27.1.14

A chegar às livrarias: Vida após Vida, de Kate Atkinson





Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, um bebé nasce e morre sem que tenha tempo de respirar. Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, o mesmo bebé nasce e vive para poder contar a aventura. E se existissem segundas oportunidades? E terceiras? E se tivéssemos um número infinito de possibilidades para viver? Poderíamos salvar o mundo do seu inevitável destino? Seria esse o nosso desejo?
 

«É tempo de recordar as leituras mais estimulantes do ano: o romance inesgotavelmente engenhoso de Kate Atkinson: Vida após Vida (...).»
[Hilary Mantel, The Observer, «Best Books of 2013»]


«Vida após Vida, de Kate Atkinson, é um romance de absoluta beleza, e a sua estrutura é das mais originais e subtis que li em muitos anos. Um romance brilhante, afável e audacioso, cujo futuro, suspeito, inclui palavras como acessível e clássico. (...)»  
[Ali Smith, The Observer, «Best Books of 2013»]
 

«Kate Atkinson é maravilhosa. Não existem adjetivos suficientes para descrever Vida após Vida: deslumbrante, espirituoso, comovente, alegre, sentimental, intenso. Descontroladamente inventivo, profundamente sentido. Hilariante. Humano. Em poucas palavras: um dos melhores romances que li neste século.»
[Gillian Flynn, autora de Em Parte Incerta]


Vida após Vida venceu o Costa Book Award 2013.

A chegar às livrarias






Virginia Woolf nasceu em Hyde Park Gate em 1882. A mãe morreu quando ela tinha 13 anos. O seu pai era o crítico literário Sir Leslie Stephen. Após a morte deste em 1904, Virginia mudou-se para a casa do irmão Thoby e da irmã, a pintora Vanessa Bell, em Bloomsbury, onde estes se reuniam com outros escritores e artistas, incluindo Lytton Strachey, Keynes e Roger Fry. Essa foi a origem do célebre Bloomsbury Group. Entre os seus participantes estava também Leonard Woolf, com quem Virginia se casou em 1912.
O primeiro romance de Virginia Woolf, A Viagem, foi editado em 1915, mas seria O Quarto de Jacob (1922) a suscitar o seu reconhecimento como uma escritora inovadora. Essa evolução seria confirmada em Mrs. Dalloway.
A sua abordagem modernista foi desenvolvida em Rumo ao Farol, em As Ondas, Entre os Atos e vários dos seus contos.
Virginia Woolf morreu a 28 de março de 1941, em plena II Guerra Mundial.
Tinha então quase sessenta anos, publicara nove romances, sete volumes de ensaios, duas biografias, um diário e vários contos.

Sobre O Nome Negro, de António Carlos Cortez





No Diário de Notícias de 20 de Janeiro, Joana Emídio Marques conversou com António Carlos Cortez a propósito do seu último livro de poesia, O Nome Negro: «António Carlos Cortez recusa fazer de conta que não se insere numa tradição poética e num tempo que já foi contado e cantado por outros. Faz-se acompanhar de Camões, de Sá de Miranda, de Cesário Verde, de Ruy Belo, de Gastão Cruz e recusa a atual poesia portuguesa que “sendo levada ao colo pelos media” e “sabendo criar dispositivos de marketing” se impôs “fazendo tábua rasa de tudo o que está para trás, fazendo tábua rasa da linguagem e resumindo a poesia a narrativas do quotidiano”. (…)

O Nome Negro nasceu de um verso “roubado” a Herberto Helder, onde se pensa sobre “as palavras como um buraco negro que suga impiedosamente o real”, explica o poeta antes de explicar que “a poesia tem de ter uma dimensão de choque. Não tem de ser simpática, salvífica. Pois o poema é a tentativa de resgatar o que já se perdeu. É uma obsessiva procura de dizer o real sem nunca o conseguir.”»

21.1.14

Quase todo o Joyce no Diário de Notícias






No DN de 18 de Janeiro, João Céu e Silva faz um sistemático trabalho sobre a edição de várias obras de Joyce publicadas pela Relógio D’Água nos últimos dois anos. Entrevista o editor da Relógio D’Água sobre a publicação de Ulisses e os diferentes tradutores que se encarregaram da passagem das obras para o português.



Jorge Vaz de Carvalho, tradutor de Ulisses: «é o autor da nova tradução de Ulisses, uma tarefa que lhe demorou mais de dois anos e em muitos períodos trabalhando dez horas por dia. “O tempo mais bem empregue que poderia desejar.” Após o convite da Relógio D’Água, cumpriu-se o desejo de sempre traduzir Ulisses: “É, para mim, com Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, a mais importante obra de ficção do século XX. Apesar de ser um texto a que regressava regularmente, fazê-lo na qualidade de tradutor cria novas perspetivas para um conhecimento aperfeiçoado.”»




