31.10.17

A chegar às livrarias: Ou—Ou. Um Fragmento de Vida (Segunda Parte), de Søren Kierkegaard (trad. de Elisabete M. de Sousa)





«Ou—Ou. Um Fragmento de Vida é uma obra ímpar dentro da literatura e da filosofia ocidentais, a todos os níveis e vista de todos os ângulos; não fosse a circunstância de, na Europa de então, como na actual, a língua dinamarquesa ficar submersa por outros idiomas dominantes, e certamente que teria sido reconhecida universalmente como um clássico da literatura e da filosofia na geração seguinte ao seu aparecimento. A consciência plena por parte do seu autor de que assim é constitui, aliás, um dos seus intuitos, se não confessos, pelo menos explicados e demonstrados ao longo da obra.Vista no conjunto da produção de Kierkegaard, Ou—Ou. Um Fragmento de Vida introduz a esmagadora maioria dos conceitos e categorias que o filósofo desenvolverá posteriormente e, para citar apenas alguns, encontramos aqui o estético e o ético, o ético e o religioso, o desespero e a esperança, o amor em todas as suas fases e modalidades, os diferentes tipos e usos do pensamento, a possibilidade e a realidade, a escolha, a liberdade, a recordação e o esquecimento, e o instante.»[Da Introdução de Elisabete M. de Sousa à Primeira Parte]

De Soren Kierkegaard, a Relógio D’Água publicou também Ou—Ou, Um Fragmento de Vida, Primeira Parte, Temor e Tremor (trad. de Elisabete de Sousa), A Repetição e Migalhas Filosóficas (trad. de José Miranda Justo). Em breve chegará também às livrarias a edição de Prefácios.

Sobre Lincoln no Bardo, de George Saunders




«Em 2012, decide avançar para o primeiro romance. Lincoln no Bardo (Relógio D’Água, 2017) resulta desse episódio no cemitério de Georgetown, das leituras que faz durante a investigação, e de quatro anos de um trabalho de criação que valoriza a intuição e despreza o planeamento. Como um optometrista que acerta as lentes de um paciente, Saunders escreve, rescreve e pergunta: “É melhor assim ou assim?” O romance, ao contrário do que acreditara, durante anos, pode afinal reger-se pelos mesmos princípios e regras que usou nos contos. Não há novas ferramentas. Há apenas um quadro mais vasto dentro do qual a história pode acontecer.
Mal o livro sai, é logo aclamado pela crítica. Top de vendas. Vencedor da edição deste ano do Man Booker Prize. Uma obra que começa por nos desafiar a entrar naquela que foi a pior noite na vida de Lincoln, ainda que o repto lançado ao leitor não se limite a pedir-lhe que lide com esse pai tolhido pela dor.
Estudante de Nyingma Buddhism, Saunders cria em Lincoln no Bardo uma narrativa que se passa numa espécie de purgatório. O tal “bardo” do título mais não é do que o lugar de transição entre a morte e a reencarnação, de acordo com o budismo tibetano. No processo, e seguindo o caminho da intuição e do improviso, Saunders vai intercalando capítulos onde só constam frases, citações, que foram retiradas de fontes históricas com diálogos ou monólogos que o próprio escreve a partir dos fantasmas falantes que cria na sua mente. (…)

O júri do Man Booker Prize considera Lincoln no Bardo um romance com uma forma e estilo completamente originais. Mas isso, por certo, não seria suficiente para ganhar o prémio. Há sempre uma dimensão humana a que não se deve escapar, e essa, em Lincoln no Bardo, salienta o júri, está no facto de o romance explorar a experiência da empatia. Haverá pior sofrimento no mundo do que o de um pai ou de uma mãe que perde um filho?» [Cristina Margato, E, Expresso, 28/10/17]

30.10.17

Sobre Frankenstein, de Mary Shelley





«Frankenstein não é, contudo, o romance de uma simples literata, sem qualquer ligação com a substância da vida. A sua existência aventurosa, turbulenta, plena de incidentes tumultuosos, foi o magma onde pôde pousar a carga saturada da sua informação cultural. As pulsões que animam o mais famoso dos livros de Mary Shelley pressupõem um conhecimento profundo da humanidade que só uma vivência plena possibilitaria. E uma capacidade de apelar ao que há de mais fundo nos abismos humanos — que a exclusiva erudição não confeririam. E não conferiram, já que a autora pôs na sua obra o que pôde experienciar e absorver ao longo de um percurso de vida intensamente vivido.» [Hugo Pinto Santos, Caliban, 20/10/17]

