12.2.18

Sobre Joseph Conrad




«Quando um seus primeiros biógrafos encontrou um capitão que se lembrava de Conrad, numa viagem pelo Oriente em 1887 e 1888, o capitão recordou que “quando descia à cabine para falar com o seu imediato, habitualmente encontrava-o a escrever”.» [Colm Tóibín, em crítica a The Dawn Watch: Joseph Conrad in a Global World, The New York Review of Books, 22/2/2018]

De Joseph Conrad a Relógio D’Água editou «O Agente Secreto», «O Companheiro Secreto», «O Naufrágio do Titanic», «Coração das Trevas, Linha de Sombra e Outras Histórias» e «Lorde Jim».

9.2.18

Nas livrarias: Um Apartamento em Atenas, de Glenway Wescott





Tal como em O Falcão Peregrino (também publicado pela Relógio D’Água e que Susan Sontag descreveu, na The New Yorker, como «um dos tesouros do século XX»), Um Apartamento em Atenas desenvolve-se em torno de três personagens.
Nesta história sobre um casal grego que vive em Atenas ocupada por nazis e obrigado a partilhar a sua casa com um oficial alemão, Wescott encena um perturbador drama de adaptação e rejeição, resistência e compulsão.
Um Apartamento em Atenas retrata os efeitos de uma guerra na vida quotidiana. Trata-se de uma invulgar história de luta espiritual, em que o triunfo e a derrota dificilmente se distinguem.


«Um bom estudo sobre a humilhação e a dignidade, e o seu desenlace em tragédia e numa solução desesperada(…). O carácter moderado, a ausência de exageros e a serenidade são admiráveis como o ideal grego que reflectem e honram. Nesta obra reside a dignidade de um estilo no qual nada é excessivo nem insuficiente.» [Eudora Welty]

8.2.18

Nas livrarias: A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov




O primeiro romance escrito em inglês por Nabokov — A Verdadeira Vida de Sebastian Knight — foi publicado em Paris, em 1938.
Esta é a história de Sebastian Knight, um escritor famoso cuja vida e morte estão envoltas em mistério.
Depois da morte de Knight, o seu meio-irmão decide investigar-lhe a vida, enfrentando o falso, distorcido e irrelevante. A busca revela-se tão intrigante como qualquer um dos livros do escritor — desconcertante e, afinal, recompensadora. 
A narrativa fala-nos da inserção de um artista numa sociedade hostil ao espírito criativo. Mas A Verdadeira Vida de Sebastian Knight debruça-se também sobre o problema essencial da ambígua identidade humana: quem era afinal Sebastian Knight?

De Vladimir Nabokov a Relógio D’Água publicou também Aulas de Literatura, Ada ou Ardor, Lolita, Convite para Uma Decapitação, Pnin, Riso na Escuridão, Fala, Memória, Fogo Pálido, Rei, Dama, Valete, Opiniões Fortes, Desespero, e O Dom.

Edna O’Brien recebe PEN/Nabokov Award for Achievement in International Literature 2018






Edna O’Brien foi premiada com o Prémio PEN/Nabokov, atribuído anualmente a um autor cuja obra, escrita ou traduzida para inglês, demonstra sólida originalidade e elevada habilidade.
O júri, constituído por Michael Ondaatje e Diana Abu-Jaber, reconhece assim a carreira literária da escritora irlandesa, que receberá o prémio no dia 20 de Fevereiro, numa cerimónia em Nova Iorque.
De Edna O’Brien a Relógio D’Água publicou Raparigas da Província (trad. Margarida Periquito) e Byron e o Amor (trad. Miguel Serras Pereira).

7.2.18

Nas livrarias: A Ilha de Arturo, de Elsa Morante




A Ilha de Arturo é, conjuntamente com La storia, um dos mais importantes romances de Elsa Morante.
Na ilha mediterrânica da Prócida, assistimos à formação de Arturo, que sente uma apaixonada admiração por um pai sempre ocupado em misteriosas viagens. Já adolescente, é atraído pela sua jovem madrasta, Nunziatella. A passagem de um tempo de sonhos e ilusões para a realidade será um caminho lento e difícil para Arturo.
Elsa Morante foi uma mulher que nunca aceitou ter nascido num mundo onde o amor é efémero e a indiferença ou o ódio habituais. «No amor começa por haver o paraíso, mas depois, não se sabe como, precipitamo-nos no inferno», disse numa entrevista que concedeu antes da sua morte em1985.
A miúda selvagem nascida num bairro pobre de Roma, a viajante, a enamorada, a angustiada companheira de Moravia, que sonhava com o sol das ilhas napolitanas e as cores da agreste Prócida («Arturo sou eu», disse ela um dia), percorreu vários continentes, passou em Portugal e viveu as duas últimas guerras mundiais, partilhando a maior parte dos sofrimentos e esperanças do século XX.
As suas personagens recorrentes são crianças, animais e adolescentes cegamente apaixonadas pelo pai, a mãe ou o amor.

6.2.18

Sobre Contos Escolhidos, de Carson McCullers




Reúnem-se aqui doze contos de Carson McCullers numa selecção feita por Ana Teresa Pereira.
Embora seja conhecida pelos seus romances, Carson McCullers foi uma notável contista, inserindo-se na tradição sulista da literatura norte-americana.
Carson McCullers dedicou-se aos contos desde os 17 anos, momento em que escreveu «Sucker», tendo muitos deles começando por aparecer em revistas literárias.
As suas capacidades de observação e o seu estilo revelam uma assumida filiação em autores tão diversos como Flaubert e Dostoievski. Julie Harris considerou-a mesmo «uma mulher encantadora e misteriosa que escrevia como um anjo».
Carson McCullers foi reconhecida pelos grandes escritores da sua época. Graham Greene declarou preferi-la a Faulkner, e Tennessee Williams disse que a sua obra «não se eclipsará com o tempo, mas irradiará cada vez mais fulgor».


De Carson McCullers a Relógio D’Água publicou também “O Coração É Um Caçador Solitário”, “A Balada do Café Triste”, “Relógio sem Ponteiros”, “Reflexos nuns Olhos de Ouro” e “Frankie e o Casamento”.

5.2.18

Sobre Arder a Palavra e Outros Incêndios, de Ana Luísa Amaral




No suplemento E, do Expresso de 3 de Fevereiro de 2018, destaca-se a edição de Arder a Palavra e Outros Incêndios, de Ana Luísa Amaral:


«Além de excelente poeta e tradutora, Ana Luísa Amaral é também professora universitária e uma importante ensaísta, com vasto trabalho no domínio dos estudos feministas e da teoria queer. Neste volume, organizado em “três tempos”, reúne alguma dessa produção, a que junta textos de análise literária sobre Emily Dickinson (autora a que tem dedicado uma atenção extensiva), Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e T. S. Eliot, entre outros.»