16.3.17

Sobre Na Penúria em Paris e em Londres, de George Orwell







«Publicado em 1933, Na Penúria em Paris e em Londres baseia-se nas experiências do jovem Eric Blair no grandioso Hôtel X, em Paris, onde trabalhou a lavar louça após uma experiência profundamente transformadora e amarga como polícia na Birmânia.
(...)
Na Penúria em Paris e em Londres mudou a minha vida. Foi a inspiração directa de Kitchen Confidential, o texto que eu tinha em mente em cada página.» [Anthony Bourdain, texto completo no site Lucky Peach: http://luckypeach.com/anthony-bourdain-george-orwell/ ]

15.3.17

Sobre Hélia Correia







«Hélia: um nome suficientemente evocativo da Grécia Antiga, uma geografia que, embora não alheia ao enigma e aos signos do obscuro, se impõe pela sua luminosidade. Uma predestinação, se pensarmos que a autora cedo se enamorou dos Gregos e da cultura helénica, com a qual tem mantido um diálogo íntimo e continuado. Mas também uma ironia, pois é conhecida a incompatibilidade de Hélia Correia (Lisboa, 1949), Prémio Camões 2015, com o sol: os seus livros, sensíveis às condições meteorológicas, apenas aceitam ser trabalhados em dias de chuva.
(…)
É sabido que a sua vida, os gatos ocupam, a par da escrita, um importante lugar. Eis as duas sujeições que Hélia Correia há muito tornou públicas. Ambos instalaram dentro da sua vida um “trono vitalício”, comportando-se com igual sobranceria: “Vêm se querem, quando querem, para que os sirva, mas se sou eu a convocá-los, não me ligam. Se entendem que lhes devo abrir a porta, chamam às horas mais desconfortáveis. Lá me levanto, às quatro da manhã, ou para escrever ou para deitar whiskas no prato. A retribuição é coisa pouca: um roçar pelas pernas, uma frase. E eu, ciente da minha condição, renunciando à dignidade humana, agradeço a bondade do incómodo.”» [Teresa Carvalho, i, 12/3/2017. Texto completo aqui.]

14.3.17

A chegar às livrarias: Arquipélago das Galápagos ou As Ilhas Encantadas, de Charles Darwin e Herman Melville (trad. de Miguel Serras Pereira e Margarida Vale de Gato)




Este livro reúne o capítulo de A Viagem do Beagle que Darwin dedicou às Galápagos e As Ilhas Encantadas, de Herman Melville, que fala sobre o mesmo arquipélago.

«Contemplai as calcinadas e sombrias Ilhas Encantadas. Este promontório mais próximo, com a forma de uma cratera, pertence a Albemarle, a maior ilha do arquipélago, com sessenta milhas ou mais de comprimento, e quinze de largura. Alguma vez vislumbrastes o verdadeiro e genuíno equador? Alguma vez, em sentido lato, pisastes o Risco? Ora bem, aquele promontório ali que tem também uma forma de cratera, submerso em lava amarela, é atravessado pelo equador exatamente como uma tarte de abóbora cortada ao meio por uma faca de cozinha.»

13.3.17

O Nobel Revisitado no Palácio Fronteira





O Grupo de Leitura “O Nobel revisitado: Três géneros e três autores premiados”, propõe o comentário de obras de três de autores galardoados com Prémio em três géneros diferentes: um romance de Ohran Pamuk (2006) um livro de contos de Alice Munro (2013)  e um ensaio da autoria de Svetlana Aleksievitch (2015).
No próximo dia 14 de Março a obra em discussão será Amada Vida, de Alice Munro, com apresentação e comentários de Ana Raquel Fernandes (Universidade de Lisboa).
As inscrições são gratuitas e obrigatórias.

De Alice Munro, a Relógio D’Água publicou Fugas, O Amor de Uma Boa Mulher, A Vista de Castle Rock, Demasiada Felicidade, O Progresso do Amor, Amada Vida, Vidas de Raparigas e Mulheres, Falsos Segredos e Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento.

10.3.17

A chegar às livrarias: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis






«Machado de Assis, o mais destacado discípulo de Laurence Sterne no Novo Mundo, escreveu a sua obra-prima em 1880 num Brasil esclavagista, sendo ele próprio neto de libertos. Mas Machado, génio da ironia, nunca ataca directamente a sua sociedade, antes se propondo atingi-la com uma comédia maliciosa e um niilismo embotado. O seu Brás Cubas é maravilhosamente estimável e magnificamente alienado: nunca sofre e por isso nunca sofremos com ele. E, no entanto, das suas Memórias Póstumas emana uma tranquilidade quase sobrenatural, uma atmosfera tão original, que não posso compará-la com nenhuma outra narrativa, apesar da influência de Sterne.
O verdadeiro tema de Machado é a nossa comum mortalidade. Um tema que é difícil considerar com despreocupação e ironia, mas que nos obriga nas Memórias Póstumas de Brás Cubas a adoptar uma perspectiva ao mesmo tempo distanciada e irónica.» [Harold Bloom, Génio]

PVP: € 10,00

9.3.17

A chegar às livrarias: Na Penúria em Paris e em Londres, de George Orwell (trad. de Miguel Serras Pereira)




«É bastante curioso, o primeiro contacto que travamos com a pobreza. Pensámos sempre muito, para começar, acerca da pobreza — foi ela o que tememos durante toda a vida, aquilo que sabíamos que nos iria acontecer mais tarde ou mais cedo; mas quando acontece é completamente diferente, na sua configuração absolutamente prosaica. Pensávamos que ia ser muito simples; mas é extraordinariamente complicado. Pensávamos que ia ser terrível; é apenas sórdido e aborrecido. É a extraordinária baixeza da miséria o que se descobre de início; os expedientes que implica, a mesquinhez intrincada, o poupar dos cotos de vela.»

8.3.17

Sobre Para lá das Palavras — O Que Pensam e Sentem os Animais, de Carl Safina




Carlos Vaz Marques falou sobre Para lá das Palavras — O Que Pensam e Sentem os Animais, de Carl Safina, no programa Livro do Dia, na TSF, de 22 de Fevereiro. O programa pode ser ouvido aqui.