27.9.17

A chegar às livrarias: Dizer Não não Basta, de Naomi Klein (trad. de José Miguel Silva)





Neste livro, Naomi Klein expõe as forças que explicam o sucesso de Donald Trump, mostrando que não se trata de uma aberração mas sim de um produto dos nossos tempos — imagens de marca de reality shows, obsessão pelas celebridades e por CEO, Vegas e Guantánamo e banqueiros gananciosos— tudo em um.
A autora expõe também a sua opinião sobre como podemos quebrar estas políticas de choque, contrariar o caos e a divisão que hoje imperam, e alcançar o mundo de que precisamos.
Dizer Não não Basta é um dos dez livros da longlist do National Book Award de Não Ficção.

«Naomi Klein escreveu um guia de esperança para a pessoa comum. Leiam este livro.» [Arundhati Roy]

«Urgente, oportuno e necessário.» [Noam Chomsky]

«(…) Este livro é um manual para nos emanciparmos através da única arma de que dispomos contra a misantropia organizada: a desobediência construtiva.» [Yanis Varoufakis]


«Naomi Klein é magnífica, e neste livro formulou uma solução contra o pesadelo hegemónico que, caso não seja tratado, nos irá destruir a todos.» [Junot Díaz]

26.9.17

Em breve nas livrarias: A Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein (trad. Margarida Periquito)





Gertrude Stein era uma jovem escritora de 28 anos quando, em 1903, regressou a Paris e aí passou a residir com o seu irmão Leo.
Em 1907, chegou à capital francesa Alice B. Toklas, igualmente originária de uma abastada família californiana. 
Conheceram-se e Alice Toklas tornou-se assistente de Gertrude e depois sua companheira.
A sua vida parisiense passava-se na Rue de Fleurus, onde sábado à tarde recebiam escritores e pintores no salão da casa de Gertrude.
Picasso era visita frequente, com a sua «relinchante risada espanhola», assim como Cézanne, Matisse, Juan Gris, Scott Fitzgerald, Apollinaire, Cocteau, Pound e Hemingway.
Como diz Alice Toklas, «os génios vinham para conversar com Gertrude Stein» e «as mulheres faziam sala comigo».
Este livro é de facto a autobiografia de Gertrude Stein, escrito do aparente ponto de vista de Alice Toklas, e está repleto de histórias sobre os escritores e pintores que conheceu nessa época, uma crónica dos agitados anos artísticos e literários parisienses do começo do século xx. O estilo é audacioso, cúmplice e sarcástico. Foi escrito em apenas seis semanas em 1932.

«Agarra o leitor com a sua informalidade, ritmo compassado, humor inesperado e sagacidade.» [The Sunday Times]


PVP: € 16,00

De Gertrude Stein a Relógio D'Água publicou também Paris França.

25.9.17

A chegar às livrarias: Vale Abraão, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de António Lobo Antunes)





«As suas personagens não eram bonecos vestidos de ideias que em lugar de pensarem os sentimentos eram pensadas por eles, usava nexos afectivos, não racionais, as suas obras não obedeciam a uma ordenação lógico-discursiva, obedeciam a uma tumultuosa ordenação do caos, a inteligência não era apanágio do autor, era uma característica da escrita, no sentido em que as palavras solucionavam a tessitura de acordo com uma implacável lógica interna, não nos conduzia a parte nenhuma, mergulhava-nos em nós mesmos dando-nos a conhecer o nosso caos interior, descodificando-o e mostrando-nos a sua complexa simplicidade
(parece um paradoxo mas não é)

e construiu uma obra única de catalogação do mundo, uma aprendizagem das luzes e das trevas da qual saímos como quem desperta de um sonho, devorados pela prosa, reduzidos às cinzas de um fogo que nos devolve inteiros a nós mesmos. Aprende-se com ela como as trevas são claras e como tudo é excepcional.» [Do Prefácio]