27.10.17

Apresentação de Preparação para a Noite, de Jaime Rocha, na Biblioteca da Nazaré





A 28 de Outubro (sábado), a partir das 17:30, “Preparação para a Noite”, de Jaime Rocha, será apresentado através da leitura de alguns poemas por alguns sócios e amigos da Biblioteca da Nazaré.

A chegar às livrarias: Restos Mortais, de Donna Leon (trad. de Helena Briga Nogueira)





Durante o interrogatório a um homem suspeito de fornecer drogas a uma menor que acabou por morrer, o comissário Guido Brunetti age de forma precipitada, acabando por fazer algo de que se irá arrepender. Começa então a ter dúvidas sobre a sua carreira e apercebe-se de que precisa de fazer uma pausa.
Depois de lhe serem recomendadas umas semanas de baixa médica, Brunetti é enviado pela esposa, Paola, para uma casa de campo de uma familiar abastada em Sant’Erasmo, uma das maiores ilhas da laguna de Veneza, local onde tenciona passar os dias a remar e a ler.
A estada acaba por surtir efeito, e Brunetti consegue finalmente descontrair. Isto até ao momento em que Davide Casati, o caseiro, desaparece após uma violenta tempestade.

«Donna Leon é uma grande romancista. E  será sempre lembrada como tal.» [Times Literary Supplement]

«Quando escreve sobre a sua Veneza, Donna Leon nunca se engana. Este é um dos seus melhores livros, que prova que, mais uma vez, merece a gratidão dos seus devotos leitores.» [New York Times Book Review]

«Sinto-me tão envolvida com estas personagens, que sinto que poderia ler os 25 livros desta série [Comissário Guido Brunetti] este verão… Cada um é melhor do que o anterior.» [Louise Erdrich]


De Donna Leon a Relógio D’Água editou Cair de Amores e As Águas da Eterna Juventude. 

25.10.17

Nas livrarias: O Rio da Consciência, de Oliver Sacks (trad. de José Miguel Silva)





Os avanços no campo das neurociências revolucionaram a nossa capacidade de visualizar o cérebro em ação. Somos, pela primeira vez, capazes de confrontar as questões filosóficas que ocuparam os grandes pensadores desde o século XVIII com as bases fisiológicas da perceção e da consciência.
Em O Rio da Consciência, Sacks examina questões relacionadas com memória, tempo e consciência. Como pensamos e como nos lembramos? Pessoas diferentes pensam a velocidades e de modos diferentes? Devemos confiar na memória? De que forma a memória resultante das relações neurais diferencia as memórias verdadeiras das falsas? Como construímos a nossa perceção do tempo e o nosso mundo visual? O que é a consciência em termos neurológicos? E, mais importante ainda, o que é a criatividade?
Sacks terminou a investigação para este livro pouco antes de morrer, deixando instruções para a reunião dos artigos. Pode por isso dizer-se que este livro é o culminar de uma vida dedicada à pesquisa do modo como o cérebro funciona.

De Oliver Sacks, a Relógio D’Água publicou O Homem Que Confundiu a Mulher com Um Chapéu, Despertares, Um Antropólogo em Marte, Perna para Que Te Quero, A Ilha sem Cor, O Tio Tungsténio, Musicofilia, Vejo Uma Voz, O Olhar da Mente, Diário de Oaxaca, Alucinações, Enxaqueca, Em Movimento e Gratidão.

Sobre No Inverno, de Karl Ove Knausgård




«Em textos que são um híbrido entre descrição informativa e profundas reflexões filosóficas motivadas pela coisa que dá título ao texto, o mais interessante é a forma como o autor, com grande mestria, é capaz de, partindo de um ponto, chegar, no final do texto de duas ou três páginas, a algo que, inicialmente, nos poderia parecer completamente distante ou não relacionado.» [Miguel Fernandes Duarte, Comunidade Cultura e Arte, 6/9/2017]