porto o comboio para Lisboa porque uma avaria no navio alterou os planos iniciais. Acerca de Lisboa, diz que é uma cidade «ampla, brilhantemente branca e limpa...». Refere o Hotel Borges, onde ficaram instalados, os eléctricos velozes, o Cais do Sodré, a Praça do Cavalo Preto (o Terreiro do Paço) e uma visita ao cemitério inglês para ver a campa de Henry Fielding, o autor de Tom Jones (1749). A partida para Sevilha deu-se nessa mesma noite. Portugal foi um brevíssimo entreacto. Mas, por comparação com a capital portuguesa, considera Sevilha cheia de defeitos: «É uma cidade a que acho difícil acostumar-me.» Numa carta a Violet Dickinson datada de Abril de 1905, matiza o juízo, mas volta a sublinhar que «Lisboa é uma cidade esplêndida, com pelo menos um belo edifício, a grande igreja em Belém.» Na Primavera de 1925, no extremo Sul da França, acompanhada de Leonard, algures entre Cassis e La Ciotat, sente-se feliz: «Ninguém dirá de mim que não conheci a felicidade perfeita.» O turismo não era o que é hoje, mas Virginia não deixa de reflectir sobre relações entre «pessoas que não se conhecem». Em Maio de 1937, com a guerra no horizonte, Virginia volta a França: «No domingo foi a fête. Pessoas com roupas vivas. Aldeias cheias de homens negros, ali parados.» Um belo patchwork de textos de natureza diferente.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica na revista Sábado, 3/10/18]

3.10.18

Ópera Três Mulheres com Máscara de Ferro, de Agustina Bessa-Luís, no Teatro Aberto





A temporada 2018/2019 do Teatro Aberto abre com a apresentação da Ópera Três Mulheres com Máscara de Ferro, de Agustina Bessa-Luís, com música de Eurico Carrapatoso. 

Com base num texto inédito de Agustina Bessa-Luís, música original de Eurico Carrapatoso, encenação de João Lourenço e direcção musical de João Paulo Santos, a ópera centra-se em Fanny Owen, Ema e Sibila, as três protagonistas femininas de reconhecidos romances da autora. As suas intérpretes são Ana Ester Neves, Angélica Neto e Patrícia Quinta. A música foi composta para clarinete, violino, violoncelo e piano.

Este espectáculo estreou em Outubro de 2014 na Fundação Calouste Gulbenkian e foi também levado à cena na Sala Azul do Teatro Aberto. Nos próximos dias 5, 6 e 7 de Outubro a ópera volta ao Teatro Aberto.

O texto de Agustina será publicado pela Relógio D’Água como volume das Obras da Autora. Integra, além do libreto em português (e inglês) que Agustina Bessa-Luís escreveu, textos de Mónica Baldaque, Vera San Payo de Lemos, Eurico Carrapatoso, os prefácios de António Lobo Antunes, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares publicados em Vale Abraão, Fanny Owen e A Sibila, e imagens da representação do Teatro Aberto.

O livro com o texto de Agustina Bessa-Luís será lançado no dia 5 de Outubro, às 21h, no foyer do Teatro Aberto. Estarão presentes a Professora Anamaria Filizola, Mónica Baldaque, João Lourenço, Vera San Payo de Lemos e o maestro João Paulo Santos, que participarão de uma conversa em torno da obra de Agustina Bessa-Luís e da ópera, que será apresentada às 22h no palco da Sala Azul do Teatro Aberto.

Ana Luísa Amaral e Álvaro Manuel Machado vencem Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho





Os livros Arder a Palavra e Outros Incêndios, de Ana Luísa Amaral, e O Significado das Coisas, de Álvaro Manuel Machado, são os vencedores ex-aequo do Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa dos Críticos Literários.
No comunicado enviado à agência Lusa, a Associação Portuguesa dos Críticos Literários (APCL) afirma que O significado das coisas, de Álvaro Manuel Machado proporciona, "com o rigor e a vitalidade da perspectiva comparatista que marca uma carreira ensaística já com várias décadas, leituras iluminantes de autores dos séculos XIX e XX, como Teófilo Braga, Antero de Quental, Eça de Queirós, Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Raul Brandão, Agustina Bessa-Luís, Mário Cláudio e vários outros”.
“Arder a Palavra e Outros Incêndios”, publicado pela Relógio D’Água, é “um conjunto de ensaios orientados por um pensamento maturo e livre sobre vários autores portugueses e anglo-saxónicos”.
“Sem ficar fechada nos limites doutrinais do feminismo, Ana Luísa Amaral, [professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto], tira da sua interrogação sobre a identidade de mulher os recursos de uma profunda renovação do sentido da literatura”.
Álvaro Manuel Machado é professor na Universidade Nova de Lisboa, e a obra foi publicada pela Editorial Presença.
O júri foi constituído por Cristina Robalo Cordeiro, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Maria João Reynaud, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde lecciona a disciplina de Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX, e orienta seminários de Poesia Portuguesa Contemporânea, e Paula Morão, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde colabora com o Centro de Estudos Clássicos, e também com o Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Coimbra.
O prémio tem o valor pecuniário de 4000 euros e será "entregue em data a anunciar", segundo a APCL.
O Prémio Jacinto do Prado Coelho do ano passado foi entregue a Maria José Reynaud, pela sua obra Margens, ensaios de literatura publicada pelas Edições Afrontamento.

