25.9.13

Em louvor de Juan Luis Panero (Madrid, 1942 - Torroella de Montgrí, 2013)




 

Noite tropical

 
Imagem de juventude e aparente felicidade
ou, pelo menos, de irresponsável alegria,
que regressa tenaz à memória,
mesmo ao recordar que quase tudo foi mentira.
Nem velhos, nem jovens, mas sabíamos
que enganar-nos, que repetir a farsa, era o único,
o mais digno que restava de nós mesmos.
Vodka transparente, os teus olhos escuros,
entreabertos, enquanto te despia,
o ranger da cama e o copo a quebrar-se.
Depois, meio adormecido, recordo-te a sair
nua, debaixo da trémula lâmpada,
luz verde, escassa, sobre as árvores e a piscina,
sombra na sombra e um baque na água.
Estrondo de palmeiras e pássaros estridentes
enquanto beijo nos teus lábios gotas cálidas,
o teu cabelo húmido, a carícia dos teus dedos.
Os nossos dois corpos juntos, os que chegam agora,
actores sem trabalho, estandartes inúteis,
derrotada ficção na guerra do tempo.

23.9.13

António Ramos Rosa (Faro, 17-10-1924 / Lisboa, 23-09-2013)




 

Não tenho lágrimas
estou mais baixo
junto à cal


Vejo o solo extinto
Não oiço ninguém
e não regresso


Adormecer talvez
junto a uma estaca
com uma pequena pedra
sobre as pálpebras

 

A Intacta Ferida, Relógio D’Água, 1991

Sobre O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith





«O Talentoso Mr. Ripley e companhia deveriam estar pelo menos entre os romances mais perversamente entretenientes do nosso tempo.» [Michael Dirda, The New York Review of Books, 2-7-2009]

20.9.13

Pablo Neruda comemorado na Fundação José Saramago





No dia 23 de Setembro de 2013, quando passam 40 anos sobre a morte do poeta Pablo Neruda, ao longo de todo o dia, na Casa dos Bicos, será ouvido o CD 20 poemas de mesa y una castaña en el suelo (una antología caprichosa) e serão oferecidos poemas de Pablo Neruda aos visitantes.
Às 16h00, será exibido um filme relacionado com Pablo Neruda, seguindo-se, às 18h30, uma sessão de leitura de poemas, em espanhol e português.


De Pablo Neruda, a Relógio D’Água publicou Antologia e Residência na Terra (trad. José Bento) e Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada (trad. José Miguel Silva).

19.9.13

Conversas com Woody Allen, de Eric Lax






Do autor da célebre biografia Woody Allen — as conversas mais elucidativas, reveladoras e divertidas dos seus trinta e seis anos de entrevistas com o aclamado cineasta e comediante
Em conversas que começaram em 1971 e continuaram até 2007, Woody Allen discorre sobre cada aspecto da realização a partir dos seus próprios filmes e do trabalho de realizadores que admira. Ao fazê-lo, desvenda a evolução de um artista ao longo da sua carreira até à data.
Conversas com Woody Allen é uma obra de leitura obrigatória para quem se interessa pela arte da realização cinematográfica e para todos aqueles que apreciaram os filmes de Woody Allen.

17.9.13

Ler com novo grafismo fala de livreiros e livros




A entrevista principal na Ler de Setembro, com novo grafismo de Rui Leitão, é ao livreiro José Pinho, fundador da Ler Devagar, e que está a transformar Óbidos na vila dos livros.
 

 

Hugo Pinto Santos escreve sobre Seamus Heaney, por ocasião da morte do autor de «uma poesia com uma notória atenção à musicalidade do verso, aliada À dignidade de uma imagética de poderosos recursos e a um invulgar conhecimento das coisas, dos lugares e dos seres», e cita a propósito um poema de Da Terra à Luz (trad. Rui Carvalho Homem, Relógio D’Água, 1997).




José Mário Silva escreve sobre o último livro de Gonçalo M. Tavares, animalescos, publicado pela Relógio D’Água: «A verdade é que ninguém escreve, hoje, com esta brutalidade, esta desmesura, este desassombro. O que Tavares nos dá é a “quarta pessoa do singular” a que se refere a epígrafe de Deleuze. Uma voz que talvez já esteja para lá do que pode ser dito, mas ainda assim diz.»





Hugo Pinto Santos escreve sobre o regresso a Shakespeare, informando que «a Relógio D’Água lança uma colecção que reunirá toda a dramaturgia shakespeariana – os primeiros títulos são Romeu e Julieta e as duas partes de Henrique IV».




Na rubrica Livros na Estante, há ainda referência a Amada Vida, de Alice Munro, e a Trabalhos de Casa, de Rogério Casanova, apresentado como «um dos nossos melhores leitores e críticos».

Em «A Voz do Brasil», Eduardo Coelho saúda o lançamento no Brasil de Clarice Lispector– Pintura, de Carlos Mendes de Sousa, pela editora Rocco.

Tradução de Alice no País das Maravilhas recomendada por José Mário Silva



 

Na Revista do Expresso de 14 de Setembro, José Mário Silva recomenda, na sua proposta de revisitação dos clássicos neste Verão, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. O crítico do Expresso refere que o livro está disponível «numa edição Relógio D’Água, em primorosa tradução de Margarida Vale de Gato».