«As irmãs Teixeiras, Assunta e Matilde, sobretudo, mesmo a resvalar, caminham direitas, sem a melancolia indolente da aristocracia falida, com a diligente prudência dos desiludidos. Aquele contínuo movimento esconde, para quem está de fora, o declínio, substituindo-o por uma aparência de estabilidade em que a decadência se torna imperceptível, a ponto de não parecer decadência, mas apenas o tempo a passar. São profetas da normalidade, gestoras da desilusão, do fracasso e da ruína. Contra a vida como “cerimonial da loucura”, que também as condiciona, proclamam o triunfo da normalidade: “Normais somos nós. Tudo nos vence e nada nos ilude.” Vence quem admite a inevitável derrota e, mesmo assim, opta pela recusa estóica da ilusão e das suas armadilhas. A decadência, que enfrentam com dignidade, refractárias à ilusão, ao ruído das revoluções exteriores, assenta-lhes bem.» [Do Prefácio]
29.11.17
28.11.17
Sobre A Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein
«De 1907 a 1932 (quando este livro foi escrito), Gertrude Stein e Alice B. Toklas partilharam a crónica dos seus anos parisienses — uma espécie de salão de festas onde literatos e artistas iam e vinham (e deixavam uma marca). Toklas e Stein fazem parte dessa geografia e desse “temperamento”.» [Revista LER, Outono 2017]
27.11.17
Sobre Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho
Carlos Vaz Marques falou sobre Pequenos Delírios Domésticos, o livro de contos de Ana Margarida de Carvalho, no Livro do Dia de 21 de Novembro. O programa pode ser ouvido aqui.
Sobre Lorde Jim, de Joseph Conrad
«Lorde Jim é um romance sobre a redenção e o resgate da dignidade de um homem — e também sobre a errância e a aventura das almas perdidas e condenadas a sofrer pelos erros que cometeram. A redenção é uma vitória surpreendente sobre a morte e Conrad é um autor que sabe lidar com o assunto.» [Revista LER, Outono 2017]
24.11.17
A chegar às livrarias: O Conde de Monte Cristo I e II, de Alexandre Dumas — obra completa em dois volumes (trad. de Alexandra Ribeiro e Rute Mota)
Para Umberto Eco, e muitos outros leitores e críticos, O Conde de Monte Cristo «é um dos mais apaixonantes romances alguma vez escritos».
O livro é a história de Edmond Dantès, jovem capitão da marinha mercante, que uma infame conjura lança nas masmorras do Castelo de If e a quem a descoberta de um tesouro permitirá alcançar a riqueza e fazer justiça.
É uma narrativa sobre o poder e o dinheiro que nos leva de Marselha à ilha de Monte Cristo, depois a Roma e a Paris, nos anos 1830, onde reinam os banqueiros e homens de negócios.
É também a história de uma vingança implacável, nascida das ruínas de um amor destruído, a vida de uma personagem generosa e irresistível, que conquista a atenção do público há mais de século e meio.
A chegar às livrarias: Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa, de Alexandre Andrade
«— Consegues sequer fazer a mais débil ideia da intensidade da dor, do latejar brusco que te percorre o corpo da superfície para o interior, que te sacode, te invade, te violenta, te asfixia? Quando ouves falar em justas, alguma vez as associas ao sangue que jorra, que empapa, que se acumula nas concavidades da armadura, escorre pelos orifícios?
— Não quis subtrair valor a nada disso. Seja: feitos extraordinários e valorosos podem coexistir com o século XXI, com mobiliário urbano, com intervenções camarárias e com carreiras de autocarro. E avante com o conto.»
De Alexandre Andrade a Relógio D’Água publicou também Benoni, O Leão de Belfort e Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso.
23.11.17
Sobre Desespero, de Vladimir Nabokov
«Ainda da “fase russa” de Vladimir Nabokov, Desespero (que o autor pôde rever em 1965) é uma história pura, nada social ou política, sem “os grandes desígnios da literatura” — por isso é tão bom. Trata-se da história de um crime e da falsificação de uma identidade. Nabokov puro e terrível.» [LER, Outono 2017]
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