4.7.18

Sobre Breves Notas sobre Literatura-Bloom, de Gonçalo M. Tavares




«“Bloom Books” é, como sabemos, uma das múltiplas “séries” em que se organiza a obra de GMT, embora, até à data, tenha sido publicado um único livro-Bloom, intitulado “A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil”; agora, o escritor diz-nos que “Biblioteca” e “Uma Viagem à Índia” talvez fossem livros-Bloom, ao passo que este dicionário de literatura-Bloom talvez não seja bem um livro-Bloom. Pouco importa o grau de adesão que estes jogos conceptuais nos suscitam, o a pertinência deste texto fragmentário enquanto “poética da prosa”; as “Breves Notas sobre Literatura-Bloom” são sobretudo úteis como “interpretação autêntica”, quer dizer, interpretação das intenções de um autor pela mão do próprio autor.» [Pedro Mexia, Expresso, E, 30/6/2018]

3.7.18

Sobre O Processo, de Franz Kafka




«O mundo das repartições e dos arquivos, dos gabinetes e dos quartos escuros, bafientos e degradados, é o mundo de Kafka. (…)
O Processo deixa-nos perceber que o procedimento judicial que é levantado contra o réu não lhe deixa, regra geral, qualquer esperança, inclusivamente nos casos em que poderia subsistir a esperança da absolvição. Ora, talvez seja precisamente esse desespero que transforma os réus nas únicas personagens belas no universo kafkiano.» [Do Posfácio de Walter Benjamin]

De Franz Kafka, a Relógio D’Água publicou também O Castelo, O Desaparecido, Contos (com selecção e prólogo de Jorge Luis Borges), Carta ao Pai e A Metamorfose (prefácio de Vladimir Nabokov), Diários e Contos Escolhidos.
Em breve, a Relógio D’Água editará Cartas a Milena.

2.7.18

Sobre Karen, de Ana Teresa Pereira




Ana Teresa Pereira na imprensa brasileira

Na sequência da obtenção do Prémio Oceanos pelo seu romance Karen, surgiram na imprensa vários artigos e entrevistas sobre Ana Teresa Pereira.

«• Todos temos um traje cotidiano e um traje de baile quando o assunto é dizer de quem somos? De que maneira a inveja pelas habilidades humanas que não desenvolvemos pode se tornar uma potência?
Tão importante como a identidade, é a atracção pela metamorfose. Uma das ideias iniciais de Karen era a existência de duas realidades. O desafio era que as duas fossem impossíveis. Se a narradora é Karen, por que motivo o cão não a reconhece? Se ela é uma pintora que vive em Londres, como é que não sabe desenhar? Talvez a noite em que está mais próxima de si mesma, em que quase atinge a unidade, seja aquela em que usa o vestido vermelho. A ideia de que há outras possibilidades, de que podemos ser outras pessoas, não deixa de ser fascinante. Como um actor que procura as partes de si mesmo que correspondem à personagem que quer interpretar (mesmo o fascista ou o santo, diria Orson Welles); como tocar teclas de um piano que tínhamos ignorado até então.» [Entrevista a Andressa Barichello, «Rascunho», Maio 2018]

«Consistência
Vencido o percalço inicial e aberto o livro, o leitor vai se deparar com a objetividade de quem sabe o que quer e para onde vai desde a primeira linha. Nada de experimentalismos nem de prefácios ou de outras filigranas que só retardam a entrada no principal. Depois da breve epígrafe de W. G. Sebald, o romance abre direto e firme no primeiro capítulo para seguir numa estrutura de capítulos curtos cuja simetria garante um mesmo ritmo até o final (é interessante observar que muitos autores, no afã da busca pelo original, acabam perdendo a noção de que simetria, objetividade, assepsia quanto a aspectos gráficos são detalhes que deixam a leitura mais confortável; se o objetivo for inquietar o leitor, nada rouba a primazia da força do texto sobre qualquer outro artifício). O máximo de subversão a que se permite a autora é uma abertura in finis res, com uma surpresa formal no último capítulo que não se vai aqui antecipar. Em todo o resto, a sobriedade veterana de quem sabe que é sempre melhor investir na consistência do conteúdo do que na decoração da fachada.» [Luiz Paulo Faccioli, «Rascunho», Maio 2018]


