30.4.18

Sobre A Família Golovliov, de Saltykov-Shchedrin




«Mikhail Saltykov (1826-89), que publicou sob o pseudónimo de Shchedrin, criou com Porfiry uma das mais desprezíveis personagens da literatura e logrou em “A Família Golovliov” (1880) uma sátira negra e implacável à esterilidade, letargia e obtusidade da pequena aristocracia russa.» [José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 25/4/2018]

A chegar às livrarias: Os Meninos de Ouro, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de Pedro Mexia)





«Esse homem fatal, José Matildes, é, a dado passo, definido como um Orfeu, dividido entre o resgate e a dissolução. Mas aonde regressará, e o que é que o desfaz? O caso amoroso com Marina certamente não o define no domínio moral, mas apenas no campo político. É por causa de Marina que José faz política, anda com ela ao lado como nas campanhas eleitorais, como se a conjugalidade fosse um comício. José é perspicaz, mesmo quando não se apercebe disso. Entendeu que os portugueses se desiludiram com a Revolução, que não foi apenas a libertação de um jugo mas uma promessa infundada de felicidade. Como escreve Agustina, o simbolismo afectivo da Revolução fracassou, e isso activou o velho fundo messiânico. Quem encarna esse Sebastião de gravata é José Matildes, príncipe de cortesia algo tensa, democrata sofista, jogador sem vícios. Ousado sem ser original, José detesta compromissos, cedências, afasta os aliados, seduz os adversários. Não é essencialmente um governante, nem um tribuno, é alguém que carrega uma angústia, que se sente culpado sem ter feito nada de mal, que vê os obstáculos como castigos.» [Do Prefácio]

27.4.18

Alvalade homenageia José Cardoso Pires





No âmbito da iniciativa Alvalade Capital da Leitura 2018, a Junta de Freguesia vai homenagear José Cardoso Pires. O autor de O Delfim viveu uma importante parte da sua vida na Rua São João de Brito.

A chegar às livrarias: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber (trad. de Carlos Leite), com introdução de Anthony Giddens





Este livro é, indiscutivelmente, o trabalho sociológico mais importante do século XX. As palavras de Weber surtiram profunda influência no desenvolvimento das ciências sociais modernas.
Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber atribui a ascensão da economia capitalista à crença calvinista nos valores morais do trabalho duro e do alcançar da satisfação através do cumprimento dos deveres mundanos.
Baseada na edição alemã original de 1920, esta nova tradução inclui uma esclarecedora introdução de Anthony Giddens, notas explicativas e reacções e comentários feitos por Weber às críticas que a obra recebeu.

«Max Weber tinha razão. Se temos algo a aprender da história do desenvolvimento económico, é que a cultura faz quase toda a diferença.» [David S. Landes]

«Uma das obras mais conhecidas e controversas da ciência social moderna.» [Anthony Giddens]

«Max Weber é uma das figuras canónicas da sociologia contemporânea.» [The Times Higher Education Supplement]

26.4.18

Os Miseráveis de Victor Hugo são Prémio Livro do Ano 2017





A tradução de Os Miseráveis, de Victor Hugo, publicada pela Relógio D’Água, foi eleita Livro do Ano 2017 na categoria de Melhor reedição de obras essenciais da literatura lusófona ou universal. Trata-se de um prémio atribuído pelos leitores e livreiros da Bertrand.
O segundo lugar foi atribuído a A Sibila, de Agustina Bessa-Luís.
A votação registou, segundo os organizadores, dezenas de milhares de votos  e um forte incremento de participação.

24.4.18

Sobre As Rotas da Seda, de Peter Frankopan




«A ideia é recontar a história do mundo numa perspetiva diferente. Em vez de a centrar na Europa, partindo da génese tradicional Grécia-Roma, deslocar o eixo para Oriente. O verdadeiro centro do mundo — o Mediterrâneo, na aceção etimológica da palavra — passa a estar algures entre o Médio Oriente e a Ásia Central. Não é uma vi~soa inteiramente nova. Muitos ainda recordamos um livro que lemos no liceu, “A História Começa na Suméria”, de Samuel Noah Kramer, cujos 39 capítulos são dedicados a outras tantas coisas (escolas, farmácias, parlamentos bicamerais, subornos…) que apareceram primeiro na Mesopotâmia. O propósito de Frankopan, contudo, é bastante diferente. O seu âmbito geográfico é a Eurásia inteira, e o temporal os últimos dois mil e trezentos anos. (…) Uma demonstração fascinante, cheia de factos surpreendente e de conclusões que para muitos leitores poderão sê-lo. Por exemplo: no final do primeiro milénio, a europa pouco mais tinha para comerciar do que escravos, e mesmo cinco séculos depois esse tráfico foi largamente responsável pelos avanços portugueses em África; a Peste Negra serviu como catalisador da igualdade económica (“o despovoamento crónico teve o efeito de aumentar abruptamente os salários, dado o valor crescente da mão-de-obra”); “o comunismo não nasceu da Guerra da Crimeia mas tornou-se mais acutilante graças a ela”.» [Luís M. Faria, Expresso, E, 21/3/2018]

23.4.18

Sobre Vale Abraão, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicará uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio d’Água.
No dia 29 de Março foi publicado o texto de Cátia Vieira sobre «Vale Abraão»:

«Assim, Agustina Bessa-Luís não só critica de forma exímia a sociedade rural portuguesa como evidencia uma absoluta mestria ao escrever a esfera psicológica destes personagens. Deveremos assinalar, ainda, a desconstrução que a escritora faz de um estereótipo feminino profundamente enraizado num Portugal provinciano. Esta mentalidade colocava a mulher num estado de vegetação – ou, como Agustina Bessa-Luís designou, sob um ‘efeito zombie’ – de modo a proteger o estatuto do homem. As mulheres eram pensadas como corpo sem alma; corpo sem identidade; corpo sem pensamento. Apenas corpo.»


[Texto completo em https://www.comunidadeculturaearte.com/ano-agustina-vale-abraao-uma-reescrita-de-madame-bovary/ ]