25.1.17

Livro de José Gil Apresentado na Casa Fernando Pessoa





O mais recente livro de José Gil, Ritmos e Visões, vai ser apresentado na Casa Fernando Pessoa, Rua Coelho da Rocha, n.º 16, em Lisboa, no dia 26 de Janeiro, às 18h30.
A apresentação será feita pelo ensaísta e jornalista António Guerreiro.

Em Ritmos e Visões, José Gil aborda em quatro ensaios aspectos da obra pessoana, em particular no que se refere à transformação das imagens em visões.
«Capaz de revelar uma visão no trajecto de uma folha no ar ou um sonho na mínima percepção de qualquer coisa, o Livro do Desassossego é o grande tratado das visões do século XX; a poesia heteronímica nasce do funcionamento de máquinas rítmicas que produzem certas visões.»

José Gil é um dos raros autores que tem abordado a obra de Fernando Pessoa do ponto de vista filosófico, em livros como Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações (1987), Diferença e Negação na Poesia de Fernando Pessoa (1999), O Devir-Eu de Fernando Pessoa (2010) e Cansaço, Tédio, Desassossego (2013).

A chegar às livrarias: Timão de Atenas, de William Shakespeare (trad. Nuno Pinto Ribeiro)





«A acção de Timão de Atenas oferece a imagem de um corpo descontínuo, quebrado em dois movimentos distintos, marcados pela inflexão operada na figura do herói, nos três primeiros actos a figura generosa e pródiga a distribuir afectos e benesses, nos dois últimos o misantropo impenitente e amargo, vituperando o mundo e os outros, impenetrável a qualquer sinal humano e à comunidade de que voluntariamente se exilou. (…)
A peça não seria uma tragédia, a isso não chegaria, quando muito seria um drama, dignificado pela presença do corajoso Alcibíades e do constante Flávio; mas para além disso essa atípica criação de Shakespeare não poderia aspirar a outra coisa que não à comédia.
A acção dramática abre com um diálogo entre personagens sem nome (a sugestão alegórica desenha-se bem cedo na peça), o Pintor e o Poeta, acto contínuo se lhes juntando o Joalheiro e o Mercador, todos à espera do generoso anfitrião, senhor de todas as virtudes, e o caudaloso movimento de notáveis testemunha eloquentemente a fama e respeito de que goza o nobre Timão.» [Da Introdução de Nuno Pinto Ribeiro]

A chegar às livrarias: Tito Andrónico, de William Shakespeare (trad. M. Gomes da Torre)



«A acção desenrola-se em Roma, num período de decadência do império, mas esta tragédia não pode ser, com propriedade, considerada uma peça histórica, pois nem as personagens nem os episódios nela apresentados fazem parte da história da cidade e, por isso, tem de ser vista estritamente como obra de ficção. Convém, no entanto, sublinhar que Shakespeare não ficou particularmente conhecido pela originalidade dos enredos das suas composições. Como Hughes refere, apenas para algumas das comédias o dramaturgo inventou, ele como os outros seus contemporâneos que escreviam para o teatro iam buscar os enredos a historiadores e cronistas, a peças já existentes ou às novelas italianas (cf. pp. 6-7). Foi provavelmente isso que Shakespeare fez em relação à história de Tito Andrónico, mas não tem sido fácil descobrir onde ele, de facto, se inspirou.» [Da Introdução de M. Gomes da Torre]

