10.12.13

Sobre O Conselheiro, de Cormac McCarthy



 

«Desafio escrito em forma de guião, “O Conselheiro” chegou ao grande ecrã pela mão de Ridley Scott, uma história moral sobre a amoralidade que a Relógio D’Água passou ao papel, traduzida como habitualmente por Paulo Faria. Um livro para incondicionais de Cormac, que lhe reconhecerão o universo e o pessimismo.» [Sugestão de Ana Cristina Leonardo, Expresso, Atual, 7-12-2013]

9.12.13

Entrevista a Rui Nunes





Rui Nunes, ficcionista e professor de Filosofia, em entrevista a Alexandra Carita, «reflete sobre o conceito de pátria num momento em que a viagem é determinante para esbater fronteiras que se reforçam


AC: E “quem da pátria sai a si mesmo escapa”, como pergunta no título de um livro seu? 

RN: Não. O problema é esse. Sair da pátria é relativamente fácil, escapar a nós próprios é que é difícil. Isto é, escapar daquilo que a pátria foi fazendo em nós e daquilo que nós somos. Disso é difícil escapar.

AC: E como escapamos da pátria?

RN: Continuando a subvertê-la. É a ilha dos subversivos, dos excluídos, que vai contribuir para a destruir. São os outros, os diferentes que vão destruir o que resta dessa pátria. Porque a Europa vai sentir um dia a ira daqueles que excluiu e daqueles que viram morrer os seus como lixo às portas dessa pátria mítica. A Europa vai pagar isto. E essa ira vai contribuir para dar um passo em frente.

AC: Quando regressa a Portugal também encontra essa ira nos excluídos?

RN: Não. Aquilo que me perturba em Portugal é a mansidão. Isto é terrífico. Este povo foge, não enfrenta.»

[Da entrevista de Alexandra Carita a Rui Nunes, Expresso, Atual, 30-11-2013]

6.12.13

Mesa-Redonda sobre Alice Munro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa





A Faculdade de Letras e o Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa convidam para “As casas de Alice Munro”, um tributo à escritora canadiana Alice Munro, galardoada com o prémio Nobel da Literatura de 2013. O evento terá lugar no dia 9 de Dezembro, no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre as 16h00 e as 18h00, e consistirá numa mesa-redonda (em português), seguida de uma sessão de leitura bilingue.

A mesa-redonda, moderada pela Prof.ª Marijke Boucherie (CEAUL), contará com a participação da Prof.ª Laura Bulger (Centro de Estudos em Letras), de Francisco Vale (editor da obra da escritora canadiana em Portugal), José Mário Silva (crítico literário) e Sara Henriques (CEAUL). Seguir-se-á uma sessão de leitura de excertos da obra de Alice Munro em inglês e em tradução portuguesa.

A entrada é livre.

5.12.13

Um Jantar Muito Original seguido de A Porta, de Fernando Pessoa






 

Um Jantar Muito Original e A Porta são dois contos escritos entre 1906 e 1907 por Fernando Pessoa, usando a língua inglesa e o heterónimo de Alexander Search, por ele próprio definido como «um habitante do inferno». São contos fantásticos, centrados na perversidade, no mistério e na loucura e em ambos pode ver-se alguma influência de Poe. Um Jantar Muito Original teve uma discreta divulgação em 1978. De A Porta, que permaneceu muito tempo inédito, publica-se a parte decifrável. O trabalho de recolha e tradução dos textos foi feito por Maria Leonor Machado de Sousa, conhecida investigadora da obra de Pessoa e da literatura fantástica portuguesa.


Qualquer um dos contos tem um interesse próprio. Mas ambos, e sobretudo A Porta, revelam aspectos importantes de Fernando Pessoa, que reconheceu entre as suas «complicações mentais» «o medo da loucura, o qual, em si, já é loucura».


Por outro lado, como o mostrou Yvette K. Centeno no artigo Fernando Pessoa e o Ocultismo, os poemas escritos por Pessoa com o nome de Alexander Search evidenciam que «a sua preocupação com o mundo do oculto não foi um episódio casual do final da sua vida, mas qualquer coisa que, cedo enunciada, o acompanharia sempre». É esse o caso de Soul-Symbols, onde diz que «tal como numa visão aberta pelo ópio, o meu ser profundo tornou-se um mistério»; de The Curtain, em que o mistério do ser se transforma em medo à loucura, em horror; ou de The Circle, onde se relata o «humor cabalístico» do poeta no momento em que desenha o círculo que devia ser mágico e se revela um fracasso. É essa preocupação com o oculto, revelada nos poemas de Alexander Search, que surge sob a forma de fantástico nos seus contos Um Jantar Muito Original e A Porta.

Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa






Esta é a sexta edição do Livro do Desassossego organizada por Teresa Sobral Cunha. Resulta da continuação do seu trabalho de investigação iniciado há mais de trinta anos quando assinou com Jacinto do Prado Coelho e Maria Aliete Galhoz a primeira publicação do Livro do Desassossego.
Esta nova edição determinou, com sempre, regressos ao espólio, acertos nas transcrições e na discursividade, bem como a perseverança autoral de um heterónimo e de um semi-heterónimo que sucessivamente se responsabilizaram pela sua redacção: Vicente Guedes e Bernardo Soares.


«Na prosa se engloba toda a arte – em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão directamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão directamente, nele mesmo, sem corpo formal, nem aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquitecto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezes; a realidade que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado em uma ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual.
Creio bem que, em um mundo civilizado perfeito, não haveria outra arte que não a prosa.» [Do Livro do Desassossego]

3.12.13

Ulisses, de James Joyce





Ulisses, de James Joyce, «é considerado por muitos o grande clássico literário do século XX e é uma das obras mundiais mais dificeis de traduzir (…) e já tem nova tradução de Jorge Vaz de Carvalho, com publicação feita pela Relógio D´Água e já disponível nas livrarias.
Considerado por muitos o monte Everest literário do século XX, a sua tradução é considerada um feito hercúleo desde 1922 (data da sua publicação) – vista enquanto pináculo do modernismo, romance que rompe com os demais convencionalismos da época, embarca o leitor numa leitura com difícil atrito, já que sustenta um mundo joyceano complexo onde vigora uma confluência de fluxos de consciência individuais entre os personagens, trocadilhos, coloquialismos, neologismos e linguagem popular.
Ulisses, pela primeira vez traduzido em Português do Brasil por António Houaiss em 1966, só ganha uma primeira tradução portuguesa mais de duas décadas depois, em 1989, por João Palma-Ferreira.
James Joyce influenciou vários escritores, como Faulkner, Virginia Woolf e T. S. Eliot. Jorge Luis Borges foi um dos grandes escritores do século XX que se referiu ao autor dizendo que “a delicada música da sua obra é incomparável” [J. L. Borges, James Joyce, 1937].» [Visão]

2.12.13

José Gil no Chiado





No próximo Ler no Chiado, Anabela Mota Ribeiro conversará sobre «as entradas para o labirinto Fernando Pessoa e as diversas maneiras de aí ficar preso... (É possível sair?)»
Na discussão participam José Gil, que acaba de editar Cansaço, Tédio, Desassossego, e Jerónimo Pizarro e Patricio Ferrari.
A sessão terá lugar dia 4 de Dezembro às 18h30, na Bertrand do Chiado.