14.9.17

Bastardia, de Hélia Correia, nas obras de Adriana Varejão e Paula Rego





De 2 de Setembro a 4 de Novembro, a Carpintaria — espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro — expõe trabalhos de Adriana Varejão e Paula Rego (quatro telas e um grande móbile) que se debruçam sobre dois textos: Primo Basílio, de Eça de Queirós, e Bastardia, de Hélia Correia.

Mais informações em http://fdag.com.br/exposicoes/paula-rego-e-adriana-varejao/

George Saunders na corrida ao Man Booker 2017





Lincoln no Bardo, de George Saunders, é um dos seis títulos na shortlist do Man Booker 2017.
A obra, editada em Portugal pela Relógio D’Água, é o primeiro romance do autor (tradução de José Lima).
Da shortlist fazem parte autores como Ali Smith ou Paul Auster.
O vencedor será anunciado dia 17 de Outubro.

13.9.17

ADOECER, de Hélia Correia, pelo Teatro O Bando, no CCB





De 15 a 18 de setembro, está em cena na Sala de Ensaio do CCB a peça Adoecer, a partir do romance homónimo de Hélia Correia, uma interpretação pelo Teatro O Bando, com dramaturgia e encenação de Miguel Jesus e cenografia de Rui Francisco.



A adaptação ao teatro permite um mergulho na vida de Elizabeth Siddal, a modelo, pintora e poetisa que intrigou a sociedade inglesa vitoriana com a estranheza da sua relação amorosa com o pintor e poeta Dante Gabriel Rossetti, na segunda metade do século XIX.


Jaime Rocha e Ana Teresa Pereira na lista de semifinalistas do Prémio Oceanos





Com Escola de Náufragos e Karen, respectivamente, os escritores Jaime Rocha e Ana Teresa Pereira fazem parte da lista de semifinalistas do Prémio Oceanos 2017, que reúne obras de ficção e poesia em língua portuguesa editadas em 2016.

12.9.17

Sobre A Sibila, de Agustina Bessa-Luís




«A reedição planificada da obra ficcional da autora é um acontecimento. Ainda que não publique nenhum romance inédito desde 2006, Agustina continua sendo a maior escritora portuguesa viva. Razão de sobra para saudar a 31.ª reedição de A Sibila, obra-prima que em 1954 provocou ondas de choque no meio literário, tendo recebido de imediato os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz. Não esquecer que Agustina foi, antes da queda da ditadura, a única autora de Direita respeitada por críticos de todos os quadrantes ideológicos, posição que mantém mesmo em democracia, sem ter abdicado das suas convicções e nunca se esquivando a militância activa. Com A Sibila, a literatura nacional ganhou uma personagem carismática, essa Quina que nos perturba «desde o alvorecer da razão», mulher indómita adoptada por sucessivas gerações de leitores. A acção do romance decorre na região de Amarante, na casa da Vessada (arrasada pelo fogo em 1870, mas reconstruída), entre meados dos séculos XIX e XX. A narrativa encontra-se pontuada, aqui e ali, por factos reais: a Revolução da Patuleia, o advento da República, etc. Se não leu, tem agora oportunidade. Os clássicos são sempre actuais.» [Eduardo Pitta, sobre A Sibila, no blogue Da Literatura, 7-9-2017]

11.9.17

Sobre Poemas Escolhidos, de Yorgos Seferis





«Por mais paradoxal que possa parecer, a poesia de Yorgos Seferis, que viveu e escreveu em pleno tumulto do século XX, contém apelos e problematiza questões que se podem aproximar desse estado de coisas antes de haver Estado — como nesse tempo imemorial do Minotauro, no poema de Sena, e de outros monstros, humanos ou não. Numa das composições recolhidas em Poemas Escolhidos, escreve Seferis: «nem eu sabia para onde olhar, sem pátria/ eu que combato aqui em baixo» (p.39). E uma pátria esfacelada, não equivalerá ela a uma pátria antes das pátrias e dos Estados? Territórios da luta pela sobrevivência, lugares da desolação, sem qualquer centro aglutinador, onde corpos se esforçam pela manutenção do sangue da vida.» [Hugo Pinto Santos, Revista Caliban, 26-08-2017]

8.9.17

Sobre A Sibila, de Agustina Bessa-Luís




«Há livros inesquecíveis? Uma mão-cheia. Há romances capazes de provocar uma rutura no cânone? Poucos. Há personagens com gravitas suficiente para criar descendência literária? Alguns. E Agustina Bessa-Luís atingiu, ao correr de escrita ornamentada, implacável e ferozmente inteligente, todos estes feitos em A Sibila, um dos seus primeiros romances. História de mulheres encurraladas perante pequenos ou patriarcais poderes rodeadores, que vivem, à sua maneira, mudanças sísmicas como as da transição da ruralidade protegida em que nasceram para a sociedade burguesa, despachada, bem-falante e surda face ao património – de pedra ou de espírito. (…)
Passados 63 anos, este romance mantém intactos poder e fascínio. Narrativa precursora do discurso feminino – e literário –, recria um mundo fechado, emergido a meio do século XX, que vive a vida como um bordado: intenso, intrincado, íntimo, distante do largo pano de fundo global que enfrenta, por exemplo, o advento da República ou a primeira guerra mundial.» [Sílvia Souto Cunha, Visão, 28-8-17]