9.1.18

Ana Margarida de Carvalho na Biblioteca de São Domingos de Rana





Ana Margarida de Carvalho é a convidada da terceira sessão do 2.º Ciclo de Encontros com Escritores «O Escritor no Seu Labirinto» organizado pela Biblioteca de São Domingos de Rana.
A escritora falará dos seus livros e do trabalho da escrita: as temáticas e as obsessões, as influências literárias e os rituais de escrita, os enredos e as personagens, as fontes de inspiração e a função da literatura.

O encontro realiza-se no próximo sábado, 13 de Janeiro, às 16:00, na Biblioteca de São Domingos de Rana.

Sobre A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne




«Vamos apostar que Phileas Fogg, um gentleman (very very british), vai conseguir dar a volta ao mundo em apenas 80 dias? Numa verdadeira luta contra o tempo vive inúmeras peripécias, atravessa vários países e continentes, usa como meio de transporte o barco, o comboio, e conhece povos muito diferentes. E conta com o fiel criado francês, o famoso Passepartout, para o ajudar (ou atrapalhar?).» [Agenda Cultural de Lisboa]

8.1.18

Sobre Lincoln no Bardo, de George Saunders





«Celebrado como contista, George Saunders estreou-se no romance com Lincoln no Bardo. Em registo tardo-modernista, o livro ficciona a depressão sofrida por Abraham Lincoln após a morte do terceiro filho. A sintaxe desconcerta, a filiação à literatura do absurdo obscurece por vezes a narrativa, mas o leitor deixa-se levar pelos fantasmas que assombram a obra.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito dos melhores livros estrangeiros de 2017, 28/12/2017]

Sobre George Steiner em The New Yorker




«Seguir o raciocínio de George Steiner, o último renascentista vivo, releva do puro prazer. A selecção de 28 ensaios publicados na revista New Yorker, entre 1967 e 97, corroboram o papel central do autor no pensamento crítico dos últimos 60 anos. Soljenítsin, Orwell, Céline, Borges, Chomsky, Brecht, o caso Anthony Blunt visto sob nova luz, etc., são dissecados com a ‘força bruta de inteligência’ com que Steiner agarra o leitor da primeira à última página.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito dos melhores livros estrangeiros de 2017, 28/12/2017]

Em entrevista concedida a Ana Sousa Dias, no DN, o escritor espanhol Vila-Matas afirma-se impressionado com a obra de Gonçalo M. Tavares






«[Enrique Vila-Matas:] Leio muito autores obsessivos, são os que me interessam mais. Os mundos de Thomas Bernhard, de Kafka, de Lobo Antunes, de Tavares…

[Ana Sousa Dias:] Gonçalo M. Tavares?


[Enrique Vila-Matas:] Sim, leio-o muito, li-o deste o princípio. Tenho praticamente todos os livros, num corredor, e sempre que passo por lá vejo toda a obra dele. Impressiona-me muito. Há um caso parecido, o de César Aira, da Argentina Também tem muitos livros acumulados e muito interessante como autor. É a fórmula de Simenon.» [DN, 11/12/2017]

5.1.18

Eduardo Pitta escreve sobre Pequenos Delírios Domésticos






«Depois do universo distópico que caracteriza o seu segundo romance (obra que a levou a bisar o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores), a autora regressa ao real com este livro de contos que leva por título um verso “roubado” a Sérgio Godinho. À laia de prefácio, Chão zero dá testemunho da devastação que assolou o país durante os incêndios de Outubro: «A minha infância é um esgoto atravancado de detritos.» A casa dos bisavós perdida num mar de cinza. Com invulgar economia retórica, e muita eficácia, a frase-síntese diz tudo. Um poema da autora, Apfelstrudel, separa esse texto de abertura do resto do livro. Estamos agora no centro das periferias desapossadas: os prédios-gaiola com as suas «vidraças enjauladas» e toda a panóplia Kitsch que dá cor à miséria dos que têm abertura de telejornal garantida, esse microcosmo de onde por vezes saem voluntários para as madrassas do ódio. Manuel, ou Man-hu-el (o rapaz convertera-se), foi um deles. A Síria pareceu-lhe uma boa solução para virar costas à disfunção familiar. Era isso ou continuar «aos caídos, a arrumar carros, a assaltar velhotas pensionistas para pagar a próxima dose…» Mas na hora da verdade faleceu-lhe a certeza. E o Chico também não foi capaz. O desfecho é absolutamente português. Não deixa de ser uma ironia que o adjectivo «domésticos» surja no título de um livro cujos primeiros contos estão focados em problemas de natureza planetária, tais como a tragédia das migrações e seus efeitos colaterais. Homens e mulheres, aos milhares, que o Mediterrâneo vai engolindo, depois de terem fugido da guerra, da fome, da escravidão, de toda a sorte de abusos e violências. A ilusão da terra prometida foi-lhes fatal: «E alguns, fiados nesse doce rugir da indulgência, deixam-se ir…» O conflito entre Israel e a Palestina não é esquecido. Ana Margarida de Carvalho tem uma prosa limpa, fluente em vários registos, dotada de vocabulário anterior ao regime tuiteiro. Sirvam de exemplo contos como Uma Vida em Centrifugação ou, mais denso, Os Elefantes Têm Sismógrafos nos Pés.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica publicada na revista Sábado, 28/12/2017]

Sobre A Princesa de Clèves, de Madame de Lafayette




«A Princesa de Clèves é um clássico da literatura, agora publicado em nova tradução. Surgido em 1678, anonimamente, conta-nos a vida na corte francesa dos Valois — onde parecem apenas deambular “belas mulheres”, e homens “admiravelmente constituídos” — nos últimos anos do reinado de Henrique II. A sua autora, Madame de Lafayette (n. 1634), nascida numa família nobre, possuidora de uma sólida instrução, privou com inúmeras figuras da corte, e frequentou salões culturais, como era moda — tendo criado também o seu, em Paris, onde recebia figuras como La Fontaine ou La Rochefoucauld. Como romance histórico, mostra também o papel das mulheres na vida cultural do século XVII. (…)
Se antes da publicação de A Princesa de Clèves as personagens não agiam para se analisar — ou melhor, a acção como que parava enquanto as personagens se explicavam, ou então isso não servia para a fazer progredir — com Madame de Lafayette e este seu romance essa introspecção, essa análise de motivações da acção de agir, torna-se no próprio mecanismo de progressão da narrativa, e é para ele material preciso e necessário.» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 5/1/2018]