9.3.18

Sobre Portugal, Hoje, de José Gil




Na edição comemorativa dos 20 anos da FNAC, elegem-se os 20 livros que marcaram as duas últimas décadas. Entre eles, encontra-se «Portugal,Hoje», de José Gil.


«Dá que falar este ensaio, no qual o filósofo José Gil analisa a sociedade portuguesa e nos classifica como um povo com medo de arriscar.» [Revista Estante, Fevereiro 2018]

8.3.18

A chegar às livrarias: Na Primavera, de Karl Ove Knausgård, com ilustrações de Anna Bjerger (trad. Pedro Porto Fernandes)





«Não sabes o que é o ar, contudo, respiras. Não sabes o que é o sono, contudo, dormes. Não sabes o que é a noite, contudo, é nela que repousas. Não sabes o que é o coração, contudo, ele bate regularmente no teu peito, noite e dia, noite e dia, noite e dia.
Tens três meses de idade e estás como que envolta em rotinas, ficas na mesma posição ao longo dos dias porque não tens um casulo como as larvas, não tens uma bolsa como os cangurus, não tens um covil como os texugos ou os ursos. (…)
Como é o mundo para um recém-nascido?
Luminoso e escuro. Frio e quente. Macio e duro.»

Nas livrarias: O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett (trad. Maria de Lourdes Guimarães)




Mary Lennox, criança solitária e indesejada, chega da Índia para viver com o tio em Yorkshire. 
Entregue a si própria, pouco tem com que se entreter e começa a explorar a casa enorme e sombria, até que numa bonita manhã de sol se depara com um jardim secreto que muros cobertos de hera ocultavam. Pela primeira vez na sua breve e triste vida, Mary descobre uma coisa que merece a sua afeição e empenha-se em devolver o jardim à sua antiga glória. Quando o jardim começa a florir e a transformar-se como por magia, ninguém permanece indiferente.


De Frances Hodgson Burnett a Relógio D’Água publicou também Uma Princesinha.

7.3.18

John Freeman sobre Kamila Shamsie





«[“Conflito Interno”] é uma explosiva história do denominado terrorismo interno no Reino Unido que está ligado ao Daesh. Apesar de ser inspirado pelas manchetes dos jornais, o livro recolhe a sua estrutura de uma história muito antiga: Antígona. Tal como na peça de Sófocles do século IV a.C., o romance de Shamsie gira em torno das lealdades em conflito no lar e na nação. Na versão de Shamsie, três filhos de ex-jihadista com ligações ao Paquistão aventuram-se pelo mundo. Isma, com um visto, tornou-se uma académica de sucesso nos Estados Unidos; Aneeka estuda em Inglaterra com o objectivo de vir a ser advogada; e Paravaiz – ao contrário das suas irmãs – vagueia, perdido, tendo que, como escreve Shamsie, “aprender o que significa ser um homem”. (…)

Enquanto escrevia, Shamsie ponderava as vantagens e os perigos de utilizar um texto clássico como base para abordar problemas contemporâneos. “A minha Antígona não podia ser a mesma Antígona de Sófocles. Eu tinha de encontrar uma história pare ela, uma forma para ela, uma linguagem para ela, uma personagem para ela, dentro deste mundo contemporâneo. A ideia de que existe alguma coisa acerca dos seres humanos que transcende o momento histórico em que eles se encontram ou que não é profundamente definida por ele é algo que não aceito. E creio que é por isso que nos meus livros as personagens estão sempre a enfrentar os momentos históricos.”» [John Freeman, ípsilon, Público, 27/8/2017. Texto completo aqui.]

Sobre «Memórias do Subterrâneo», de Fiódor Dostoievski






«“Memórias do Subterrâneo” compõe-se de duas partes, com o mesmo narrador: a I parte, “O subterrâneo”, é um ensaio/panfleto sob a forma de monólogo torrencial e febril, que ataca ferozmente as concepções estritamente racionais, utilitárias e colectivistas de Chernyshevsky e faz o elogio do indivíduo e do livre-arbítrio. A II parte, “Por causa da neve húmida”, diz respeito a três episódios da juventude do narrador, mas embora neles sejam detectáveis os temas do monólogo, a personagem do narrador dá mostras de uma pusilanimidade, inconstância, hipocrisia, frouxidão de carácter, autocomiseração e hipocrisia que contrastam com o tom de determinação do “eu” 15 anos mais velho que profere o monólogo. As insensatas acções que esta personagem empreende na II parte pretendem representar o primado do livre-arbítrio e a rejeição de uma vida calculista, mas Dostoievsky carregou de tal forma as tintas (“estão aqui de propósito reunidos todos os traços de um anti-herói”) que acabam por ser sinal de capricho, desvario e histeria.» [José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 14/2/2018]

6.3.18

Sobre A Ciência das Sombras, de Bernardo Pinto de Almeida




«A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, poeta, historiador e crítico de arte, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006. Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao volume A Noite (2006). O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento, que o artista fez expressamente para esta edição.


 Inscrição (para o Altar de Apolo, em delfos)

Conhece a terra, o ar, as pedras e os ventos,
as águas, as cinzas, o fogo e as marés vivas,
de tudo guarda quanto puderes no coração.
Caminha pobre, mesmo que em teus ombros pese o ouro.

Nada lembres que te impeça de olhar,
nada olhes que te impeça de ver,
nada vejas que te impeça de sonhar,

nem nada sonhes que te acorde sem remédio.»

[http://www.agendalx.pt/literatura/ciencia-das-sombras#.Wp6qzoJpHol]

Little Fires Everywhere, de Celeste Ng, em série televisiva




Little Fires Everywhere, de Celeste Ng, vencedor do prémio Goodreads na categoria de ficção em 2017, será editado pela Relógio D’Água em tradução de Inês Dias.
Reese Witherspoon e Kerry Washington juntaram-se no projecto de adaptação do livro a série televisiva, em que acumularão as funções de actrizes e de produtoras executivas. A obra será adaptada por Liz Tagelaar.

O livro acompanha a mudança de uma mãe solteira e a sua filha para uma comunidade suburbana do Ohio, onde a custódia de um bebé sino-americano divide opiniões.