29.11.16

A chegar às livrarias: A Ilha de Sukkwan, de David Vann (trad. José Lima)




 

Uma ilha deserta no sul do Alasca, a que só se consegue chegar de barco ou de hidroavião, repleta de florestas e montanhas escarpadas. Este é o cenário que Jim escolhe para desenvolver em novas bases a relação com o filho Roy, de 13 anos, que mal conhece.
Doze meses numa cabana isolada do resto do mundo, colaborando para enfrentar uma natureza rude. Parece uma boa oportunidade para recuperar o tempo perdido. Mas as difíceis condições de sobrevivência e a tensão emocional a que se veem sujeitos rapidamente transformam esta estada num pesadelo asfixiante, tornando a situação incontrolável.
A Ilha de Sukkwan é uma história de um suspense avassalador. Com esta narrativa, que nos leva às profundezas da alma humana, David Vann afirmou-se como um dos escritores norte-americanos de primeiro plano.


“Brilhante… Vann segue a prosa vigorosa de Cormac McCarthy e de Hemingway, mas possui uma agilidade muito própria.” [The Times]

 
De David Vann, a Relógio D’Água publicou também Aquário.

Sobre Escombros, de Elena Ferrante




«Li uma grande parte de Escombros antes de Gatti ter atribuído uma identidade a Elena Ferrante. Quando tive acesso à edição alargada, que é agora lançada em Portugal, e sabendo que iria reler grande parte do livro na posse de novos dados, questionei-me: Será que a informação que adquiri através da investigação de Gatti tem a capacidade de mudar o retrato que construí dela enquanto mulher, pessoa escritora? Agora, que terminei Escombros, sei que a resposta é não. Como Ferrante escreve, “ a autora, que fora do texto não existe, dentro do texto oferece-se, une-se conscientemente à história, esforçando-se por ser mais real do que conseguiria ser nas fotografias de uma revista ilustrada, num festival literário, em qualquer programa televisivo, no espetáculo da entrega dos prémios literários”. Será sempre interessante saber o que um escritor tem a dizer sobre a sua escrita, os seus afetos, as suas memórias, o seu mundo familiar, as suas convicções políticas. E Escombros é tudo isso, mesmo que em muitas matérias seja tímida a partilha. Reconheço também, sem incómodo, a vontade de questionar os outros, de saber o que são e do que gostam, de aceder aos estilhaços, fragmentos do seu íntimo que acedem partilhar. Mas nada disso anula a importância das obras. Deverá sobrepor-se à sua existência independente, ao que conhecemos sobre quem as fez apenas a partir do que estas nos dizem e revelam. “A vida que importa fica viva nas obras.” Ferrante não se cansa de repetir: O que sabemos afinal de Shakespeare? E eu, repetindo-me também, devo voltar a escrever aqui que Ferrante é uma voz que nos persegue. Uma voz que escava nos nossos escombros. A voz que nos ocupa, persegue. E isso, de facto, deveria bastar-nos. Não será a literatura mais importante do que o escritor?» [Cristina Margato, Expresso, E, 26-11-2016]

28.11.16

Sobre Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick




«Os poucos humanos que ficaram têm como sonho possuir um animal verdadeiro, que surge quase como o derradeiro sinal de status social elevado. Cuidar de um animal vivo implica empatia e responsabilidade moral, características que distinguem os humanos dos andróides — na aparência são iguais, para os distinguir utiliza-se um teste de ‘empatia’. Esta aparente confusão entre real e irreal, verdadeiro e falso, uma espécie de ansiedade de uma qualquer angústia identitária, parece ser central no romance de Philip K. Dick. Há em Será que os Andróides Sonham com Ovelhas Eléctricas? uma luta prolongada que aponta para a vitória do falso, pois o humano deteriora-se e desaparece, só o falso continua a existir. Os andróides foram sendo melhorados, podendo até comover-se ou seduzir sexualmente; os humanos tornaram-se tão dependentes das máquinas que se confundem com elas. (…)
Philip K. Dick continua a ser a referência e o mestre das histórias perturbadoras de sociedades onde a tecnologia atingiu o nível da paranóia, e este romance é a sua expressão mais conseguida.» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 25-11-2016]

25.11.16

Livros da Relógio D’Água nas escolhas do New York Times




 

Na lista dos 100 livros mais importantes de 2016 que acaba de ser publicada pelo New York Times figuram duas obras que a Relógio D’Água irá editar no início de 2017, é o caso de The Association of Small Bombs, de Karan Mahajan, e Do Not Say We Have Nothing, de Madeleine Thien.