«Talvez a expectativa do leitor nas primeiras linhas do romance seja a de encontrar, nas páginas seguintes, uma revelação, a solução de um mistério. A insegurança quanto à lucidez ou à credibilidade do ponto de vista da personagem narradora parecem despertar a procura por respostas mais “confiáveis”. Essa procura, todavia, logo é substituída pelo gesto de, agarrados à sua lógica e capacidade de encadear acontecimentos, andarmos de braços dados com uma mulher capaz de fazer de suas interrogações as nossas. A incerteza produzida pelo intrincado dos acontecimentos no livro solicita do leitor certo despojo quanto ao racional, permitindo-se também ele deixar-se guiar pela intuição ao acompanhar os dias da personagem dentro de uma residência isolada, com ares aristocráticos, um dos cenários principais de ambientação da narrativa.
A certo ponto, a casa – e a mulher – podem ser lidos como uma fotografia, uma memória, um pesadelo, uma fuga, um cômodo, um ateliê; qualquer morada [ou herança] paralela dentro da qual é difícil precisar a identidade não só de um, mas de todos os personagens.
Ler Karen é estar diante de um romance onde o que vale é o que é contado, pois tanto o que é narrativa quanto o que é escassez dialogam com a capacidade de se entregar e com o desejo de resistir que movem o curso das águas, da vida.» [Lucas Verzola, «Revista Lavoura», 28/05/2018]

Sobre O Doutor Glas, de Hjalmar Söderberg




«… é um desses livros prodigiosos que parecem tão vivos e frescos como no dia em que foram publicados... Aparece na passagem do século XIX para o XX, mas abre portas que o romance tem vindo a franquear desde então.» [Do Prefácio de Margaret Atwood]

29.6.18

Raul Brandão celebrado pela Associação Portuguesa de Escritores





O ciclo de iniciativas que comemora a obra de Raul Brandão teve início no passado dia 18 de Junho e prolonga-se até 10 de Julho. A 3 de Julho, na Cinemateca Portuguesa, serão abordadas as várias adaptações feitas de obras de Raul Brandão ao cinema.
No dia 10 de Julho, Teatro Nacional D. Maria II, alguns atores lerão excertos do III Acto de “O Gebo e a Sombra” e vão fazer a leitura completa da farsa “O Doido e a Morte”.

De Raul Brandão a Relógio D’Água tem editadas as obras Memórias (em três tomos), A Farsa, História dum Palhaço e A Morte do Palhaço, El-Rei Junot, Vida e Morte de Gomes Freire, Os Pescadores, Húmus e Memórias (num único volume).

28.6.18

Hélia Correia e Alexandre Andrade lêem contos na Livraria Ferin




No âmbito do 15.º Congresso Internacional do Conto em Inglês, Hélia Correia e Alexandre Andrade estarão amanhã na Livraria Ferin, em Lisboa, para uma leitura de contos.

Sobre O Falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello




Escrito em 1904, O Falecido Mattia Pascal é um romance em que, com apreciável dose de humor negro, Luigi Pirandello explora os mistérios de identidade. Nele se conta a história de um homem que, cansado da sua vida de arquivista e de marido, decide viajar até Monte Carlo, onde a sorte lhe permite obter no casino uma enorme fortuna.
É no regresso a casa que toma conhecimento de que, por engano, foi considerado morto.
Decide começar uma nova vida com fortuna e outro nome, pensando assim libertar-se de compromissos e obrigações. Mas depois de viajar algum tempo sem estabelecer ligações de amor ou amizade, sente que o anonimato não o torna livre nem feliz.
Decide fixar-se numa pensão em Roma, onde se apaixona e tudo se complica.


De Luigi Pirandello a Relógio D’Água editou também Contos, A Bilha e Henrique IV — Seis Personagens em busca de Autor.