31.7.17
Sobre O Que Maisie Sabia, de Henry James
«Embora o arco temporal da acção — que decorre principalmente em Londres, com uma incursão final a Boulogne, na costa francesa — não seja explicitado, Maisie tem cerca de seis anos de idade no início e — sendo este romance “um epitáfio na lápide da infância” da nossa heroína — estará no limiar da adolescência no final.
A narração é feita na terceira pessoa por um narrador que aparenta ser omnisciente mas que se intromete algumas vezes na acção para confessar, por exemplo, os limites da sua competência (provocadora subtileza de mestre James). Num capítulo preambular (não numerado), cabe-lhe dispor os dados contextuais do jogo que vai seguir-se: divorciados, os pais de Maisie combinam a guarda alternada do “pomo da discórdia”, mas só o fazem para poderem continuar a ter “uma oportunidade ininterrupta para a contenda”. Nada mais moderno, portanto.» [Mário Santos, Público, ípsilon, 28/7/2017]
Sobre Moby Dick, de Herman Melville
«É um livro especial porque mostra como o romance é um género em que cabe tudo. É um livro de aventuras, mas também uma enciclopédia de baleias e, por vezes, um texto religioso.» [João Tordo, Estante, Verão 2017]
Sobre Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick
«Com a Terra devastada após uma grande guerra nuclear, parte da humanidade vê-se obrigada a partir para Marte. Aos que ficam para trás resta distraírem-se com os avanços da realidade virtual e sonharem com a posse de um cada vez mais raro animal vivo. É o caso de Rick Deckard, um caçador de recompensas a quem cabe a missão de descobrir — e eliminar — seis androides que se infiltraram entre a população humana. Mas o que significa realmente ser humano nesta realidade assoladora? É o que Philip K. Dick explora neste romance de culto.» [Tiago Matos, Estante, Verão 2017]
28.7.17
George Saunders na corrida ao Man Booker 2017
Lincoln no Bardo, de George Saunders, é um dos 13 títulos na longlist do Man Booker 2017.
A obra, recentemente editada pela Relógio D’Água, é o primeiro romance do autor (tradução de José Lima).
Da longlist fazem parte autores como Zadie Smith, Ali Smith ou Paul Auster.
A shortlist será divulgada a 13 de Setembro e o vencedor será anunciado dia 17 de Outubro.
Maria Filomena Molder vence Prémio de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitetura
Maria Filomena Molder venceu o 1.º Prémio de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitetura atribuído pela Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA)/Fundação Carmona e Costa 2015/2016.
A escritora e professora de Filosofia recebeu o prémio pela obra Rebuçados Venezianos, editada pela Relógio D’Água em Setembro de 2016.
O júri foi constituído por Margarida Brito Alves, Miguel Wandschneider e Ana Vaz Milheiro (que em 2012 recebeu o prémio — ex-aequo — com Nos Trópicos sem Le Corbusier, também editado pela Relógio D’Água).
O 2.º prémio foi atribuído ex-aequo aos críticos e curadores Pedro Lapa e Diogo Seixas Lopes (1972-2016).
Segundo o júri, «a escolha dos livros premiados fundamentou-se na avaliação da relevância do seu contributo, resultante do compromisso dos seus autores com um trabalho continuado de investigação e pensamento».
A chegar às livrarias: O Vale dos Assassinos, de Freya Stark (trad. de Ana Maria Chaves)
Freya Stark viajou a pé, de burro, de camelo e automóvel para chegar à antiga fortaleza de Alamut, descrita por Marco Polo, situada no vale da sociedade secreta dos Assassinos.
Na ausência de mapas da região, Stark convenceu um guia local a conduzi-la através de montanhas e planícies até encontrar a fortaleza coberta de tulipas. Após a viagem, elaborou o primeiro mapa da área.
O Vale dos Assassinos é a viagem a um mundo que hoje só podemos visitar em livro.
27.7.17
Sobre Philip K. Dick, a propósito de «Relatório Minoritário e Outros Contos»
«Nos melhores momentos de Philip K. Dick, seja em contos, seja nos seus bem mais conseguidos romances, a FC surge mais como um aparato e uma forma de falar das coisas, que o autor partilha com muitos dos escritores seus contemporâneos, da mesma forma que Lovecraft e os seus partilhavam e partilham o mythos. Dick, pelo menos nos seus contos, é a FC depois de Kafka ou, por outras palavras, é a FC que leu Kafka e que substituiu o horror cósmico pelo horror das máquinas, dos robots, dos simulacros e dos governos que usam essas mesmas máquinas, robots e simulacros para desenvolver novas formas de exploração e de controlo. É uma FC à qual aconteceu a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria; a que aconteceu Estaline e Hitler, Orwell e Huxley.» [David Teles Pereira, 16/6/17]
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