18.11.13

A chegar às livrarias: A Porta Secreta, de Ana Teresa Pereira





«— Gostava imenso de visitar a Quinta — observou a Sara.
— Não está aberta ao público — disse a mãe. — Nem sequer aos turistas. Não percebo porquê.
— Mas não vive ninguém na velha casa?
— Não, pertence a uma família inglesa que raramente vem cá. Creio que tem muitos móveis antigos, objetos de arte e quadros.
— Como um museu… — comentou a Sara.
— Se fosse um museu poderíamos visitá-la — disse o Miguel, com uma certa irritação na voz.
— Talvez se decidam a abri-la aos visitantes.
— Talvez — disse o Miguel, como se não quisesse falar mais no assunto.»

A chegar às livrarias: Amok, de Stefan Zweig





Amok é um termo retirado da cultura indonésia e significa «lançar-se furiosamente na batalha». As pessoas afetadas por este estado psíquico têm ataques de fúria cega e procuram aniquilar os que consideram seus inimigos e qualquer pessoa que se interponha no caminho, sem consideração pelo perigo que correm.
O narrador conta a sua viagem de Calcutá para a Europa a bordo do Oceânia. Num passeio noturno na coberta do navio, encontra um médico preocupado e assustado e que evita qualquer contacto social. Este vai contar-lhe o que o levou a uma relação obsessiva com uma mulher que o colocou em estado de amok.
«Amok (…) é o inferno da paixão no fundo do qual se retorce, queimado mas eliminado pelas chamas do abismo, o ser essencial, a vida oculta.»

15.11.13

Sobre o centenário de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust





«Durante muito tempo fui para a cama cedo. Por vezes, mal apagava a vela, os olhos fechavam-se tão depressa que não tinha tempo de pensar: “Vou adormecer.” E, meia hora depois, era acordado pela ideia de que era tempo de conciliar o sono; queria poisar o volume que julgava ter nas mãos e soprar a chama de luz; dormira, e não parara de reflectir sobre o que acabara de ler, mas tais reflexões haviam tomado um aspecto um tanto especial; parecia-me que era de mim mesmo que a obra falava…»
«Em 2003, Pedro Tamen (n. 1934) traduzia desta forma para português as palavras que Marcel Proust vira finalmente impressas no dia 14 de Novembro de 1913. Du Coté de Chez Swann (Do Lado de Swann, ed. Relógio D’Água) saía em edição de autor com o selo da então jovem editora Grasset, após várias recusas, uma delas, histórica, a da NRF/Gallimard, com parecer negativo de André Gide (1869-1951, Nobel em 1947), o mesmo que, depois de ler a obra publicada reconsiderou e chamou “extraordinário” a Proust. Foi há cem anos. Há dez, Portugal tinha uma tradução à altura.» [Isabel Lucas, Público, ípsilon, 8-11-2013]





«Estamos a 14 de Novembro de 1913 quando é publicado, em França, o primeiro volume de uma obra que hoje tem lugar obrigatório em qualquer lista dos livros mais importantes desde o fim do século XIX: Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust.
Iniciado por volta de 1908-1909, o primeiro tomo da série tem por título “Do Lado de Swann”. Seguir-se-iam outros seis (“À Sombra das Raparigas em Flor”, “O Lado de Guermantes”, “Sodoma e Gomorra”, “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Reencontrado”), escritos durante 14 anos e publicados até 1927, os três últimos postumamente.
Pode dizer-se que Marcel Proust (1871-1922) viveu e morreu para escrever esta obra monumental, que o consumiu. (…)
Os sete livros falam de tudo e mais alguma coisa. De amor, de ciúme, de inveja, de sexualidade (homossexualidade, sobretudo), de arte, de música, numa panóplia de personagens e abordagens que formam um excelente fresco da sociedade francesa do fim do século XIX. Por toda a obra, a grande questão: a passagem do tempo, o implacável tempo, que mina todos os sentimentos, até o amor.» [José Cardoso, Expresso, Revista, 9-11-2013]

14.11.13

Oferta de um convite duplo para o filme na compra de O Conselheiro



 

Os primeiros 28 leitores da área da Grande Lisboa e os primeiros 6 da área do Grande Porto que adquirirem no nosso site o livro O Conselheiro, de Cormac McCarthy, terão direito a um bilhete duplo para o filme de Ridley Scott.
Os bilhetes são, respectivamente, para o Cinema UCI do El Corte Inglés e para o UCI do Arrábida 20, e em ambos os casos para as 21h30 de 20 de Novembro.
Os convites serão enviados conjuntamente com o livro, que, no caso da Grande Lisboa, poderá ser levantado nas instalações da Relógio D’Água na Rua Sylvio Rebelo, n. 15, em Lisboa (esta última hipótese deverá ser indicada no acto da encomenda).

13.11.13

A chegar às livrarias: Antologia Poética, de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis







«Pessoa morreu em 30 de Novembro de 1935, de uma “cólica hepática” no hospital particular de São Luís dos Franceses no Bairro Alto, então um dos melhores de Lisboa. Antes de entrar em coma escreveu a lápis num papel: “I know not what tomorrow will bring.
Deixava dispersa uma obra já ampla em poesia e prosa e amigos que reconheciam ou suspeitavam o seu génio por entre o alheamento do público.
O previsível Diário de Notícias falou da morte “de um grande poeta de Portugal” numa referência à Mensagem e a Presença dedicou-lhe um número especial.
Foi lentamente que a sua dimensão emergiu da mítica arca que legou à posteridade, e que, irradiando o enigmático fascínio dos seus textos, deu aos críticos o que em vão Joyce pediu para o seu Finnegans Wake, ou seja, trabalho para várias gerações.» [Do Prefácio]

A chegar às livrarias: A Potência do Pensamento, de Giorgio Agamben





Reúnem-se, neste livro, conferências e ensaios escritos por Giorgio Agamben entre 1979 e 2004. Os temas vão desde questões relacionadas com a linguagem até aos históricos e os relativos à potência do pensamento.
O título A Potência do Pensamento é retirado de uma conferência efectuada em Lisboa em 1987 e que permanecera inédita até à publicação em livro em 2005.

12.11.13

A chegar às livrarias





Numa respeitável pensão familiar na Côte d’Azur, no início do século XX, ocorre um escândalo. Madame Henriette, esposa de um dos hóspedes, foge com um jovem que ali passara apenas um dia.
Todos se unem na condenação da imoralidade de Madame Henriette. Só o narrador, com a ajuda de uma idosa dama inglesa, procura compreender o que se passou. Será ela a explicar-lhe, numa longa conversa, as apaixonadas recordações que este episódio lhe suscitou.





Um romancista vienense em voga toma conhecimento, ao ler o seu correio, de que uma mulher o ama secretamente, com um amor absoluto e que dura há vários anos.
Intrigado, o escritor apercebe-se de que essa paixão surgiu numa rapariga de apenas 13 anos, quando ele próprio tinha 25, e que continua na mulher já adulta.
É uma paixão que vive do mistério e tem aspetos obsessivos e perversos, e uma tendência para a autodestruição.