15.11.16

A chegar às livrarias: Em Busca do Tempo Perdido, volumes 5 e 6, de Marcel Proust (trad. Pedro Tamen)




 
Em Busca do Tempo Perdido é um livro que tem, nas palavras do seu autor, «a forma do tempo».
E, na verdade, o que distingue este romance é o reforço da sua concepção da memória como recriadora do passado. É isso que permite o misterioso encanto da narrativa e o tom de dolorosa nostalgia em que o passado envolve o presente.
O recurso à memória involuntária faz com que Proust nunca transmita uma realidade de que a sua imaginação esteja ausente.
Ainda muito jovem, conhecia de cor todos os pormenores da vida das damas que tinham frequentado os salões de Paris desde o século xvii, como Madame La Sablière ou Madame de Staël.
E foi precisamente à sensação da decepção em relação ao imaginado que ele sentiu nesses salões parisienses que foi buscar muitas das personagens que povoam o seu universo ficcional, onde o amor e o ciúme ocupam um lugar central.

[PVP: 10,00 cada volume]

14.11.16

A chegar às livrarias: O Egipto e Outros Textos sobre o Médio Oriente, de Eça de Queiroz (Prefácio de Maria Filomena Mónica)



«A 23 de Outubro de 1869, [Eça de Queiroz] com o seu amigo, o conde de Resende, partia, em grande estilo, rumo a Alexandria. Resende levava um cartão-de-visita, identificando-o como “le comte de Resende, grand amiral du Portugal»; Eça, um passaporte diplomático, que dizia ser ele “um encarregado de negócios» (isto é, portador de correspondência diplomática). Dois dias levaram até Cádis. Em Gibraltar, tomaram o paquete inglês Delly, da rota da Índia. A 5 de Novembro, estavam em Alexandria e dois dias depois chegavam ao Cairo. Regiamente instalados no Hotel Shepheard’s, visitaram os monumentos da praxe. A 17 de Novembro, encontravam-se no Suez. Nas festas da inauguração, sentaram-se entre os grandes do mundo. A 26 de Novembro, partiam para Beirute. A 11 de Dezembro, estavam de regresso a Alexandria. A 26 de Dezembro, embarcavam para Lisboa, onde chegaram a 3 de Janeiro de 1870.» [Do Prefácio]

A chegar às livrarias: Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys (trad. de José Carlos Costa Marques)





Antoinette Bertha Cosway, conhecida pelo nome do padrasto, Mason, apareceu pela primeira vez em Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Era a herdeira «crioula» (ou seja, branca das Índias Ocidentais) que Mr. Rochester desposou por ordem do seu pai, e que mais tarde surgiria para Jane Eyre como uma assombração na figura da mulher louca conservada em reclusão e escondida nos sótãos de Thornfield Hall.
Nascida na opressiva sociedade colonialista da Jamaica dos anos 30, Antoinette Cosway conhece um jovem inglês que é atraído pela sua beleza e sensualidade. Contudo, após o casamento, começam a circular boatos que instalam a desconfiança entre o casal. Apanhada entre as exigências do marido e o seu frágil sentido de pertença, Antoinette é levada à loucura e o marido cai nos braços da heroína de outro romance.

«Obcecada pela personagem da primeira Mrs. Rochester de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, Jean Rhys acabará por projetar nela grande parte da sua própria experiência de adolescente no seu país de origem. E é como um pesadelo que essa experiência é reconstituída.» [António Mega Ferreira]

11.11.16

Na morte de Leonard Cohen




A notícia da morte do poeta, cantor e artista, aos 82 anos, foi hoje anunciada na sua página do Facebook (da responsabilidade da editora discográfica).
A Relógio D’Água publicou em 1999 Poemas e Canções, com tradução de Margarida Vale de Gato e Manuel Alberto (Francisco Vale).
A antologia foi escolhida com a participação do próprio autor, e integrando vários poemas inéditos, reúne os principais textos – se exceptuarmos os romances – da sua produção literária e musical. No seu conjunto é uma viagem imaginária através da beleza, do horror, dos extremos do amor e do desespero.


