«Este Ofício de Poeta é uma introdução à literatura, ao gosto e ao próprio Borges. No contexto das suas obras completas, só tem comparação com Borges, oral (1979), que contém as cinco palestras — de âmbito um tanto mais estreito do que estas — que ele proferiu em maio-junho de 1978 na Universidade de Belgrano, em Buenos Aires. Estas Palestras Norton, anteriores em uma década a Borges, oral, são um tesouro de riquezas literárias que nos chegam sob formas ensaísticas, despretensiosas, muitas vezes irónicas, sempre estimulantes.» [Do Posfácio]
29.9.17
A chegar às livrarias: Jack e Alice e Amor e Amizade, de Jane Austen (trad. de Frederico Pedreira e Inês Dias)
Jack e Alice (1787) e Amor e Amizade (1790) são novelas que permitem conhecer o início de Jane Austen como escritora.
Nestes escritos adolescentes, podemos ver o seu sentido de humor, a atenção ao que de ridículo existe nas relações sociais e o distanciamento da ficção sentimental. Observamos ainda o modo como Jane Austen procurava as palavras mais certeiras, as mudanças de atitude em relação às personagens e ao estilo, o pendor para os jogos de palavras e a subtileza da imaginação.
G. K. Chesterton considerou a jovem Austen “naturalmente exuberante” e colocou-a na tradição de Rabelais e Dickens. Virginia Woolf sublinhou igualmente o humor dos seus primeiros escritos, “talentosos, acessíveis, repletos de humor, que se conjuga com a inteira liberdade para o nonsense”.
Desde os onze anos, Jane Austen construiu-se deliberadamente como autora. Passou a limpo vinte e sete histórias precoces em três cadernos, incluindo uma história paródica de Inglaterra, que escreveu com apenas quinze anos.
O fim dos seus escritos juvenis é habitualmente identificado com Lady Susan (1793-94), um romance epistolar como Amor e Amizade e igualmente pensado como divertimento para a sua família. Mas Jack e Alice e Amor e Amizade não são exemplos de aprendizagem, mas obras que possuem valor próprio.
A chegar às livrarias: Uma História de Xadrez, de Stefan Zweig (trad. de Ana Falcão Bastos)
Uma História de Xadrez foi concluída por Stefan Zweig quando estava exilado no Brasil e enviada ao seu editor americano apenas alguns dias antes do seu suicídio em 1942. É a única obra em que Zweig aborda a questão do nazismo.
O narrador viaja de navio de Nova Iorque para Buenos Aires e toma conhecimento de que a bordo segue também o arrogante campeão mundial de xadrez Mirko Czentovic.
Ele e um seu companheiro ocasional atraem-no para um jogo. Mas a derrota chega rapidamente ao vigésimo quarto lance.
Mas quando, pedindo a desforra, iam ser novamente vencidos, um homem aproxima-se, aconselhando-lhes jogadas que mudam a sorte do jogo.
E rapidamente a história adquire a força dramática do suspense e da reflexão.
27.9.17
A chegar às livrarias: Dizer Não não Basta, de Naomi Klein (trad. de José Miguel Silva)
Neste livro, Naomi Klein expõe as forças que explicam o sucesso de Donald Trump, mostrando que não se trata de uma aberração mas sim de um produto dos nossos tempos — imagens de marca de reality shows, obsessão pelas celebridades e por CEO, Vegas e Guantánamo e banqueiros gananciosos— tudo em um.
A autora expõe também a sua opinião sobre como podemos quebrar estas políticas de choque, contrariar o caos e a divisão que hoje imperam, e alcançar o mundo de que precisamos.
Dizer Não não Basta é um dos dez livros da longlist do National Book Award de Não Ficção.
