16.10.13

A chegar às livrarias: Pnin, de Vladimir Nabokov





Publicada em 1957, Pnin é a mais divertida obra de Nabokov. O seu protagonista é Timofey Pavlovich Pnin, um professor russo emigrado nos EUA, que dá aulas a meia dúzia de alunos que o consideram uma espécie de fenómeno raro.
Os seus problemas de adaptação ao modo de vida americano são múltiplos. Vão desde os eletrodomésticos e automóveis à mediocridade dos seus colegas, um bando de ambiciosos que põem à prova a sua paciência.
Mas a sua preocupação maior não é a sua semirrespeitável vida académica, mas a esposa, uma mulher rodeada de psiquiatras, que nunca o amou e por quem ele continua comovedoramente apaixonado.
No final Pnin parece encontrar uma espécie de felicidade, emergindo como um ser civilizado e capaz de conservar alguma dignidade humana no meio de uma incivilização que o próprio Nabokov terá conhecido nas universidades de Cornell e Wellesley.

15.10.13

Sobre Alice Munro





«É maravilhoso para mim. É maravilhoso para o conto.» [Alice Munro]


Para ler e/ou ouvir, a entrevista de Adam Smith, do sítio nobelprize.org, a Alice Munro, sobre a reacção à atribuição do prémio Nobel de Literatura 2013: aqui.

10.10.13

Alice Munro recebe Prémio Nobel de Literatura 2013





A contista e romancista canadiana Alice Munro (nasceu em Ontário em 1931) acaba de receber o Prémio Nobel de Literatura 2013.
Há pelo menos uma pessoa que não terá ficado surpreendida com esta escolha da Academia Sueca, o escritor norte-americano Jonathan Franzen, que afirmou não há muito tempo ser «um escândalo que Alice Munro ainda não tenha recebido o Nobel».
A Relógio D’Água publicou desde 2007 cinco antologias de contos de Alice Munro (Fugas, O Amor de Uma Boa Mulher, Demasiada Felicidade, O Progresso do Amor e Amada Vida.) e o romance com aspectos autobiográficos A Vista de Castle Rock.
Alice Munro possui o singular talento de nos expor de modo conciso a essência da vida através dos seus contos e romances.
As suas personagens habitam pequenas povoações dos arredores de Ontário ou do Lago Huron. São adolescentes, mulheres e famílias descritas nos seus trajectos habituais, mas que são transformadas por um encontro casual, uma acção não realizada, que causam um desvio no destino das suas vidas e modos de pensar.
As suas histórias mostram-nos, nas separações, partidas, novos começos, acidentes, regressos e perigos, imaginários ou reais, como o quotidiano das nossas vidas pode ser tão estranho e arriscado quanto belo.
Herdeira de Tchékhov e do realismo lírico do Joyce contista, Alice Munro conseguiu com o seu «sentimento instintivo de aritmética emocional da vida quotidiana» deixar uma marca indelével na escrita contemporânea.
Através do carácter inesperado e emocionante das vidas, Munro mostra-nos como os homens e as mulheres se acomodam e muitas vezes transcendem o que acontece nas suas vidas.

9.10.13

A chegar às livrarias: As Partículas Elementares, de Michel Houellebecq






Michel, investigador em biologia, gere o declínio da sua sexualidade recorrendo ao trabalho e aos tranquilizantes. Um ano sabático permite uma viragem nas suas descobertas que pode subverter as bases da sociedade.
Por sua vez, Bruno, seu meio-irmão, procura desesperadamente o prazer sexual. No Lugar da Mudança, um parque de campismo de tendência New Age, pensa ter chegado o momento de alterar a sua vida. Uma tarde, no jacúzi, uma audaciosa desconhecida fá-lo entrever a possibilidade prática da felicidade que procura.
Através dos seus percursos familiares e sentimentais caóticos, os dois protagonistas ilustram de modo exemplar a crise afetiva e sexual da sociedade ocidental ao mesmo tempo que indicam sinais de uma possível mudança.

A chegar às livrarias: Enxaqueca, de Oliver Sacks





«“Que livro mudou a sua vida?” é uma pergunta a que é tentador responder com um encolher de ombros. A verdade é que os livros raramente conseguem fazer isso só por si. Mas em 1970, antes de se tornar um autor de renome, Oliver Sacks escreveu um livro intitulado Enxaqueca. Mais modesto e mais técnico do que os seus maiores sucessos — Despertares e O Homem Que Confundiu a Mulher com Um Chapéu —, o livro não deixa de ser notável pelas suas sagazes perceções e liberdade de testemunho. Mudou a minha vida e, ouso dizer, a de milhares de outros sofredores, aumentando o meu conhecimento desta estranha condição. E, para um paciente, conhecimento é poder.»
Hilary Mantel, The Guardian

«Este fascinante livro de Oliver Sacks apareceu, pela primeira vez, em 1970. A edição foi reescrita e ampliada, abrangendo desenvolvimentos recentes baseados na teoria do caos.»
Observer

«Para Sacks, uma dor de cabeça é uma mina de tesouros, uma fonte de visões, um microcosmo de experiência humana e de sofrimento, a pedra filosofal… Um feito notável.»
Iain McGilchrist, Sunday Telegraph

«Sacks está certamente a querer dizer-nos algo — e nós deveríamos ouvi-lo… Este livro não apresenta panaceias, mas o seu grau de humanidade revela-se uma preciosa ajuda para nos reconciliarmos com o nosso lado mais negro.»
Roy Porter, Sunday Times

«Nenhum sofredor de enxaquecas ficará curado por ler este livro, mas pelo menos ficará a saber o que é uma enxaqueca e deixará de ter medo.»
Anthony Clare, Mail on Sunday

«(…) Médico e paciente encontram-se no reino do maravilhoso… Repleto das maravilhosas introspeções que o tornaram, em simultâneo, o mais acessível e magistral dos médicos.»
Anita Brookner, Spectator

7.10.13

Sobre Lolita, de Vladimir Nabokov





Na revista Ler de Outubro de 2013, Rogério Casanova escreve sobre a nova tradução de Lolita, de Vladimir Nabokov, por Margarida Vale de Gato:

«Uma nota estupefacta para a presente tradução, que representa um avanço estratosférico sobre a anterior versão portuguesa, e que, no esforço que exerceu para verter uma prosa cuja eufonia funciona quase exclusivamente à base de aliterações, é um trabalho de quase inacreditável competência e criatividade.»

4.10.13

Alice Munro recebe Prémio do Festival Harbourfront







O prémio, com o apoio do Festival Internacional de Autores, foi atribuído à escritora canadiana pelo mérito das suas obras publicadas e pelo seu contributo para a promoção das futuras gerações com talento literário.
Alice Munro, que anunciou recentemente que Amada Vida, editado pela Relógio D’Água, terá sido o seu último livro, confessou-se emocionada e honrada por receber o prémio, que no passado foi atribuído a autores como Austin Clarke, Dionne Brand ou Jane Urquhart.