Margarida Periquito, «tradutora de Dublinenses, que iniciou há dois anos e em simultâneo com os seus pares envolvidos neste projeto da Relógio D’Água, considera que todos os autores e obras apresentam as suas dificuldades mas não encontrou nestes contos de Joyce mais dificuldades do que em autores como Joseph Conrad, Bram Stoker, Pirandello ou Leopardi. Acrescenta que é sempre importante conhecer factos da vida de um autor, bem como outras obras suas, para melhor interpretar o seu trabalho literário com vista à tradução.»





Paulo Faria, tradutor de Retrato do Artista quando Jovem: “é uma torrente de palavras, um objeto orgânico, desenfreado, em que coisas belas e feias, palavras belas e feias, se entrelaçam na prosa em lugar de destaque. O autor, aliás, esfrega-nos esta beleza e esta fealdade na cara de propósito, deliberadamente”. Para o tradutor, James Joyce não é um autor sobrevalorizado, antes pelo contrário: “É um escritor pouco lido por exigir ao leitor o mesmo que exigia aos seus familiares, conterrâneos e contemporâneos: que o acompanhassem na sua odisseia sem fazerem concessões.”»




José Miguel Silva, tradutor de Cartas a Nora: “não precisávamos destas cartas para saber que o sentimentalismo e a obscenidade conviviam muito familiarmente dentro de James Joyce, que o autor transitava facilmente entre as altas esferas da especulação intelectual e linguística e os baixios da pornografia. Para tal basta ter lido algumas páginas de Ulisses.”

 


«É o primeiro livro do escritor, de 1907, que reúne 36 poemas num estilo elisabetiano, com arcaísmos linguísticos e na intenção de serem musicados.» [Faltou apenas entrevistar, por ter sido impossível o contacto, João Almeida Flor, tradutor do livro de poemas Música de Câmara.]

20.1.14

Ulisses no Expresso





 

No suplemento Atual do Expresso de 18 de Janeiro, Luís M. Faria faz uma crítica à nova tradução de Ulisses, feita por Jorge Vaz de Carvalho: «Ulisses pertence à categoria dos livros que, não sendo impossíveis de traduzir, o são quase. Em português de Portugal existia uma única versão, feita há décadas e muito criticada. No Brasil há outras três. Esta que agora surge na Relógio D’Água promete ser referência durante bastante tempo. É trabalho de Jorge Vaz de Carvalho, um poeta, ensaísta e tradutor igualmente com atividade noutras áreas artísticas.»

 

Em entrevista no Atual a Jorge Vaz de Carvalho:


«Quando o convidaram para fazer esta tradução, aceitou logo.
Sim. Conhecia há muito o Ulisses e fui sempre convivendo com ele. Não apenas o dei na faculdade como, durante o meu doutoramento, estive num seminário magistral sobre ele dado pelo professor António Feijó. Li-o várias vezes, mesmo em italiano, quando vivi fora. No entanto, quando se trata de passar à língua portuguesa um lviro destes, por mais fresco que esteja, começam dificuldades de que nem suspeitamos.
 

Tinha alguma secção preferida?
A do Joyce era a Ítaca…


A do “catecismo”.
Sim. E é a minha preferida também.

Foi aliás o tema do meu trabalho para o António Feijó. É um capítulo verdadeiramente extraordinário. O Ulisses, como toda a gente sabe, é o livro da rutura absoluta com os cânones da ficção, sobretudo oitocentista. Aquele tipo de pergunta-resposta, no fundo, é o tipo de perguntas e respostas que o autor faz a si próprio quando tem de descrever, anrrar, formular diálogos…»

Sobre Enxaqueca, de Oliver Sacks





«Enxaqueca, o primeiro livro de Oliver Sacks (saiu em 1970; esta é a versão revista e aumentada de 1992), contém já todos os seus elementos típicos: um tema médico relacionado com o cérebro tratado por um especialista que é ele próprio um feixe de sintomas; referências à presença do assunto na História e na cultura; discussão de manifestações, causas, tratamentos; e casos clínicos. Essencial é o facto de a enxaqueca poder requerer abordagens terapêuticas não exclusivamente físicas, ao contrário, digamos, de uma alergia.» [Luís M. Faria, Expresso, atual, 11-1-2014]

17.1.14

Sobre As Partículas Elementares, de Michel Houellebecq




«Michel Houellebecq, nascido em 1956, é um dos mais importantes, e polémicos, poetas, romancistas e ensaístas franceses contemporâneos. O seu último romance, O Mapa e o Território, recebeu o Prémio Goncourt em 2010. A presente obra, datada de 1998 tem como protagonistas dois meios-irmãos totalmente opostos. Um, obcecado sexual, vive apenas para o corpo e pelo corpo, o outro vive somente através do seu espírito matemático, onde tudo se organiza meticulosamente em detrimento das emoções que já não é capaz de sentir. A descrição pormenorizada destes dois universos permite ao escritor revelar a sua visão do mundo e da História, impregnada de um realismo profundamente pessimista sobre as relações humanas. Uma escrita impessoal e quase técnica dá-nos conta da frieza da sua perspetiva sobre a breve ilusão da felicidade, a implacável realidade da morte e a profunda crise afetiva e sexual da sociedade ocidental.» [Agenda Cultural de Lisboa]