«SUZANNE

Suzanne leva-te com ela
até à sua casa junto ao rio
ouvem-se os barcos passar
podes dormir toda a noite com ela
e embora saibas que está meia louca
é por isso que queres lá estar
e ela oferece-te de comer e beber
chá e laranjas de muito longe da China
E quando vais dizer-lhe
que não tens amor para lhe dar
ela arrasta-te na sua onda
e deixa o rio responder
que sempre foste seu amante
E queres viajar com ela
e queres viajar às cegas
e sabes que ela confiará em ti
pois tocaste o seu corpo perfeito
com o teu pensamento


E Jesus era um marinheiro
quando caminhou sobre as águas
e passou muito tempo a olhar
da sua solitária torre de madeira
e quando soube de certeza
que apenas os náufragos o podiam ver
disse Todos os homens serão marinheiros
até que o mar os liberte
mas também ele estava destroçado
muito antes de se abrir o céu
condenado, quase humano
afundou-se sob a tua sabedoria como uma pedra
E queres viajar com ele
e queres viajar às cegas
e julgas que talvez possas confiar nele
pois tocou o teu corpo perfeito
com o seu pensamento

 
Agora Suzanne pega-te na mão
e leva-te até ao rio
vestida de trapos e plumas
dos balcões do Exército da Salvação
E o sol derrama-se como mel
na nossa senhora do porto
E ela ensina-te onde deves procurar
entre o lixo e as flores
Há heróis nas algas do mar
há crianças na manhã
que se debruçam para o amor
como hão-de sempre debruçar-se
enquanto Suzanne segura o espelho
E queres viajar com ela
e queres viajar às cegas
e sabes que podes confiar nela
pois tocou o teu corpo perfeito
com o seu pensamento»

A chegar às livrarias: O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade


 



O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade, ocupa-se da forma como o homem religioso se esforça por se manter num universo sagrado e da diferença entre a sua experiência de vida e a do homem privado de sentimentos religiosos, daquele que vive ou deseja viver num mundo dessacralizado.
Para a consciência moderna, a alimentação ou a sexualidade não são mais do que fenómenos orgânicos, qualquer que seja o número de tabus que os rodeia. Mas, para o primitivo e para algumas populações atuais, um tal ato é, ou pode tornar-se, um «sacramento», quer dizer, uma comunhão com o sagrado.
O sagrado e o profano constituem duas modalidades de ser no mundo, duas situações existenciais assumidas pelo homem ao longo da sua história. Estes modos não interessam apenas à história das religiões ou à sociologia. Em última instância, os modos de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem ocupa no cosmos.

10.11.16

A chegar às livrarias: Roma, de Nikolai Gógol (trad. de Nina Guerra e Filipe Guerra)





«Roma é um fragmento do romance inacabado “Annunziata”, em que Nikolai Gógol trabalhou entre 1836 e 1839. Numa carta de 1838, Gógol escreveu: “Quando, finalmente, voltei a ver Roma, oh, quanto mais bela me pareceu! Foi como se visse a minha pátria… Não, não é bem assim, não vi a minha pátria, mas a pátria da minha alma… aquela onde a minha alma tinha vivido antes de mim…”»

A chegar às livrarias: Todos os Caminhos Estão Abertos, de Annemarie Schwarzenbach (trad. de Miguel Serras Pereira)




Em 6 de junho de 1939, a escritora suíça Annemarie Schwarzenbach empreendeu uma nova viagem, desta vez na companhia da escritora Ella Maillart.
Saíram de Genebra no Ford Roadster Deluxe que o pai de Annemarie acabara de lhe oferecer. O carro estava repleto de material fotográfico. Percorreram os Balcãs, a Turquia e o Irão, tendo como destino o Afeganistão. Entretanto, na Europa, iniciara-se a Segunda Guerra Mundial, que em breve alcançaria todo o planeta.
Todos os Caminhos Estão Abertos é uma seleção de textos que Annemarie Schwarzenbach escreveu sobre essa viagem. Neles reflete-se a magia das paisagens áridas, a sua curiosidade pelos arcaicos hábitos do Oriente e pela vida das mulheres sob o Islão e o desejo de liberdade. O estilo da narrativa mistura jornalismo e poesia. A vida interior deste «anjo devastado», como a designou Thomas Mann, expande-se pela imensidão da estepe ao mesmo tempo que escuta os distantes ecos da guerra.