21.9.17

Obra de Agustina Bessa-Luís na Cinemateca





A Cinemateca Portuguesa dedica a rubrica História Permanente do Cinema Português à relação da escritora Agustina Bessa-Luís com o cinema.
Com a exibição de dois filmes que adaptam a obra da escritora – Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho —, no dia seguinte ao do seu aniversário, 16 de Outubro, a Cinemateca associa-se à editora Relógio D’Água e às iniciativas promovidas em torno da comemoração dos 95 anos de Agustina, a propósito do relançamento de toda a obra da autora. Iniciativas que incluem ainda a preparação de uma biografia da escritora, leituras e debates na Livraria Lello, uma exposição de fotografias sobre o seu Douro e a reposição em Novembro pelo Teatro Aberto da peça Três Mulheres com Máscara de Ferro.

[Na imagem, cena de Francisca, a partir do romance Fanny Owen]

Sobre O Duplo, de Fiódor Dostoievski




«Se é verdade óbvia que Dostoievski viria a refinar processos, eliminar rudezas e colmatar lacunas composicionais, certo é que mesmo um livro de juventude como O Duplo antecipa muitos dos abismos humanos, dos remoinhos da psique que hão-de assombrar as mais consumadas realizações do escritor.
(…)
Os perseguidos e torturados, esses seres convulsos das obras tardias, têm um antepassado distante em Goliádkin. Acossado por uma duplicação de si, demasiado real para ser alucinatória, demasiado inverosímil para ser fruto do acaso, o conselheiro titular já alimenta no seu íntimo a convulsão das vidas descritas pelas obras-primas da fase final da obra do autor.» [Hugo Pinto Santos, revista Caliban, 2/9/17, texto completo em https://revistacaliban.net/a-figura-espelhada-6c91afcab88e ]

20.9.17

Sobre As Pessoas do Drama, de H. G. Cancela




«Há, a meu ver, dois clássicos com que as As Pessoas do Drama dialoga sem que se apresente como releitura de nenhum. De alguma forma, é difícil ler o romance de H. G. Cancela sem pensar no outro romance sobre incesto da literatura portuguesa, Os Maias de Eça de Queirós. Por outro lado, há uma encenação da Antígona que se repete durante um longo período de tempo numa das partes centrais do romance e o elo com a tragédia de Sófocles é relevante (mas talvez não exactamente vital) para ler o romance. Se falamos de ecos da tradição, há ainda o facto de uma parte da acção se passar em Roma, e isto abre espaço para uma das reflexões mais interessantes que o romance propõe, acerca da natureza da ideia de herança cultural. A noção de herança cultural corre em paralelo com outra, mais oblíqua, a da hereditariedade dos traços e comportamentos que os filhos podem herdar dos pais.
A primeira parte do romance abre com uma longa sequência sobre um homem, o narrador (nunca nomeado), que evita abertamente quase todo o tipo de contacto social e constrói uma vedação em torno da sua propriedade. Pode haver aqui – ou não – um jogo com o mito do beau sauvage. Através das preocupações filosóficas que o estruturam, podíamos dizer que H. G. Cancela é um romancista que pertence à tradição de Vergílio Ferreira. Mas As Pessoas do Drama estilhaça toda e qualquer expectativa de uma re-encenação pacífica de referências culturais que pudessem estruturar as expectativas do leitor.» [Tatiana Faia, Enfermaria 6, texto completo aqui ]

De H. G. Cancela, a Relógio D’Água publicou também Impunidade.

Hélia Correia inspira Paula Rego




Vai acontecer em breve a maior exposição de novas obras de Paula Rego numa galeria pública do Reino Unido.
A exposição, intitulada The Boy Who Loved the Sea and Other Stories, inaugura no dia 21 de Outubro, na Jerwood Gallery, e apresenta quadros, desenhos e esculturas de Paula Rego, inspirados num texto de Hélia Correia, Bastardia.
As obras, novas e algumas nunca expostas, poderão ser visitadas até 7 de Janeiro de 2018.
Mais informações em http://www.jerwoodgallery.org/…/the-boy-who-loved-the-sea-a…
[fotografia de Nick Willing]