A chegar às livrarias: Breve História de Sete Assassinatos, de Marlon James (trad. de José Miguel Silva)


 

 
Jamaica, 3 de dezembro de 1976. Sete assassinos de metralhadoras em riste entram de rompante na casa de Bob Marley na véspera de um concerto. Apesar de ferido no peito e num braço, o cantor de reggae sobrevive. Os homens nunca foram descobertos. Mais de oitenta mil pessoas assistem ao concerto que Marley dá dois dias depois.
Breve História de Sete Assassinatos é um livro que revela um poder narrativo ímpar para explorar este evento quase mítico.
Com uma ação que atravessa três décadas e vários continentes, narra as vidas de várias personagens inesquecíveis — miúdos da favela, engates de uma noite, barões da droga, namoradas, assassinos, políticos, jornalistas, e mesmo agentes da CIA.
Breve História de Sete Assassinatos foi já considerado um dos melhores e mais extraordinários romances do século XXI e venceu o Man Booker Prize em 2015.


«Breve História de Sete Assassinatos é uma obra-prima.» [Chris Salewicz]

«É como um remake de Tarantino de The Harder They Come, mas com uma banda sonora de Bob Marley e um guião de Oliver Stone e William Faulkner. (…) Épico em todos os sentidos da palavra. [New York Times]

«Um mergulho intenso num mundo demente, violento e corrupto, feito de forma sublime com recurso à voz de múltiplos narradores… o romance mais original que li em vários anos.» [Irvine Welsh]

«Este romance deveria ser de leitura obrigatória.» [Publishers Weekly]

A chegar às livrarias: Morrer Sozinho em Berlim, de Hans Fallada (trad. de Carlos Leite)



 


Morrer Sozinho em Berlim é o mais importante livro escrito sobre a resistência alemã ao nazismo.
Berlim, 1940. A cidade vive sob o jugo de Hitler, cujas tropas avançam vitoriosamente em várias frentes europeias.
Otto e Anna Quangel recebem uma carta que lhes anuncia a morte do filho na guerra. Perante isto, decidem não permanecer de braços cruzados. Otto inicia com a ajuda da mulher uma arriscada denúncia do regime. Em resposta, o inspetor da Gestapo, Escherich, desencadeia uma perseguição impiedosa.
O resultado é um thriller sobre a resistência no centro do poder nazi.

24.11.16

A chegar às livrarias: Escombros, de Elena Ferrante (trad. de Margarida Periquito)




 
Este livro leva-nos aos bastidores do trabalho de Elena Ferrante, permitindo-nos olhar para as gavetas de onde saíram alguns dos seus romances e para as suas relações literárias com o mundo clássico grego e latino e com Elsa Morante e outros autores que ama.
A escritora responde a perguntas que lhe fizeram os seus leitores e os jornalistas nos últimos 25 anos. Defende que quem escreve um livro faria bem em pôr-se de parte e deixar que o texto siga o seu percurso.
Fala dos pensamentos e da ansiedade que sentiu quando o seu primeiro romance, Um Estranho Amor, foi adaptado ao cinema e de como é complicado para ela encontrar respostas sintéticas para as perguntas de uma entrevista.
Elena Ferrante conta-nos ainda das alegrias e trabalhos de quem narra uma história escavando dentro do seu universo pessoal de experiências e das lembranças, próprias e alheias.
Embora recuse a exposição pública, é assim um dos escritores que mais e melhor explica os seus processos criativos.