«Naomi Klein escreveu um guia de esperança para a pessoa comum. Leiam este livro.» [Arundhati Roy]
«Urgente, oportuno e necessário.» [Noam Chomsky]
«(…) Este livro é um manual para nos emanciparmos através da única arma de que dispomos contra a misantropia organizada: a desobediência construtiva.» [Yanis Varoufakis]
«Naomi Klein é magnífica, e neste livro formulou uma solução contra o pesadelo hegemónico que, caso não seja tratado, nos irá destruir a todos.» [Junot Díaz]
26.9.17
Em breve nas livrarias: A Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein (trad. Margarida Periquito)
Gertrude Stein era uma jovem escritora de 28 anos quando, em 1903, regressou a Paris e aí passou a residir com o seu irmão Leo.
Em 1907, chegou à capital francesa Alice B. Toklas, igualmente originária de uma abastada família californiana.
Conheceram-se e Alice Toklas tornou-se assistente de Gertrude e depois sua companheira.
A sua vida parisiense passava-se na Rue de Fleurus, onde sábado à tarde recebiam escritores e pintores no salão da casa de Gertrude.
Picasso era visita frequente, com a sua «relinchante risada espanhola», assim como Cézanne, Matisse, Juan Gris, Scott Fitzgerald, Apollinaire, Cocteau, Pound e Hemingway.
Como diz Alice Toklas, «os génios vinham para conversar com Gertrude Stein» e «as mulheres faziam sala comigo».
Este livro é de facto a autobiografia de Gertrude Stein, escrito do aparente ponto de vista de Alice Toklas, e está repleto de histórias sobre os escritores e pintores que conheceu nessa época, uma crónica dos agitados anos artísticos e literários parisienses do começo do século xx. O estilo é audacioso, cúmplice e sarcástico. Foi escrito em apenas seis semanas em 1932.
«Agarra o leitor com a sua informalidade, ritmo compassado, humor inesperado e sagacidade.» [The Sunday Times]
PVP: € 16,00
De Gertrude Stein a Relógio D'Água publicou também Paris França.
25.9.17
A chegar às livrarias: Vale Abraão, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de António Lobo Antunes)
«As suas personagens não eram bonecos vestidos de ideias que em lugar de pensarem os sentimentos eram pensadas por eles, usava nexos afectivos, não racionais, as suas obras não obedeciam a uma ordenação lógico-discursiva, obedeciam a uma tumultuosa ordenação do caos, a inteligência não era apanágio do autor, era uma característica da escrita, no sentido em que as palavras solucionavam a tessitura de acordo com uma implacável lógica interna, não nos conduzia a parte nenhuma, mergulhava-nos em nós mesmos dando-nos a conhecer o nosso caos interior, descodificando-o e mostrando-nos a sua complexa simplicidade
(parece um paradoxo mas não é)
e construiu uma obra única de catalogação do mundo, uma aprendizagem das luzes e das trevas da qual saímos como quem desperta de um sonho, devorados pela prosa, reduzidos às cinzas de um fogo que nos devolve inteiros a nós mesmos. Aprende-se com ela como as trevas são claras e como tudo é excepcional.» [Do Prefácio]
21.9.17
Obra de Agustina Bessa-Luís na Cinemateca
A Cinemateca Portuguesa dedica a rubrica História Permanente do Cinema Português à relação da escritora Agustina Bessa-Luís com o cinema.
Com a exibição de dois filmes que adaptam a obra da escritora – Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho —, no dia seguinte ao do seu aniversário, 16 de Outubro, a Cinemateca associa-se à editora Relógio D’Água e às iniciativas promovidas em torno da comemoração dos 95 anos de Agustina, a propósito do relançamento de toda a obra da autora. Iniciativas que incluem ainda a preparação de uma biografia da escritora, leituras e debates na Livraria Lello, uma exposição de fotografias sobre o seu Douro e a reposição em Novembro pelo Teatro Aberto da peça Três Mulheres com Máscara de Ferro.
[Na imagem, cena de Francisca, a partir do romance Fanny Owen]
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