2.10.18

No aniversário da morte de Machado de Assis




“O maior escritor da América Latina.” [Susan Sontag]

Machado de Assis nasceu a 21 de Junho de 1839 no Rio de Janeiro, pouco se sabendo da sua infância e juventude. Em termos profissionais, foi primeiro tipógrafo e revisor de provas, depois burocrata subalterno, ocupando finalmente relevantes cargos administrativos.
Publicou o muito original Memórias Póstumas de Brás Cubas em 1880 quando era oficial da Secretaria de Estado no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
Não poderia ser maior o contraste entre o funcionário aplicado e o autor de um livro em que o narrador se situa no túmulo, o que lhe permite um tom de céptica ironia e o reconhecimento das muitas fraquezas e das frágeis virtudes que fazem a condição humana. Contraste semelhante só o de Fernando Pessoa escrevendo o Livro do Desassossego enquanto exercia funções de correspondente comercial na Baixa lisboeta. 
Neto pelo lado paterno de escravos negros libertos, filho de um pintor da construção civil e de uma lavadeira açoriana, Machado de Assis nunca foi, no entanto, um intruso no mundo literário do Rio de Janeiro, onde existiam oportunidades para um intelectual de talento, mesmo que mulato. Aliás, a sua relação com a sociedade da época nunca foi de crítica mordaz, mas de uma ironia em jeito de comédia de sentimentos. Como escreveu Harold Bloom em Génio: «E, no entanto, das suas Memórias Póstumas de Brás Cubas emana uma tranquilidade quase sobrenatural.» 
Machado de Assis nasceu pobre, frágil de saúde, epiléptico e, a partir de dada altura, sofreu dos olhos, tendo mesmo de ditar seis capítulos de Memórias Póstumas a sua mulher. Mas aprendeu francês, inglês, alemão, latim, grego e russo. Deixou dezenas de obras em conto, romance, poesia, teatro e crónica, e ajudou a revolucionar a escrita de português com as suas elipses, ironia céptica, transformações gramaticais, uso de neologismos e multiplicação de perspectivas. Foi, com Eça e Camilo, um dos maiores escritores do século XIX em língua portuguesa.
Passam este ano cento e dez anos sobre a sua morte, que ocorreu a 29 de Setembro de 1908.

De Machado de Assis, a Relógio D’Água publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba; Dom Casmurro e Esaú e Jacó; e, na colecção Clássicos para Leitores de Hoje, Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista e Outros Contos.

1.10.18

Ópera Três Mulheres com Máscara de Ferro, de Agustina Bessa-Luís, no Teatro Aberto





A temporada 2018/2019 do Teatro Aberto abre com a aguardada apresentação da Ópera Três Mulheres com Máscara de Ferro, de Agustina Bessa-Luís, com música de Eurico Carrapatoso. 
Este espectáculo estreou com grande êxito em Outubro de 2014 na Fundação Calouste Gulbenkian e foi também levado à cena na Sala Azul do Teatro Aberto. Nos dias 5, 6 e 7 de Outubro a ópera volta ao Teatro Aberto. São três récitas únicas de uma ópera muito especial.

Com base num texto inédito de Agustina Bessa-Luís, música original de Eurico Carrapatoso, encenação de João Lourenço e direcção musical de João Paulo Santos, a ópera centra-se em Fanny Owen, Ema e Sibila, as três protagonistas femininas de reconhecidos romances da autora. As suas intérpretes são Ana Ester Neves, Angélica Neto e Patrícia Quinta. A música foi composta para clarinete, violino, violoncelo e piano.


O texto de Agustina será publicado pela Relógio D’Água como volume das Obras da Autora. Integra, além do libreto em português (e inglês) que Agustina Bessa-Luís escreveu, textos de Mónica Baldaque, Vera San Payo de Lemos, Eurico Carrapatoso, os prefácios de António Lobo Antunes, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares publicados em Vale Abraão, Fanny Owen e A Sibila, e imagens da representação do Teatro Aberto.