«A obra de
Bauman foi popularizada pelo conceito de “liquidez” aplicado à leitura da
modernidade. Em diálogo com o malogrado Leonidas Donskis, filósofo lituano, o
tema central é a “perda de sensibilidade” diante do horror, do sofrimento e do
desrespeito pelo humano, na ausência de um conceito de moral.» [Ler,
Inverno de 2016]
10.1.17
Na morte de Zygmunt Bauman
Zygmunt Bauman faleceu a 9 de Janeiro de 2017, aos 91 anos,
em Leeds, Inglaterra, onde vivia desde 1971. O sociólogo polaco é considerado um dos grandes pensadores
da modernidade, tendo elaborado o conceito de “liquidez”, que seria retomado
por ensaístas como Umberto Eco no seu livro póstumo de ensaios.
Foi professor
emérito de Sociologia das universidades de Leeds e de Varsóvia e é responsável
por uma produção intelectual em desenvolvimento que aborda os principais temas
contemporâneos.
A sua extensa
obra tem sido publicada originalmente na Grã-Bretanha, particularmente
difundida em países como Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polónia, Brasil e Japão.
Na Relógio D’Água
tem publicados Confiança e Medo na Cidade, Amor Líquido, A
Vida Fragmentada e Modernidade e Ambivalência, Estado de Crise
e Cegueira Moral.
Chegará
em breve às livrarias A Arte da Vida.
9.1.17
Sobre Fruta Deliciosa, de James Hannaham
«Fruta
Deliciosa, que obteve o PEN Faukner de ficção este ano, é um violento
romance sobre uma família desfeita, a droga, a relação entre mãe e filho, os
negros do Minnesota, a travessia do deserto e a procura de liberdade. Não é
estranho que as derradeiras palavras do livro sejam sobre isso – um céu onde
ser livre.» [Ler, Inverno de 2016]
Sobre Eugénio Onéguin, de Aleksandr Púchkin
«Aleksandr
Púchkin é a origem da literatura russa
como a conhecemos. Como podia a obra máxima de alguém como ele não estar
publicada em português? Sendo Eugénio Onéguin um romance em verso, acho que a
primeira coisa para a qual temos de olhar é à dificuldade de uma tradução como
esta. Escrito todo – as 389 estrofes – em versos jâmbicos de quatro pés, com
esquema rimático AbAbCCddEffEgg, onde as maiúsculas
designam feminino e minúsculas masculino, podem facilmente imaginar o quão
difícil será trazer uma obra destas para o português (ou qualquer outra
língua).» [Miguel Fernandes Duarte, Comunidade Cultura e Arte]
Texto
completo aqui.
José Gardeazabal conversa com Isabel Lucas a propósito do seu último livro, Dicionário de Ideias Feitas em Literatura
«Leitura
e tempo estão no princípio da escrita como a entende José Gardeazabal. Quem é?
Pseudónimo literário de José Tavares que parece não ter grande explicação: “O
nome não é importante. Mas o nome cria um espaço para a literatura respirar, é
uma forma de respeito para com os leitores e para comigo. O importante é a
literatura, já não é mau que se trate de um nome relativamente fácil de
pronunciar.” Foi com esse nome que venceu o Prémio Imprensa Nacional Casa da
Moeda/Vasco Graça Moura com o primeiro livro,história do século vinte, volume de poesia publicado em 2015, “um olhar o século de
fora para dentro, como se fosse coisa viva”, diz numa conversa com o Ípsilon
quando sai o seu segundo título, Dicionário de Ideias Feitas em Literatura (Relógio d’Água), prosa fragmentada que materializa em
palavras essa relação inicial: o escritor que nasce da experiência do leitor.
Ele esclarece: “Os textos do Dicionário partem de uma palavra, de parte de uma frase de um
autor, ou uma nota minha a respeito desse autor, e depois abrem para a escrita
sob a forma de prosa curta. O único critério foi partir de autores que me
proporcionaram alegria enquanto leitor.”
São
176 entradas. Uma chama-se Agora e parte da leitura de Carlos Drummond
de Andrade. Nela o narrador pergunta: “E agora, José? Queres prosa? Queres
poesia?” Pega-se na pergunta e, dois livros diferentes num ano, dirigimo-la a
Gardeazabal. E agora, José? Ele responde: “Prosa, poesia, teatro, outros
textos. O Dicionário... foi
catalogado nas livrarias como ‘outras formas literárias’. Há neste livro e
nesse excerto uma certa brincadeira com o desafio da feitura da literatura. Um
olhar de desafio e de empatia. Como se alguém estivesse no chão de um circo a
observar-se a si mesmo como escritor no trapézio, e perguntasse: ‘Prosa?
Poesia?’ Anda lá, despacha-te, faz o que tens a fazer.’» [Isabel Lucas, ípsilon, Público, 6/1/17]
Fotografia do
autor por Enric Vives-Rubio.
6.1.17
Sobre Rebuçados Venezianos, de Maria Filomena Molder
«Textos diversos,
de diversas proveniências e sobre diversos autores – é este o trabalho crítico
de Maria Filomena Molder. Por aqui entramos nos caminhos da estética, da
história, da literatura e, essencialmente, da teoria da arte e da arte
contemporânea, o seu atlas e tabuleiro de xadrez preferido.» [Ler,
Inverno de 2016]
5.1.17
Sobre As Ilhas Gregas. de Lawrence Durrell
«Se as ilhas
gregas e o escritor pudessem ser amantes, dir-se-ia que o que Lawrence Durrell
alcançou com este livro foi a mais bela declaração de amor. Mais que uma
declaração, um dicionário e um tratado dos amantes. As Ilhas Gregas
[re]inaugura a nova colecção de literatura de viagens da editora Relógio D’Água
e vem etiquetado como tal, talvez até com precisão, não se desse o caso de a
maioria daquilo a que hoje se chama literatura de viagens ter muito pouco que
ver com literatura. Aqui, felizmente, isso não acontece.» [Hélder Beja, Ponto
Final, 30-12-16]
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