12.4.17

Bob Dylan em discussão no Palácio Fronteira






O Grupo de Leitura “O Nobel revisitado: Três géneros e três autores premiados”, propôs o comentário de obras de três de autores galardoados com Prémio em três géneros diferentes: um romance de Ohran Pamuk (2006) um livro de contos de Alice Munro (2013)  e um ensaio da autoria de Svetlana Aleksievitch (2015).
Anuncia-se agora uma sessão extraordinária, dedicada ao vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 2016, Bob Dylan.
A sessão terá lugar no Palácio Fronteira, no dia 20 de Abril, às 19:00, e a poesia e a música de Bob Dylan serão apresentadas por Pedro Pyrrait.
As inscrições são gratuitas e obrigatórias.

Do último Prémio Nobel de Literatura, a Relógio D’Água publicou Canções I e II, Tarântula e Crónicas, volume 1.

11.4.17

Sobre Crónica de Um Vendedor de Sangue, de Yu Hua



«Yu Hua (n. 1960) é tido pelos conhecedores como um dos mais importantes escritores contemporâneos chineses. Autor de três romances, e de algumas colectâneas de contos e outras de ensaios, a sua obra está traduzida para várias línguas europeias; em 2002 tornou-se o primeiro escritor chinês a ser distinguido com o prestigiado James Joyce Foundation Award. O romance Crónica de Um Vendedor de Sangue — o primeiro título de uma série em que a editora Relógio D’Água promete publicar clássicos contemporâneos da literatura chinesa, traduzidos a partir do original — é considerado um dos dez livros mais influentes na China nas últimas décadas.
Crónica de Um Vendedor de Sangue é um retrato impiedoso da China comandada por Mao, mas descrevendo-a, e curiosamente, sem entrar de maneia óbvia e directa nos aspectos mais políticos dessa décadas. Xu Sanguan, o protagonista, trabalhava como distribuidor de casulos na fábrica de seda da cidade. Era um jovem de vinte anos por volta de 1950, filho, e decidiu que tinha chegado a altura de se casar. Mas com o ordenado que ganhava na fábrica de seda, dificilmente conseguiria manter uma família. Entretanto, na aldeia onde vivia um tio, ouviu dizer que os homens que não vendem sangue não arranjam mulher. “Se queremos casar ou construir uma casa precisamos do dinheiro do sangue. O que ganhamos da terra mal chega para matar a fome.”» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 7/4/2017]

10.4.17

Entrevista a Karan Mahajan




«O atentado bombista, a que o Sr. e a Sra Khurana não assistiram, foi um acontecimento arrasador e cheio de repercussões.” A primeira frase do livro põe o leitor perante o trauma que será o motor de A Associação das Pequenas Bombas (Relógio d’Agua), o segundo romance do indiano Karan Mahajan. Em Maio de 1996, o mercado de Lajpat Nagar, no sul de Nova Deli, foi alvo de um atentado terrorista. Treze pessoas morreram ao rebentar “uma bomba de pequena dimensão”. Entre as vítimas estavam os dois filhos do Sr. e da Sra. Kharana, dois rapazes de 11 e 13 anos. O amigo de ambos, Mansoor, ia com eles e sobreviveu, mas a sua existência passou a ser para sempre determinada por um antes e um depois da bomba.
É esta a tragédia definidora não apenas das suas vidas, mas de todo o livro que se estrutura à volta da impossibilidade do luto após um atentado terrorista. Não há luto possível para o terror porque há no terror qualquer coisa de global. A ideia atravessa o romance. “O bom atentado bombista começa em todo o lado ao mesmo tempo. Um mercado cheio de gente também começa em todo o lado ao mesmo tempo”, continua o livro que tanto se passa na intimidade de cada uma das personagens como se alarga, tentando conquistar o domínio universal.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 7/4/2017; entrevista a Karan Mahajan: https://www.publico.pt/2017/04/09/culturaipsilon/noticia/contra-o-olhar-miope-sobre-terrorismo-e-religiao-1767616 ]

