4.7.16

Críticos do Expresso recomendam leituras de Verão





Duas obras da Relógio D’Água encontram-se entre as sugestões para ler no Verão, publicadas no último suplemento E do Expresso.

Pedro Mexia recomenda Todos os Contos, de Clarice Lispector:



«Brasileira de origem ucraniana, judia, burguesa inquieta, mulher um tanto fatal, Clarice Lispector escreveu quase uma centena de contos, aqui reunidos pela primeira vez pelo seu biógrafo, Benjamin Moser. Histórias de conformismo e desconforto, poéticas e agrestes: “É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir.”»


José Mário Silva escolheu Fragmentos, de George Steiner:

 


«Neste brevíssimo livro que escapa ao espartilho dos géneros, Steiner inventa fragmentos aforísticos, supostamente descobertos num pergaminho carbonizado de um sábio grego, Epicarno de Agra. Pretextos engenhosos, no fundo, para reflexões teóricas sobre temas intemporais, mas também para um subtilíssimo esboço autobiográfico.»

Sobre Cinco Escritos Morais, de Umberto Eco




«“O fascismo eterno” é, de certa maneira, pela sua ambição, a “peça de resistência” desta coleção. Começou por ser uma conferência proferida em inglês nos Estados Unidos e foi publicado em letra impressa pela primeira vez num jornal literário americano sob o título aqui conservado – mas em Itália e noutras versões chamou-se ‘Totalitarismo fuzzy e Ur-fascismo’. O ur-fascismo deste ensaio não é “o fascismo imenso e rubro” da Alemanha Nacional-Socialista dos anos 30, que fascinou tantos corações juvenis e cegou até olhos tão límpidos como os do grande escritor francês Robert Brasillach. O regime nazi, para Eco, não foi um “fascismo”, foi um totalitarismo, como o comunismo. Eco não confunde “fascismo” e “totalitarismo”, nem “fascismo” e “ditadura”. Mas não quer limitar a sua definição de fascismo ao único “fascismo” histórico. O “fascismo eterno” é, para ele, uma nebulosa em que se acotovelam e se contradizem culto da tradição, rejeição do modernismo, medo da diferença, irracionalismo, a obsessão da conspiração, a “vida pela luta” em vez da “luta pela vida”, o paradoxo de um elitismo de massas, um culto do heroísmo “habitual” em que “o herói fascista aspira a morrer” (os bombistas suicidas do Daesh podem com qualquer utilidade ser considerados heróis “fascistas?”), etc., etc., mas de que também têm um ar de família o “populismo qualitativo da TV e da internet” – em que a resposta emotiva de um grupo selecionado de cidadãos pode ser apresentado e aceite como a “voz do povo” – ou a tirania do “politicamente correcto”. Fascismo e fascista são termos que perderam qualquer rigor ou utilidade e se transformaram numa tautologia, numa fraqueza de expressão ou numa arma de arremesso retórica: tudo o que quem quer que seja considera politicamente nefasto é “fascismo” – tudo o que é “fascista” é criminoso.» [Miguel Freitas da Costa, Observador, 1-6-2016]

1.7.16

Sobre Os Livros da Selva, de Rudyard Kipling




«Se olharmos para estas histórias também como fábulas alegóricas da espécie humana, parecem-nos irredutivelmente justas, generosas e brutais a um só tempo, cheias de complexidades e livres de esterótipos. O homem não ocupa um lugar superior entre as outras espécies e é frequentemente comparado com os macacos (“vaidosos, tolos e tagarelas é o que os macacos são”, afirma Kaa, a cobra gigante. Mas sofre igualmente com “toda a casta de acidentes que pode acontecer ao Povo da Selva”, como fica claro no conto “como o medo chegou”: a seca prolongada traz a fome e a sede, levando os animais a recuperarem velhos pactos de sobrevivência. (…)
Se a visão do mundo de Kipling perdeu sentido, o mesmo não se pode dizer destes contos que podem ser lidos de forma corrida ou seletiva, pois nem todos têm Mogli como personagem. Elaborada mas fluente, viva nos diálogos, sempre refletida, nessta prosa se refletem muitas das questões ecológicas, políticas e filosóficas que estão na ordem do dia.» [Ler, Verão de 2016]

Da União Europeia para a Grã-Bretanha



De: Escritores e Pensadores da UE
Para: Grã-Bretanha
Assunto: Brexit
Autores como Elena Ferrante, Jonas Jonasson ou Slavoj Žižek, no início do mês, escreveram cartas à Grã-Bretanha acerca da sua permanência ou não na União Europeia.


Essas cartas foram publicadas no The Guardian e ser lidas aqui.

Sobre Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell




«Em Norte e Sul, grande parte da acção tem lugar em Milton (cidade fictícia no Norte de Inglaterra, sujo e fumarento), e a principal protagonista é originária do Sul, rural e aristocrático, dando deste modo ao narrador/autor a possibilidade de tecer considerações sobre ambas as perspectivas. (…)

Norte e Sul é um “romance social” do século XIX construído na oposição entre lugares, entre perspectivas, entre a tradição e a modernidade, e onde, curiosamente, há um olhar declarado sobre os papéis de género que, à época, estavam bem marcados e definidos.» [José Riço Direitinho, ípsilon, Público, 24-6-2016]

Sobre Cândido ou O Otimismo, de Voltaire




No programa Livro do Dia de 24 de Junho, na TSF, Carlos Vaz Marques falou sobre Cândido ou O Otimismo, de Voltaire (trad. de Júlia Ferreira e José Cláudio). O programa pode ser ouvido aqui.

Tove Jansson na Noite da Literatura Europeia


 


A Noite da Literatura Europeia aconteceu no passado dia 4 de Junho, das 19h às 24h, em vários espaços emblemáticos da zona do Carmo/Trindade, em Lisboa.

Durante este serão, tiveram lugar leituras, por 14 atores portugueses, de excertos de obras de 10 escritores europeus. Tove Jansson, de quem a Relógio D’Água publicou A Família dos Mumins e O Cometa na Terra dos Mumins, foi a escritora finlandesa em destaque. Neste acontecimento, os actores Paula Sá Nogueira e Raimundo Cosme leram excertos de O Cometa na Terra dos Mumins.