24.1.17

Sobre No Outono, de Karl Ove Knausgård




«Ao mesmo tempo que foi publicado Dança no Escuro, veio também a público, do mesmo autor (com algumas ilustrações de Vanessa Baird), a tradução de No Outono, o primeiro de quatro volumes titulados com as estações do ano. São narrativas curtas, apressadas, de duas a três páginas. A abrir o livro pode ler-se “carta a uma filha que vai nascer”, e o primeiro texto é isso que deixa parecer, mas logo os que se seguem mudam de registo, passando a ser uma espécie de ‘descrição do mundo’ em redor do autor, que tem como alvos assuntos como as pastilhas elásticas, os sapos, molduras, golfinhos, víboras, urina, igrejas… Quem leu os volumes de A Minha Luta pouco reconhecerá de Knausgård nestas narrativas curtas, nem o estilo introspectivo, nem a reflexão, nem aquela espécie de prosa tentacular que arrasta o leitor. No entanto, e apesar da ligeireza dos escritos, o leitor ainda é surpreendido de vez em quando com algumas frases de efeito ou com reflexões interessantes, como a que faz sobre a criação de animais domésticos: “O problema do apicultor é que nada se possa oferecer às abelhas que elas não possam arranjar, são completamente autónomas, e que elas se mantenham precisamente ali, nas colmeias do apicultor, não é certo.”» [José Riço Direitinho, Público, Ípsilon, 3/1/2017]

Sobre Morrer Sozinho em Berlim, de Hans Fallada




«Otto e Anna Quangel são cidadãos fiéis do Reich até ao dia em que lhes morre um filho em França. Gente modesta, a vida muda nessa altura para eles. ao ver num cartaz os nomes de três alemães executados por traição, Otto pensa: “Morrer na forca não é pior do que ser destroçado por uma granada ou rebentar com uma bala na barriga! Nada disto é importante (…), tenho de aclarar esta coisa do Hitler (…). De repente vejo apenas repressão e ódio e coação e sofrimento, tanto sofrimento (…). Se não faço nada simplesmente porque sou cobarde e prezo muito a minha tranquilidade, então…” […]
O presente livro, escrito em 1946 e elogiado como obra-prima em vários países que nos últimos anos o descobriram, talvez seja em parte uma forma de expiação, o que ajudará a explicar o tom direto, às vezes quase pedagógico, no qual explora um repertório de tragédias e perversidade, e também de atos redentores.» [Luís M. Faria, Expresso, E, 21/1/2017]

23.1.17

Livro de José Gil Apresentado na Casa Fernando Pessoa




O mais recente livro de José Gil, Ritmos e Visões, vai ser apresentado na Casa Fernando Pessoa, Rua Coelho da Rocha, n.º 16, em Lisboa, no dia 26 de Janeiro, às 18h30.
A apresentação será feita pelo ensaísta e jornalista António Guerreiro.

Em Ritmos e Visões, José Gil aborda em quatro ensaios aspectos da obra pessoana, em particular no que se refere à transformação das imagens em visões.
«Capaz de revelar uma visão no trajecto de uma folha no ar ou um sonho na mínima percepção de qualquer coisa, o Livro do Desassossego é o grande tratado das visões do século XX; a poesia heteronímica nasce do funcionamento de máquinas rítmicas que produzem certas visões.»

José Gil é um dos raros autores que tem abordado a obra de Fernando Pessoa do ponto de vista filosófico, em livros como Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações (1987), Diferença e Negação na Poesia de Fernando Pessoa (1999), O Devir-Eu de Fernando Pessoa (2010) e Cansaço, Tédio, Desassossego (2013).

Sobre A Poesia como Arte Insurgente, de Lawrence Ferlinghetti




«Publicado originalmente em 2007, este “livrinho (r)evolucionário” é uma espécie de work in progress que esboça a arte poética de um escritor e, através dela, a sua visão do mundo. Quase a cumprir 98 anos de vida, Lawrence Ferlinghetti — o mítico editor de Howl, de Allen Ginsberg, o companheiro de jornada das principais figuras da Beat Generation, o fundador da mítica livraria City Lights, em São Francisco — mantém uma fé inquebrantável no poder das palavras. Reformulando uma pergunta que remonta pelo menos a Hölderlin, questiona o papel dos poetas numa era de ruína civilizacional, apelando a que eles criem “obras que consigam responder ao desafio de um tempo apocalíptico”.» [José Mário Silva, Expresso, E, 21/1/2017]