13.12.13

A Relógio D’Água no primeiro trimestre de 2014



De Janeiro a Março de 2014, a Relógio D’Água irá publicar, entre outras, as seguintes obras:
 


Janeiro

As Vidas de Ursula Todd (título provisório), de Kate Atkinson (trad. José Miguel Silva)
Assim para Nós Haja Perdão, de A. M. Homes (trad. Miguel Serras Pereira
Fogo Pálido, de Vladimir Nabokov (trad. Telma Costa)
As Nuvens e o Vaso Sagrado, de Maria Filomena Molder


 
Fevereiro

Contos e Diários, de Isaac Bábel (trad. Nina e Filipe Guerra)
Os Lança-Chamas, de Rachel Kushner (trad. Telma Costa)
As Terras Baixas, de Jhumpa Lahiri (trad. Inês Dias)
200 Poemas, de Emily Dickinson (trad. Ana Luísa Amaral)
Como Nasceram as Estrelas, de Clarice Lispector (livro infantil)
Imagem da Fotografia, de Bernardo Pinto de Almeida



Março

Douro. Rio, Gente e Vinho, de António Barreto
Surfacing, de Margaret Atwood (trad. José Miguel Silva)
Vidas de Raparigas e Mulheres, de Alice Munro (trad. Miguel Serras Pereira)
Enredos, de Rui Nunes
O Desconhecido do Norte-Expresso, de Patricia Highsmith (trad. Rogério Casanova)
Ensaios, de Virginia Woolf (trad. Ana Maria Chaves)

Nos Trópicos sem Le Corbusier, de Ana Vaz Milheiro, recebe Prémio AICA/Fundação Carmona e Costa






 

O Prémio de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitetura AICA/Fundação Carmona e Costa relativo ao biénio 2011/2012 foi atribuído a Ana Vaz Milheiro pela obra Nos trópicos sem Le Corbusier, publicado pela Relógio de Água em 2012 (ex aequo com Nuno Faria, pela obra Para Além da História).
O júri, constituído por Joaquim Moreno, Paulo Pires do Vale e Delfim Sardo, considerou que «o livro de Ana Vaz Milheiro agrega um conjunto de ensaios críticos pioneiros sobre um objeto histórico que importava abordar: o trabalho dos gabinetes de projeto coloniais na África sob dominação portuguesa durante o Estado Novo. O júri salienta a qualidade e o rigor da informação reunida e agora disponibilizada.»
A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar na sede da Fundação Carmona e Costa no dia 7 de Janeiro pelas 18h00.


«Um prefácio é uma lente montada sobre um livro segundo uma determinada perspetiva. (…) Quando o livro é uma coleção de textos a questão agudiza-se (…). A não ser que constituam um corpo coerente e tenham sido organizados com princípio(s) claro(s). É esse o caso do Nos Trópicos sem Le Corbusier, coletânea com um título sugestivo, expressão clara do conteúdo (…). Se o título (que é também o do último texto) define o tempo, o subtítulo (Arquitectura luso-africana no Estado Novo) diz-nos, aqui equivocamente, qual é o espaço. Revela-nos ainda mais: qual é o contexto sociopolítico, histórico.
Há outras teses neste conjunto de textos. (…) Gosto da forma como se insinuam através de contextualizações mais aprofundadas do que tem sido comum na historiografia especializada nesta temática e cronologia. Note-se, por exemplo, como emergem as diferenças, que por certo agora a autora estará a desenvolver, entre os contextos e resultados da produção arquitetónica na Guiné, Angola e Moçambique.» [Walter Rossa]

As escolhas de Eduardo Pitta



 

No blogue DaLiteratura, de Eduardo Pitta, são escolhidos, pelo «prazer do texto», 10 livros saídos em 2013. Entre eles estão É assim Que A Perdes, de Junot Díaz, e Amada Vida, de Alice Munro.

Sobre As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, de Ana Teresa Pereira:





No ípsilon de 13 de Dezembro de 2013, Hugo Pinto Santos escreve sobre As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, de Ana Teresa Pereira:

«Esta é uma história intoxicada pelas sensações experimentadas no palco, seduzida pela vertigem do teatro, o qual fornece a sugestão do título do romance e lhe atribui as tábuas que as personagens pisam. Mas não por muito tempo. (…) As personagens de Ana Teresa Pereira estão permanentemente a deslizar entre a ficção e a realidade, e vice-versa – sempre a encontrar corredores que as sugam de um ponto para outro, ambos igualmente ínvios, igualmente terríveis. Com progressiva mas decidida anulação dessas categorias enquanto casulos calafetados – “Kate comprara um caderno barato e escrevera a peça, ao longo de duas noites” (p.43). Como o Orlando de Virginia Woolf, estas personagens parecem atravessar as eras – muitas vezes mantendo o nome.»

