30.12.13

Sobre Antigo Testamento


No jornal i de sábado, 21 de Dezembro, é APROVADO o Antigo Testamento, com ilustrações de Marc Chagall: «E eis que um dos livros mais antigos de sempre, um dos mais revisitados e fundamentais, em vários sentidos, nos chega agora mais fresco do que nunca. Falamos do Antigo Testamento, que nesta nova edição vem intercalado com ilustrações de Marc Chagall. O artista russo, nascido em 1887 e naturalizado francês, começou a ilustrar a Bíblia em 1930. Este trabalho acabou por se converter num projecto de vida.»


Rui Nunes e Joyce no JL


No Jornal de Letras de 11 a 24 de Dezembro, Jorge Listopad escreve sobre Armadilha, de Rui Nunes.

«Livro de exílio, autobiográfico ao de leve, isto é, de outro modo, lembrando uma outra autora enganadora da morte, Gabriela Llansol, ambos “passo a passo desenhando o mapa”, segundo as primeiras linhas do autor. (…) Estamos ou não algures no barroco espanhol perto de Gôngora? Porém, humaníssimo, que sabe o que vale o mundo de hoje e esse mundo de hoje confia-o a uma palavra exacta: ou melhor a 50 páginas de grande prazer lento, de música, antes de se fechar a escrita da vida.»




No mesmo número do Jornal de Letras, «Só podia ter ficado para último. Em 2012, a Relógio D’Água anunciou a publicação das principais obras de James Joyce, num esforço editorial sem precedentes em relação ao escritor irlandês. Novas edições, com novas traduções e grafismo uniformizado, da poesia, dos contos, de algumas cartas e dos romances.»

20.12.13

Porquê uma nova tradução de Ulisses?



 

No seu blogue, Da Literatura, Eduardo Pitta afirma, a propósito da recente tradução de Ulisses por Jorge Vaz de Carvalho, que «não faz sentido acrescentar uma tradução às precedentes se o tradutor não explicar as suas “razões”», tendo «de haver uma razão muito forte para o fazer». Antes, lembrara que existiam já cinco edições em língua portuguesa (quatro no Brasil, entre as quais a recente e premiada de Caetano Galindo, e a portuguesa de João Palma-Ferreira).
Qualquer leitor atento, e, por maioria de razão, um crítico, entenderá os critérios de tradução que Jorge Vaz de Carvalho seguiu lendo algumas páginas da sua tradução.
E, do ponto de vista do editor, a existência de quatro traduções brasileiras não poderia ser considerada razão para não publicar uma nova em Portugal.
As significativas diferenças de sintaxe e léxico entre os dois países são potenciadas numa obra em que abundam as construções invulgares, diferentes linguagens, inúmeros neologismos e um léxico de cerca de 30 mil palavras.
Algumas páginas da apenas razoável tradução de Antônio Houaiss e da bem mais conseguida, sobretudo na primeira parte, de Caetano Galindo são difíceis e penosas para um leitor português.
Resta a tradução de João Palma-Ferreira, de há 29 anos. Somos da opinião de que cada geração deve ter uma nova tradução dos clássicos, pois, ao contrário do que sucede com os textos originais, elas sofrem a usura do tempo.
A tradução de João Palma-Ferreira é esforçada. Mas muitas vezes se recusa a enfrentar os problemas colocados pela escrita de Joyce, recorrendo a paráfrases explicativas. Além disso, Palma-Ferreira foi influenciado pela opinião de Stuart Gilbert, forçando as analogias com a Odisseia de Homero, paralelismo que o próprio Joyce abandona na edição em livro (suprimindo até os títulos que o sugeriam quando fora sendo publicado em revistas).
Transforma assim os ecos genéricos da Odisseia em situações concretas. Um caso-limite é a comparação que Palma-Ferreira faz (em nota nas páginas 796-797) entre o conhecido monólogo de Molly Bloom e o episódio de Penélope da Odisseia. Ora, nada há de semelhante entre o desenvolto, inorgânico e por vezes quase obsceno monólogo de Molly Bloom e a imagem de persistente lealdade da Penélope de Homero. Para forçar o que considera uma analogia óbvia, Palma-Ferreira chega ao ponto de referir, em defesa da sua tese, que Penélope era filha de um espartano e Molly de um membro da guarnição britânica de Gibraltar.


Francisco Vale

Lançamento de O Nome Negro hoje na Livraria Barata





Será hoje apresentada a obra de poesia O Nome Negro, do poeta e crítico António Carlos Cortez, pelas 18h30, na Livraria Barata, na Avenida de Roma, n.º 11 – A, em Lisboa.

A apresentação será feita por Luís Quintais e o actor Luís Lucas lerá alguns poemas.

Sobre Ulisses, de James Joyce

 



«As personagens passam a vida a encontrar-se durante as suas peregrinações pela cidade de Dublin nesse dia. Joyce nunca deixa de as controlar. Com efeito, vão, vêm, encontram-se, separam-se, voltam a encontrar-se como partes vivas de uma cuidada composição, numa espécie de lenta dança do destino. Um dos traços mais apelativos do livro é a periodicidade de certos temas. Esses temas estão muito mais definidos, muito mais deliberadamente seguidos, do que os que encontramos em Tolstoi ou Kafka. Toda a obra, como iremos gradualmente verificando, é uma deliberada teia de temas recorrentes e a sincronização de acontecimentos triviais.» [Vladimir Nabokov, Aulas de Literatura, Relógio D’Água, 2004]

Sobre Guerra e Paz, de Lev Tolstoi




«Não há divisão entre a arte de Tolstoi e a sua filosofia, tal como não há meio de separar a ficção e a discussão sobre a história em Guerra e Paz. Como o próprio Tolstoi bem declarou, Guerra e Paz “não é um romance” e “ainda menos uma crónica histórica”, mas “o que o autor quis e conseguiu exprimir, na forma em que está expresso”. (…) Guerra e Paz foi um desafio calculado ao género do romance e à narrativa em história. Tolstoi procurou uma verdade diferente – uma que captasse a totalidade da história, como foi experimentada, e ensinasse as pessoas a viver.» [Orlando Figes, The New York Review of Books, 22-11-2007]

18.12.13

José Gil na Sic Notícias







José Gil falou com Mário Crespo sobre Cansaço, Tédio, Desassossego, no Jornal das 9 da Sic Notícias, dia 16 de Dezembro de 2013.