21.5.18

A chegar às livrarias: O Quarto de Marte, de Rachel Kushner (trad. de José Miguel Silva)





Rachel Kushner foi duas vezes finalista do National Book Award.O seu livro Os Lança-Chamas foi considerado “o melhor, mais corajoso e interessante livro do ano” por Kathryn Schulz da revista New York.

Estamos em 2003 e Romy Hall enfrenta duas penas de prisão perpétua consecutivas na penitenciária feminina de Stanville, em Central Valley, na Califórnia.
Lá fora está o mundo do qual foi privada: a cidade de São Francisco da sua juventude e o filho, Jackson. Dentro, uma nova realidade: milhares de mulheres que lutam por bens essenciais à sobrevivência; os jogos, ostentações e atos casuais de violência perpetrados por guardas e reclusas; e o modo inoperante e absurdo que pauta a vida institucional nas prisões, que Kushner evoca com humor e precisão.

“Este é o melhor livro de Kushner. Mais um enorme passo em frente.” [Jonathan Franzen, The Guardian]

“A ficção de Kushner triunfa porque está repleta de histórias vibrantes, únicas e intensamente vivas.” [James Wood

“Kushner é uma jovem mestre. Não entendo como sabe tanto e consegue passar esse conhecimento para os seus livros de uma forma tão interessante.” [George Saunders]

De Rachel Kushner a Relógio D’Água publicou Os Lança-Chamas e Telex de Cuba.

18.5.18

Sobre Presa Branca, de Jack London




Presa Branca não conta apenas a história de um cão-lobo selvagem. Mas mostra como as mudanças dramáticas no seu comportamento vão evoluindo em relação com as mudanças no seu ambiente social e natural. O livro explora, assim, de modo indirecto, questões sociológicas sobre o comportamento humano — o que é que leva as pessoas a agirem de forma selvagem ou civilizada?
Em Presa Branca, Jack London mostra como a civilização é uma força tão poderosa quanto a natureza em termos de comportamento individual.

Sobre Nesta Grande Época, de Karl Kraus




«Kraus, que reprovava aos jornalistas do seu tempo a “dependência do juízo da clientela pagante” e a predisposição para sufocar qualquer veleidade de pensamento próprio, o que diria da obsessão dos media do nosso tempo com o número de pageviews e likes? Kraus, que considerava inaceitável a pressão exercida sobre os jornalistas pelas cartas dos leitores indignados — “quem se põe a assobiar sozinho no teatro é mandado calar, mas quem escreve cartas pode dar largas à sua estupidez sem nenhum eco acústico” —, o que pensaria da enxurrada de pesporrência e agressividade que inunda regularmente as caixas de comentários das edições electrónicas dos jornais?» [José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 16/5/2018]

17.5.18

A chegar às livrarias: O Sonho de Bruno, de Iris Murdoch (trad. de Vasco Gato)




Finalista do Man Booker Prize

Bruno tem quase noventa anos. Obcecado com o passado e apaixonado por aranhas, é o centro de uma complexa teia de relações.
Nessa teia estão Danby, o infeliz genro de Bruno; Adelaide, amante de Danby; e Nigel e Will, os irmãos gémeos primos de Adelaide.
Os fios da teia emaranham-se mais ainda quando Bruno insiste em procurar Miles, o filho que o rejeitou e vive com a esposa e a cunhada. 
Pouco demora até que a inquietação que há muito fervilhava venha à superfície, provocando uma vaga de tensão, paixão e violência entre os dois lares…
Em O Sonho de Bruno, o cenário londrino e o ambiente de ameaça são expressos de forma magistral. Este romance, altamente original, mostra-nos Iris Murdoch no apogeu do seu invulgar talento.


De Iris Murdoch a Relógio D’Água publicou também A Máquina do Amor Sagrado e Profano; O Mar, o Mar; O Bom Aprendiz; Um Homem Acidental; O Príncipe Negro; Uma Cabeça Decepada; Sob a Rede e O Sino.

