4.9.17

Apresentação da obra de Agustina Bessa-Luís




A obra de Agustina Bessa-Luís vai ser abordada numa sessão a realizar na Galeria Municipal do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, no dia 9 de Setembro, pelas 17h45.
A iniciativa insere-se na Feira do Livro do Porto, tendo a participação de Mónica Baldaque, escritora, ilustradora e filha de Agustina, que abordará em particular o inédito Deuses de Barro, que irá sair com um prefácio seu, e o livro infantil Dentes de Rato, que ilustrou.
As professoras Isabel Pires de Lima e Ana Paula Coutinho, estudiosas da obra de Agustina Bessa-Luís e participantes do Círculo Literário Agustina Bessa-Luís, falarão sobre diversos aspectos da obra da autora.

31.8.17

Sobre Lincoln no Bardo, de George Saunders




«(…) Lincoln no Bardo, o primeiro romance de George Saunders (n. 1958), contista laureado praticamente desconhecido no nosso país, embora duas das suas colectâneas de contos, entre elas a incontornável Pastoralia, estejam traduzidas. Lincoln no Bardo é a sua obra mais recente. Saunders pegou num episódio delicado, a depressão que tomou conta de Abraham Lincoln após a morte do seu terceiro filho, Willie, vítima de tifóide aos onze anos. Eram comentadas as visitas nocturnas do Presidente à cripta da criança, em Oak Hill, facto peculiar na medida em que não fora caso único: três dos seus quatro filhos morreram antes de atingirem a idade adulta (sobreviveu apenas o primeiro). Curiosidade adicional: o livro levou quatro anos a escrever mas o plot decorre todo ao longo de uma única noite. Saunders terá tido acesso a detalhes da reacção post mortem, e do excruciante sofrimento de Lincoln, servindo-se deles para pôr de pé o romance. Como sempre, o discurso não é linear. Dito de outro modo, Lincoln no Bardo não é um romance que siga o padrão canónico. O leitor comum talvez seja surpreendido por alguns tiques de escrita: nomes próprios grafados em letra minúscula, monólogos desconexos por via de certa filiação à literatura do absurdo, excertos de jornais da época (estava-se no auge da Guerra de Secessão), trechos de mnemónica, vozes fantasmáticas, citações e outro material avulso com que compõe um patchwork tendo como denominador comum a morte. Em suma, não é um livro fácil. No Tibete chama-se bardo ao “trânsito” entre morte e reencarnação. Isso explica o sentido do título do livro, ou seja, o karma que Saunders atribui a Lincoln. (…)» [Eduardo Pitta,no blogue Da Literatura, sobre crítica publicada na revista Sábado de 24 de Agosto de 2017]

30.8.17

A chegar às livrarias: O Quarto Azul, de Georges Simenon (trad. de Gina de Freitas)





«— Magoei­‑te?
— Não.
— Estás zangado comigo?
— Não.
Era verdade. Naquele momento tudo era verdade, visto que ele vivia a cena em estado bruto, sem se interrogar, sem tentar compreender, sem suspeitar sequer que chegaria a altura em que qualquer coisa haveria a perceber. Mas não só tudo era verdade como tudo era real: ele, o quarto, Andrée, que continuava estendida sobre o leito em desalinho, nua, as pernas en­treabertas, com a mancha sombria do sexo de onde brotava um fio de esperma.
Era feliz? Se lho tivessem perguntado, responderia sim sem hesitar. Nem lhe passava pela cabeça zangar­‑se com Andrée por esta lhe ter mordido o lábio. Este facto fazia parte de um conjunto, assim como o resto, e ele, igualmente nu, de pé, em frente do espelho do lavatório, dando pancadinhas no lábio com a toalha embebida em água fria.
— A tua mulher vai fazer­‑te perguntas?
— Creio que não.»

“Um dos maiores escritores do século XX.” [The Guardian]

“Adoro ler Simenon. Faz-me lembrar Tchékhov.” [William Faulkner]


“Um escritor maravilhoso… Lúcido, simples, em perfeita sintonia com o que escreve.” [Muriel Spark]

A chegar às livrarias: Um Deus em Ruínas, de Kate Atkinson (trad. de Mara Vieira Neves)





Um Deus em Ruínas é um romance que aborda não apenas a guerra como a perda de bondade do homem, explorando as diversas possibilidades oferecidas pela ficção. Este livro demonstra que Kate Atkinson é uma das melhores romancistas dos nossos tempos.

«O seu romance mais ambicioso e conseguido.» [Guardian]

«O melhor livro de Atkinson.» [Telegraph]

«Uma obra-prima. Elegantemente estruturado e narrado.» [Paula Hawkins]



De Kate Atkinson, a Relógio D’Água publicou também Vida após Vida.

25.8.17

Sobre Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne




«Numa das viagens mais célebres da ficção, um pequeno grupo entra num vulcão, deparando-se com um mundo onde dinossauros coabitam com homens pré-históricos.» [Revista Estante, Verão 2017]

Sobre A Viagem do Beagle, de Charles Darwin




«Composto a partir dos diários pessoais de Charles Darwin, este é o relato de uma longa viagem que acabou por se revelar a mais importante da vida do naturalista inglês.» [Revista Estante, Verão 2017]

24.8.17

Sobre Retalhos do Tempo, de John Banville




«Em miúdo, John Banville visitava Dublin quando fazia anos, uma vez que o seu aniversário coincida com o feriado da Imaculada Conceição. Entediado em Bedford, onde nasceu, imaginava Dublin como se imagina Moscovo nas “Três Irmãs” de Tchékhov: uma “terra prometida”. Na verdade, a capital era uma cidade pobre, cinzenta e feia, como descobriu quando lá se instalou, aos 18 anos. Dois mundos coexistiam em Dublin. De um lado, a opressiva supremacia da Igreja Católlica. do outro, a boémia de escritores e artistas, excêntricos, egotistas, alcoólatras. Banville ainda vislumbrou Patrick Kavanagh ou Flann O’Brien, e depois conheceu os seus pares John Montague, John McGahern, Seamus Heaney. Mas, ao contrário de “Imagens de Praga” (2203), “Retalhos do Tempo — Um Memorial de Dublin” (2016) não é um texto culturalista: é uma confissão.
Durante décadas, o cosmopolita Banville não usou a sua cidade como matéria de ficção, sob pretextos de que Joyce tinha esgotado o tema. Mas nos últimos anos isso mudou. E este livro dedica-se ao “reencantamento” de Dublin: as ruas georgianas, os jardins botânicos e os parques gigantescos, os antigos cinemas majestosos, alguns pubs e restaurantes, o quarteirão de Baggotonia, sítios biográficos ou sítios desconhecidos que Banville visita na companhia de um cicerone a que chama Cicero [o texto é acompanhado por fotografias de Paul Joyce] (…) [Paulo Faria traduz, em boa prosa, a boa prosa inglesa, mas também as baladas e os poemas citados, e não se coíbe de manter no original palavras saborosas como “usherette” ou “louche”.]» [Pedro Mexia, Expresso, E, 19-8-2017]