«A britânica (de origem nigeriana) Helen Oyeyemi escreve somo se estivesse a salvar a sua melancolia — e a reinventar a abordagem da ficção e da realidade sem saber em qual dos campos se manter. A história de Mary Foxe, a personagem, é uma interrogação permanente à improbabilidade do seu amor.» [Revista LER, Outono 2017]
12.12.17
Sobre Tempo de Escolha, de António Barreto
«Esquerda e direita continuam a existir, mas este é um tempo de escolhas mais profundas — e é possível aplaudir boas políticas de maus governos, bem como vituperar más políticas de bons governos. Nesta coleção de crónicas, Barreto mostra porque é uma das nossas vozes mais serenas e inteligentes.» [Revista LER, Outono 2017]
11.12.17
A chegar às livrarias: Uma Boa Morte, de Hans Küng (trad. de Miguel Serras Pereira)
Durante séculos, foi imposta aos crentes cristãos a proibição de terminar com a vida.
No entanto, Hans Küng defende que uma boa morte se fundamenta no respeito profundo pela vida de qualquer pessoa e nada tem que ver com o infeliz suicídio arbitrário.
Se temos responsabilidade sobre a nossa vida, porque haveria essa responsabilidade de terminar na sua última fase? É precisamente como cristão que Hans Küng apela ao direito de cada qual decidir responsavelmente sobre o momento e a forma da sua morte.
Neste breve ensaio, que procura contribuir para a mudança de atitude da Igreja, Hans Küng mantém a coerência e a autenticidade que revelou no seu conflito com a hierarquia católica romana. A sua defesa da eutanásia (cujo significado etimológico é “boa morte”) insere-se assim nas suas preocupações antropológicas e religiosas.
“Gostaria de morrer consciente e de me despedir digna e humanamente dos seres que me são queridos”, escreve Hans Küng.
Leituras de Natal recomendadas pelo Expresso
«Um dos grandes acontecimentos editoriais do ano foi o anúncio de que a Relógio D’Água reeditará a obra completa de Agustina Bessa-Luís, incluindo títulos há muito esgotados. Numa primeira leva, temos a oportunidade de (re)descobrir livros essenciais como “A Sibila”, “Fanny Owen” e “Vale Abraão” — com prefácios de Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia e António Lobo Antunes, respetivamente. De particular interesse é a publicação do romance “Deuses de Barro”, escrito aos 19 anos e até hoje inédito. Mónica Baldaque sublinha que esta ficção, apesar da sua condição de “esboço” dos “mundos fechados” sobre os quais escreveria depois, “representa já um grito e liberdade, ousadia, revolta e desafio”.» [José Mário Silva, Expresso, E, 2/12/17]
7.12.17
Sobre Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho
A propósito do seu livro de contos Pequenos Delírios Domésticos, saído na Relógio D’Água, Ana Margarida de Carvalho diz:
«De uma forma ou de outra, todos [os contos] se passam em contexto doméstico, digamos assim. Em todos eles há sempre uma casa, ou a memória de uma casa, ou o desejo de uma casa, ou a saudade dela… Casa mais no sentido de chão e menos no sentido de teto. Geralmente são casas tortuosas, labirínticas, sem nexo arquitetónico, pouco óbvias, até nada acolhedoras, onde nos podemos perder. Não só na geografia, mas também nas memórias, nos vislumbres ou no reflexo de um espelho. E podem, sim, não ser acolhedoras» nem benignas, mas todas as personagens sentem um inabalável desejo de voltar… Nem que demorem dez anos e só tenham um velho cão cego à sua espera…» [JL, 6/12/2017]
A chegar às livrarias: Mulheres Excelentes, de Barbara Pym (trad. de Vasco Gato)
Mulheres Excelentes é uma das melhores e mais divertidas comédias de Barbara Pym.
Mildred Lathbury, filha de um sacerdote, é uma solteira que vive em Inglaterra durante os anos 50. Ela é uma das «mulheres excelentes»: mulheres inteligentes, compreensivas e trabalhadoras que os homens tomam como garantidas.
À medida que Mildred se envolve na agitada vida dos novos vizinhos — a antropóloga Helena Napier, Rocky, o seu elegante marido, e Julian Malory, o vigário que mora ali perto —, revela-se o modo como as personagens interagem num mundo de costumes perdidos e desejos contidos.
«O melhor livro de introdução a Barbara Pym.» [The New York Times]
«Uma lembrança surpreendente de que a solidão pode ser uma opção (…).» [John Updike]
A chegar às livrarias: Chuang Tse (tradução e comentários de António Miguel de Campos)
O Chuang Tse é uma colectânea de textos enigmáticos, divertidos, irónicos e perspicazes que a tradição atribui ou de algum modo associa ao escritor e filósofo Chuang Chou, que viveu no final do século IV a.C., e que fascinam quem quer saber mais sobre o Tao do que o que nos diz o Tao Te King. Em conjunto com ele, forma a base textual e filosófica da escola de pensamento taoista. Pouco conhecido no Ocidente, é uma das mais importantes obras literárias de toda a história chinesa e exerceu uma enorme influência na cultura de toda a Ásia Oriental. A maioria dos estudiosos considera-a superior, em quase todos os aspectos, ao muito mais conhecido Tao Te King. A filosofia nele exposta, que incita cada pessoa a encontrar por si própria a felicidade interior, facilitou a assimilação do pensamento budista na China e a sua evolução para o budismo Zen.
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