31.5.17
Na morte de Denis Johnson
Denis Johnson faleceu no passado dia 24 de Maio, aos 67 anos, em Gualala, na Califórnia, onde vivia. O escritor e poeta nasceu em Munique e cresceu em cidades como Tóquio, Manila e Washington. Foi aluno de Raymond Carver, a quem foi frequentemente comparado. Publicou nove romances, cinco livros de poesia, uma novela e três peças, entre outras obras. Venceu um National Book Award e esteve duas vezes na shortlist do Pulitzer de ficção.
A Relógio D’Água publicou o seu primeiro romance, Anjos, e a novela Sonhos e Comboios, que Anthony Doerr considerou “uma pequena obra-prima”.
29.5.17
A chegar às livrarias: Memórias do Subterrâneo, de Fiódor Dostoievski (trad. de António Pescada)
«Eu sou um homem doente… Sou um homem mau. Sou um homem nada atraente. Penso que sofro do fígado. Aliás, não percebo patavina da minha doença nem sei ao certo de que é que sofro. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Além do mais, sou supersticioso em extremo; bem, o suficiente, ao menos, para respeitar a medicina. (Tenho instrução bastante para não ser supersticioso, mas sou supersticioso.) É por maldade que não me quero tratar. Isto é uma coisa que vocês, leitores, por certo não podem compreender. Pois, mas eu compreendo.»
[PVP: € 10,00]
Sobre Inverno no Próximo Oriente, de Annemarie Schwarzenbach
«A viagem, em Annemarie Schwarzenbach, excede, porém, o ensaio de uma fuga — na geografia e no tempo, quando não em ambos simultaneamente, como é o caso vertente — às sobredeterminações biográficas, e históricas e políticas. Embora a certa altura, após ter visitado a antiga catedral de Tartus, na Síria, se interrogue, justamente, sobre “se não teria sido já […] uma espécie de fuga à Europa” que motivara os cruzados. E é verdade que, em Ur, no Iraque, a propósito de achados do terceiro milénio antes de Cristo e de depósitos sedimentares datando do “dilúvio”, o arqueólogo britânico Leonard Woolley lhe “fala amorosamente de todas estas coisas e dos acontecimentos que evoca como se tivessem sucedido na véspera”. Mas Annemarie não perde de vista a escala humana e prosaica, quando não usurpadora e nefasta, do presente. Vemos, aliás, emergir, neste livro, uma das pequenas e cómicas desgraças do nosso tempo: a industrialização do turismo dito cultural.» [Marco Santos, Público, ípsilon, 26/5/17]
26.5.17
A chegar às livrarias: O Homem Que Via Passar os Comboios, de Georges Simenon
O Homem Que Via Passar os Comboios foi publicado em 1938.
Tornou-se um dos policiais mais famosos de Georges Simenon, sendo adaptado ao cinema em 1952 por Harold French.
O livro narra a brusca descida ao universo do crime de Kees Popinga, depois de o patrão lhe ter anunciado a sua ruína. Kees vai vingar-se e tornar-se um outro homem. Aproveitando a ausência de “sinais particulares”, rompe com a sua vida medíocre, mergulhando no mundo do crime.
25.5.17
Sobre O Sul seguido de Bene, de Adelaida García Morales
Carlos Vaz Marques fala sobre O Sul seguido de Bene, de Adelaida García Morales, no programa Livro do Dia, da TSF, de 24 de Maio.
O programa pode ser ouvido aqui.
24.5.17
Colóquio sobre Raul Brandão
Realiza-se em Sintra o colóquio Primavera Eterna, a propósito dos 150 anos do nascimento de Raul Brandão e do centenário de Húmus.
O colóquio, com início dia 25 de Maio, conta com a participação de Vítor Pena Viçoso, Maria Helena Serôdio e Vasco Rosa, entre outros, e encerra no dia 28, com uma visita aos Capuchos guiada por Miguel Real.
Até agora a Relógio D’Água publicou Memórias (Tomos I, II e III), A Farsa, História Dum Palhaço e A Morte do Palhaço, Vida e Morte de Gomes Freire e El-Rei Junot, Os Pescadores e Húmus.
Sobre As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
«Um clássico da literatura que tem fascinado os mais novos (…)
As coisas complicam-se para o leitor adulto, já investido da capacidade de decifrar a ironia cáustica do autor e o significado da palavra “misantropia”. Quanto mais avança na narrativa e compreende a alegoria político-social que também o implica, mais se convence de que a intenção não é divertir nem informar, antes baralhar a verdade e a mentira, o bom e o mau, o certo e o errado.» [Carla Maia de Almeida, Ler, Primavera 2017]
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