 

12.12.13

Guerra e Paz, de Lev Tolstoi

 



Guerra e Paz narra a invasão da Rússia por Napoleão e os efeitos que o acontecimento teve na vida da aristocracia, dos militares e da população envolvida no conflito.
A maior parte dos oficiais era originária das famílias nobres e as separações e perigos da guerra tornavam mais intensas todas as relações pessoais e, em particular, as amorosas.
Os hábitos sociais, as relações sentimentais e o declínio de algumas das mais importantes famílias de Petersburgo e Moscovo são apresentados com distanciamento ou irónica ternura.
Neste romance surgiram algumas das mais perduráveis personagens da literatura, o íntegro príncipe Andrei, o insólito Pierre Bezúkhov e a fascinante Natacha Rostova, que se tornaria indispensável para qualquer um deles.
Com esta obra e a sua apresentação em mosaico de grandes painéis da vida russa onde se movimentam centenas de personagens num período de convulsões militares, Tolstoi realizou o seu projeto de se confrontar com o Homero da Ilíada e da Odisseia.

«O maior de todos os romancistas — que outra coisa poderíamos dizer do autor de Guerra e Paz!» [Virginia Woolf]




«O que é Guerra e Paz?
Não é um romance, nem um poema e ainda menos uma crónica histórica. Guerra e Paz é o que autor quis e conseguiu exprimir, na forma em que está expresso. Uma tal manifestação de negligência por parte de um autor com as formas convencionais de uma obra em prosa poderia parecer presunção se fosse intencional e sem precedentes. Mas a história da literatura russa, desde os tempos de Púchkin, oferece múltiplos exemplos que se afastam dessa forma a que poderíamos chamar europeia, não se limitando a oferecer-nos apenas um exemplo contrário. Desde Almas Mortas de Gogol até A Casa dos Mortos de Dostoievski, no novo período da literatura russa, não há uma única obra de arte em prosa, acima da mediocridade, que se ajuste à forma de romance, poema épico ou conto.

O carácter da época
Alguns leitores, após o surgimento da primeira parte, disseram-me que o carácter da época não estava suficientemente definido na minha obra. A esta crítica respondo o seguinte: sei bem em que consiste o “carácter da época” que alguns leitores não encontram na minha obra. São os horrores da servidão e da plebe, as mulheres encerradas entre quatro paredes, as chicotadas nos filhos adultos, etc. Não creio que este “carácter da época” que vive na nossa imaginação se ajuste à verdade e não quis representá-lo. Nos meus estudos de cartas, diários e tradições não encontrei nem atrocidades, nem violências maiores do que as que se podem encontrar hoje ou em qualquer outra época (…).»
[Lev Tolstoi, em «Umas palavras acerca de Guerra e Paz», publicado em 1868, na revista Antiguidade Russa.]

11.12.13

Ípsilon destaca Armadilha, de Rui Nunes



 
No suplemento ípsilon do jornal Público de 6 de Dezembro, fez-se um balanço da actividade editorial em 2013, destacando algumas edições.
Na selecção de obras de ficção, literatura e de viagem e poesia, Armadilha, de Rui Nunes ocupou o terceiro lugar ex aequo (com Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi).
Sobre esse livro António Guerreiro escreveu: «Se, à maneira de Bataille, buscássemos na literatura contemporânea uma relação entre a literatura e o mal, este livro de Rui Nunes integraria, destacado, o corpus da literatura malvada, que desdenha da beleza, da verdade, da harmonia, da totalidade e de tudo o que faz as delícias do humanismo literário. Com uma violência nietzschiana, ele destrói a gramática da língua e da narrativa e serve-nos uma paisagem de fragmentos e destroços, testemunha de experiências terríveis.»
No início de 2014, a Relógio D’Água irá publicar Enredos, de Rui Nunes.


 
O livro Uma Viagem no Outono, também de Rui Nunes, e A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector, figuram ainda no top 20.

 


Na selecção de vinte obras de ensaio, encontram-se duas editadas pela Relógio D’Água: A Potência do Pensamento, de Giorgio Agamben, e Martin Heidegger, de George Steiner.


 

10.12.13

A Relógio D'Água na Ler de Dezembro de 2013



Rogério Casanova e as personagens de Alice Munro



Na Ler de Dezembro de 2013, Rogério Casanova critica o conceito de «vidas banais» com que Inês Pedrosa caracterizou os contos de Alice Munro.
Num artigo irónico e contundente, Casanova afirma que «Alice Munro, embora não tenha propriamente um estilo pirotécnico, tem sido uma das mais radicais inovadoras a trabalhar este formato, conseguindo, com as suas narrativas feitas de antecipações e arrependimentos, e a sua manipulação de esquemas temporais, criar obras-primas de 30 páginas com maior impacto emocional que muitos romances. Ou que o seu aparente provincianismo não é um sinónimo de limitações ou de homogeneidade, mas sim um pretexto para cenários tão grotescos e efeitos tão perversos como os de Faulkner ou Flannery O’Connor.»
 

No mesmo número da revista, na secção «Livros na Estante», são referidas três obras publicadas pela Relógio D’Água.
 

 
«Uma novela e três contos: eis mais um regresso de Ana Teresa Pereira ao seu universo fechado, denso, coerente; ao teatro dos personagens e dos fantasmas. A escrita, como sempre, é exemplar.»

 
«Neste volume de ensaios pessoanos, o filósofo analisa vários aspetos da “vida heteronímica”, explorando o modo como este plano da criação literária de Fernando Pessoa se articula com o plano da “vida real”.»




«Cormac McCarthy decidiu escrever um argumento original para cinema, realizado por Ridley Scott. Saiu esta história frenética, sobre um homem que se mete com as pessoas erradas, na altura errada.»