Sobre Lincoln in the Bardo, de George Saunders







«Lincoln in the Bardo, o primeiro romance do escritor George Saunders (Amarillo, Texas, 1958), publicado nos Estados Unidos há menos de um mês, vai ter edição portuguesa pela Relógio D’Água.
Em menos de um ano, aquele que é um dos mais elogiados e criativos autores norte-americanos passa de inédito e quase desconhecido em Portugal para um dos autores mais disputados pelas editoras portuguesas. (…)
A Relógio D’água anuncia a publicação desse romance para os próximos meses de Maio ou Junho. A tradução será de José Lima e em português deverá chamar-se Lincoln no Bardo.
Passa-se num tempo muito diferente dos contos. Conhecido por ser um autor focado no quotidiano das classes média e baixa, que narra com recurso ao absurdo e a uma linguagem a desafiar clichés, Saunders situa este livro no século XIX, mais precisamente na morte do filho do presidente Abraham Lincoln. Estamos num cemitério, em Washington D. C., dominados pelo sentimento de perda, com Saunders a conseguir momentos de grande e devastador brilhantismo literário, com a consciência numa deambulação meio alucinada a deixar-se visitar por anjos e fantasmas. O homem na sua dor e na fantasia da sua mente.
Numa recente conversa com o Ípsilon, a propósito da publicação em Portugal de Pastoralia, Saunders contou que levou quatro anos a escrever Lincoln no Bardo, uma obra com menos recurso ao nonsense, mas onde a linguagem e a estrutura voltam a desafiar clichés. Fortemente influenciado por escritores como Raymond Carver ou David Foster Wallace, de quem foi amigo, George Saunders vai aos comportamentos subterrâneos para falar da essência.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 7/4/17]

7.4.17

Sobre Até já não É adeus, de Cristina Carvalho









«Na sua dupla qualidade de título e máxima, “Até já não É adeus” terá presságio e parémia do percurso da autora. Enquanto texto, quer pela sua extensão quer pela sua completude, poderia, como no caso de “Ana de Londres”, ganhar vida própria; enquanto alegoria de uma escrita, recupera e desenvolve um traço muito próprio, suficientemente impetuoso para — umas vezes melhor do que outras — se adequar ao espírito conturbado de um tempo que não tem suficiente espaço para o sortilégio e que no entanto o inventa.
Confesso que esta marca de autor me estimula e que é no conto que encontro a Cristina Carvalho que prefiro, quando a autora se permite conjeturar para lá do devaneio, no reverso de outros géneros que cultiva. É neste universo imagético que Cristina Carvalho constrói vidas em que dissimuladamente incrusta um sonho feito de quotidianos sórdidos, ou encantatórios, que interpelam quem corre o risco de a ler.» [Luísa Mellid-Franco, Expresso, E, 1/4/2017]

Sobre A Poesia como Arte Insurgente, de Lawrence Ferlinghetti




«Nos textos aqui reunidos, que se recusam a pousar em definitivo no aforismo, no poema, ou no manifesto, todo o discurso é utópico. Essa utopia consiste, fundamentalmente, em conceber o poético como suprema rebeldia, acção erguida e reerguida em permanente vigor, “primeira língua antes da escrita” (p.51). A poesia como figuração directa, implacavelmente próxima do pulsar das coisas. É toda a indignação do poeta que aqui reage contra um mundo estagnado e estéril. Dirigida contra consciências e corpos parados que esperam a morte — “A poesia não é uma ocupação sedentária, não é uma prática do género ‘sente-se, por favor’. Levanta-te e diz-lhes o que pensas.” (p.15) Qualquer um destes textos forma um clamor de rebelião que procura na poesia a expressão mais capaz da liberdade e da afirmação mais plena — “Os poemas são notícias sobre os confins mais distantes da consciência, vindos da sua fronteira em expansão” (p.53).» [Hugo Pinto Santos, Caliban, 5/4/17, texto completo aqui.]

Henry David Thoreau na Biblioteca Nacional




“Resistência Civil | Acordo com a Natureza: Bicentenário de H. D. Thoreau”, organizado pelo Grupo de Estudos Americanos do Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL) em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal, conta com uma exposição biblio-iconográfica e atividades que exploram a obra e as repercussões do autor.
A 10 de abril, a exposição abre com uma visita comentada, duas palestras e um debate que encadeará os elos do libertarismo, da ecologia, da objeção de consciência e do estilo e influência do poeta ensaísta e no qual participa Alda Rodrigues, tradutora de Walden e Ktaadn.
No dia 26 de abril, haverá um colóquio com comunicações académicas. Para finalizar, haverá leituras da obra do autor, havendo ainda o lançamento de um catálogo e do livro Nada Natural, do poeta Gary Snyder.