17.7.17
A chegar às livrarias: Momentos Decisivos da Humanidade, de Stefan Zweig (trad. de Maria Henriques Osswald)
Este livro reúne alguns momentos decisivos da humanidade. São aqueles em que, nas palavras do próprio Zweig, «o drama reveste formas inauditas, imensas».
Recorrendo a documentos históricos e preenchendo as lacunas com a imaginação, Zweig fala-nos do «Minuto Mundial de Waterloo», a 18 de junho de 1815, da «Elegia de Marienbad», que recorda Goethe a 5 de setembro de 1823, da luta do capitão Scott pela chegada ao Polo Sul, da «Conquista de Bizâncio», da Ressurreição de Händel, da «Primeira Palavra Que Atravessou o Oceano» e do que se passou em torno da perseguição e morte de Cícero.
De Stefan Zweig a Relógio D’Água publicou também Amok, Carta de Uma Desconhecida, Segredo Ardente, Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher e O Mendel dosLivros e A Viagem ao Passado.
A propósito de Paterson, de Jim Jarmusch
«O novo filme realizado por Jim Jarmusch, Paterson, pode muito bem ser o melhor de sempre sobre poetas, poesia e condutores de autocarros casados com iranianas que querem ser cantoras de country & western. (…)
Paterson escreve poemas curtos, límpidos e simples, remetendo directamente para a poesia imagista (são da autoria de um poeta verdadeiro, Ron Padgett, e três deles foram escritos directamente para o filme). Não é por acaso que William Carlos Williams, um dos expoentes desta escola, é um dos favoritos de Paterson e da mulher (que lhe chama Carlo Williams Carlos), e o autor de um longuíssimo poema intitulado… Paterson, adivinharam, escrito quando o poeta e médico pediatra exercia clínica no hospital da vizinha cidade de Passaic. Até há uma sequência onde Paterson encontra um turista japonês fã de William Carlos Williams junto a uma catarata referida por este no poema.» [Eurico de Barros, Time Out Lisboa, 28/6/17]
13.7.17
A chegar às livrarias: A Sibila, de Agustina Bessa-Luís, com prefácio de Gonçalo M. Tavares
Surgido em 1954, o romance A Sibila confirmou Agustina Bessa-Luís como uma voz inovadora, em ruptura com as correntes literárias então predominantes.
As suas personagens não se resumiam a estereótipos sociais, impelidas como eram pela caótica energia dos seres humanos.
O romance venceu em 1953 um concurso organizado pela editora Guimarães, com um júri formado por Vitorino Nemésio, Branquinho da Fonseca, Álvaro Lins e Tomás de Figueiredo. No ano seguinte receberia o Prémio Eça de Queiroz.
Eduardo Lourenço foi um dos que melhor entenderam o alcance da obra, escrevendo na revista Colóquio de Dezembro de 1963: «Foi há dez anos que o milagre, já anteriormente preparado, teve lugar na praça pública. Não há assim tantos que um verdadeiro não mereça ser glorificado como convém. O que Sibila e a sua descendência significam não precisa de ser sublinhado por contraste. Mas este mundo romanesco, pelo seu simples aparecimento, deslocou o centro da atenção literária.»
Madeleine Thien falou com Isabel Lucas a propósito de Não Digam que não Temos Nada, recentemente editado pela Relógio D’Água.
«A entrada na História faz-se em 1989, mas a data maior, e que vem nesse Livro de Registos, é 1966, a Revolução Cultural. “Quis olhar para esse período através de uma vida, porque tudo se passa no período de uma vida. Alguém que tivesse apanhado a conquista de Pequim pelos comunistas em 1949, e depois os anos de 1966 e 1989. Quando se olha para essa vida, o momento decisivo, o momento da verdade, tem o seu centro nos anos 60. Nos 27 anos em que Mao esteve no poder morreram 60 milhões de pessoas em consequência directa das suas políticas. São 60 milhões de pessoas por reconhecer, a sua falta persiste e faz parte do legado de Mao. É preciso permitir a quem sobreviveu fazer luto desse passado”, afirma.» [Público, ípsilon, 7/7/17]
A chegar às livrarias: Dentes de Rato, de Agustina Bessa-Luís, com ilustrações de Mónica Baldaque
«Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível. O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aventura bonita, e conhecia gente maravilhosa. Eram as pessoas que ela via no cinema ou que ela já tinha encontrado em qualquer parte, mas que não sabia quem eram. Não gostava de ninguém que se pusesse entre ela e a imaginação, como um muro, e a não deixasse ver as coisas de maneira diferente.»
Assim começa este livro que Agustina Bessa-Luís escreveu para os leitores mais novos.
Se lermos um pouco mais ficamos a saber porque é que Lourença era conhecida como «Dentes de Rato» e muitas outras coisas.
As ilustrações são de Mónica Baldaque. O resultado é um clássico moderno da literatura infantil portuguesa.
12.7.17
Biblioteca do Congresso atribui Prémio para Ficção Americana a Denis Johnson
Denis Johnson foi o vencedor do Prémio para Ficção Americana, atribuído pela Biblioteca do Congresso, com a colaboração de um júri internacional de escritores e críticos.
É a primeira vez que o prémio é atribuído postumamente. O galardão será recebido pela viúva do autor, em Washington, no dia 2 de Setembro.
De Denis Johnson a Relógio D’Água publicou Anjos e Sonhos e Comboios.
Recomendação de Verão do Expresso
«Em 1933, uma jovem fotógrafa e jornalista suíça acompanhou durante seis meses um grupo de arqueólogos numa viagem pela Turquia, Síria, Iraque e Pérsia. Este diário relata esse encontro com o Próximo e Médio Oriente desconhecidos, sob o signo da “melancolia”, essa palavra que tanto a perseguiu durante a sua breve e agitada vida.» [José Guardado Moreira, Expresso, E, 8/7/17]
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