16.5.18

Sobre Na Primavera, de Karl Ove Knausgård




«“Na Primavera” (Relógio D’Água) é o terceiro de uma série de quatro livros dedicados às estações do ano. O conjunto surge depois de Knausgård terminar “A Minha Luta”. O escritor quer concentrar-se numa empreitada simples: escrever textos curtos sobre a escova de dentes, as tampas de esgoto, o açúcar, os átomos, as janelas, as botas… Num registo epistolar, dirige-se à filha, a única que não é contemporânea de “A Minha Luta”. No livro que dedica à primavera, porém, a escrita cede (ao hábito?). Já não há textos curtos. A “ação” tem a duração de um único dia, e recua ao verão anterior, umas vezes questionando as razões por que as maçãs caem das árvores, outras demorando-se nos temas mais devastadores da alma, como a depressão e o suicídio.» [Cristina Margato, E, Expresso, 12/5/2018]

15.5.18

Sobre Alguma Coisa Tem de Chover, de Karl Ove Knausgård




«Karl Ove tem 19 anos e um desejo imenso de ser escritor, ainda que saiba que não tem uma imaginação capaz de gerar intrigas. Também lhe falta um mundo que não derive apenas do seu interior. Hamsun é, por isso, a origem de uma das epifanias mais importantes da sua vida, que se há de refletir na sua escrita, principalmente na que o irá consagrar — aquela que usará nos seis volumes de A Minha Luta, dos quais a Relógio D’Água já editou cinco.
O quinto volume, Alguma Coisa Tem de Chover, começa com a chegada de Knausgård a Bergen, cidade que abandonará 14 anos depois. São 600 páginas sobre um jovem à procurar de um lugar na literatura, e Hamsun consta das primeiras: “Tinha muito pouco dinheiro e decidi-me por um livro de bolso (…) Custou-me trinta e nove coroas e meia, pelo que me restavam doze coroas, com as quais comprei um bom pão na padaria (…).” A cabeça e o estômago. A epifania depois. “[Em Fome] Não sucede nada de especial, ele limita-se a deambular um pouco pela cidade, tem fome e pensa nisso. Eu poderia escrever também dessa maneira (…).”» [Cristina Margato, E, Expresso, 12/5/18]

Nas livrarias: O Prelúdio, de William Wordsworth (trad. e prefácio de Maria de Lourdes Guimarães)





«Nos inícios do século XIX, Wordsworth atingirá o auge da sua carreira poética. Com a sua obra, incluindo os treze livros iniciais de O Prelúdio, chama a atenção de Sir Walter Scott e Thomas de Quincey, com quem estabeleceu laços de amizade. Keats visita-o em 1818 e sente-se consternado ao descobrir que Wordsworth estava bem longe do radicalismo da sua juventude, pois chegava a fazer campanha para as eleições a favor dos conservadores. Esta posição política de Wordsworth deu origem a um certo desencontro ou desentendimento entre ele e a segunda geração dos românticos.
O Prelúdio insere-se na tradição da autobiografia confessional de vários autores de narrativas do século XVIII, surgindo como uma narrativa onde o poeta, além de referir acontecimentos da sua vida desde a infância, relata também eventos históricos. É assim um testemunho do seu tempo e, em simultâneo, do seu desenvolvimento espiritual e intelectual. Possivelmente constituiria, tal como o título sugere, uma introdução para um outro poema, intitulado The Recluse, que, segundo os planos de Wordsworth, seria uma longa composição filosófica; mas nunca chegou a terminar tal obra, tendo apenas sido editados alguns poemas que fariam parte dela.
De acordo com o plano inicial, The Poem — como então era designado O Prelúdio pelo poeta e por Coleridge — não devia exceder os cinco livros, mas o desenvolvimento da narração, o dramatismo das emoções profundas que o percorrem — a viagem pelos Alpes, a estadia em Londres e na França da Revolução Francesa, a sua crise moral e política — constituíram um forte apelo para prolongar o poema, embora tivesse interrompido a sua escrita durante vários anos.

Só após a morte de Wordsworth em 1850 é que surgem os catorze livros com o título The Prelude, atribuído pela sua mulher Mary Wordsworth.» [Do Prefácio]