12.8.13

A Relógio D’Água na Imprensa


No suplemento Atual de 10 de Agosto, Pedro Mexia faz a crítica de animalescos de Gonçalo M. Tavares.
«O título é todo um programa, e a capa, uma reprodução de Bacon, também. Tavares estudou o “mal” enquanto categoria histórico-filosófica em obras como a tetralogia “O Reino”; mas animalescos mostra “o mal” como condição, numa sequência de cenas medonhas: doentes psiquiátricos que abrem literalmente a cabeça, pedintes que comem moedas, cães despedaçados por urubus, miúdos criados como bestas, hospitais atacados por predadores, filhos que enterram vivo um pai esquizofrénico, médicos que dão marteladas aos seus pacientes.»




«Quando a New Yorker escreveu que em Gonçalo M. Tavares “a lógica pode servir eficazmente tanto a loucura como a razão”, definiu, por antecipação, este livro inquietante e feroz.»


Nas Escolhas saídas no mesmo suplemento do Expresso a escritora e tradutora Tânia Ganho destaca cinco livros, entre os quais O Mar, o Mar, de Iris Murdoch e Fugas, de Alice Munro.

29.7.13

Livros da Relógio D’Água Que o Expresso Recomenda como Leitura de Verão


No número de 27 de Julho do Atual, os críticos do Expresso recomendam leituras de Verão. Entre elas há quatro obras publicadas pela Relógio D’Água.
 
 

Martin Heidegger, de George Steiner

«O pensamento, por vezes obscuro, do que foi talvez o filósofo alemão mais marcante do século XX, lido e interpretado pelo perspicaz (e acessível) George Steiner.» - Ana Cristina Leonardo
 
 

Amada Vida, de Alice Munro

«Uma vez que Alice Munro anunciou que vai deixar de publicar ficção, cada livro que nos chega é precioso. (…) A surpresa do volume são as quatro últimas peças, descritas como a única autobiografia de Munro a que alguma vez teremos direito.» – Luís M. Faria



Armadilha, de Rui Nunes

«Armadilha é pura crueza, exaltante, culpada de tudo o que soa, inocente de tudo o que cala.» - Luísa Mellid-Franco



É assim Que A Perdes, de Junot Díaz

«Os contos de É assim Que a Perdes demonstram mais uma vez a atenção de Díaz às complexidades étnicas e de linguagem e estudam vários amores difíceis e infidelidades, num combate intermitente com ideias recebidas de “masculinidade”.» - Pedro Mexia

26.7.13

José Mário Silva sugere Moby Dick, de Herman Melville, para leitura no Verão



 

«Diz-se de Moby Dick que é o grande romance americano, mas o seu apelo vai mais longe, ultrapassa barreiras culturais ou linguísticas, e revela a cada releitura, geração após geração, um verdadeiro estofo universal. A história, simples, é a de um homem que arrasta outros homens na sua loucura. À frente do Pequod, o capitão Ahab entrega-se à maior obsessão alguma vez vista na literatura: anos antes, uma imensa baleia branca levou-lhe uma perna e a lucidez, deixando-o ávido de uma vingança que tem o oceano inteiro como palco e a morte de (quase) toda a tripulação como desenlace invevitável. Mas Moby Dick é muito mais do que a narrativa desta pulsão destruidora. É uma história do mar e dos homens que lhe sobrevivem; é um romance que se multiplica e bifurca e deriva, estilhaçando as formas clássicas de narrar; é um tratado científico e sociológico; é uma gloriosa amálgama de vidas que se cruzam nessa arena terrível que é o convés de um baleeiro. A bordo do Pequod vamos todos nós. E naufragamos. E queremos voltar a partir, atrás do monstro branco que é a metáfora das metáforas.» [Expresso, Revista, 20-07-2013]

25.7.13

Uma Antologia Improvável (A Escrita das Mulheres – Séculos XVI a XVIII) apresentada hoje no Palácio Fronteira



 

A antologia A Escrita das Mulheres (Séculos XVI a XVIII), organizada por Vanda Anastácio, vai ser apresentada hoje, 25 de Julho, no Palácio dos Marqueses da Fronteira, no Largo de São Domingos de Benfica, pelas 18.30.
A obra será apresentada pelo Professor António Feijó, Director da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com participação das escritoras Maria Teresa Horta e Patrícia Reis.

23.7.13

A chegar às livrarias: Lolita, de Vladimir Nabokov





«Quase quarenta anos depois, este romance tão artificial criou uma nova palavra internacional (“lolita”), inventou uma América — a dos motéis e autoestradas — de que se nutre ainda boa parte da narrativa americana contemporânea, é uma das obras com o inglês mais rico e preciso da literatura deste século e, ao contrário das acusações iniciais de pornografia que teve de sofrer, é talvez — e no que me diz respeito — o romance mais melancólico, elegante e lírico de quantos li.» [Javier Marías in Literatura e Fantasma]

«A única história de amor convincente do nosso século.»
[Vanity Fair]

«Nabokov escreve prosa do único modo que esta deve ser escrita, ou seja, extasiadamente.»
[John Updike]

A chegar às livrarias: O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith





Tom Ripley tenta estar sempre um passo à frente dos seus credores e da lei. Mas tudo muda quando, inesperadamente, lhe oferecem uma viagem à Europa, uma oportunidade de recomeçar a vida.
Ripley ambiciona ter dinheiro, sucesso e uma boa vida, e está disposto a matar para o conseguir. Quando a sua nova felicidade é ameaçada, a sua reação é tão repentina como chocante.


«Uma escritora que criou o seu mundo próprio… assustadoramente mais real do que a casa do nosso próprio vizinho.» [Graham Greene]

«Um enredo preciso, uma escrita elegante, de uma inteligência ímpar. Muito à frente do thriller convencional: um clássico dentro do seu estilo.» [Evening Standard]

«Um thriller espantoso que merecidamente se tornou um clássico.» [Spectator]

«Por alguma razão obscura, uma das nossas maiores escritoras modernas — Patricia Highsmith — é vista, no seu próprio país, como uma autora de thrillers (…) É certamente uma das escritoras mais interessantes deste sombrio século.» [Gore Vidal]

22.7.13

Sobre Trabalhos de Casa, de Rogério Casanova





No suplemento Atual do Expresso de 20 de Julho de 2013, Pedro Mexia escreve sobre Trabalhos de Casa, de Rogério Casanova: «Estas figuras vêm todas do “jornalismo literário” anglo-saxónico; não são académicos a tempo inteiro nem resenhistas toca e foge, mas escritores de “ensaios curtos” (“curtos” mas extensíssimos para as dimensões actualmente em uso nos jornais portugueses). Foram esses críticos que formaram Casanova, foi com eles que aprendeu o discernimento, a clareza, a persuasão, a eufonia, a originalidade, a graça. O ensaio curto é um exercício de estilo argumentado, que se baseia em descrições vívidas, raciocínios ágeis e avaliações ousadas. É uma guerra ao cliché. “Ter razão” não é de todo fundamental: Casanova gosta de críticos que se enganam, desde que sejam interessantes e não se tornem prescritivos como Wood (com o seu estreito conceito de “realismo”) ou Bloom (com o seu freudismo hierarquizante). (…) Os ensaios críticos de Casanova, que dependem muitíssimo do formato longo, vivem de sinopses exaustivas e criativas, de raciocínios densos, de apartes hilariantes, de remates incisivos e de um conhecimento exaustivo da bibliografia. Embora desenvolvam várias ideias ou até teorias, os textos valem desde logo pela performance verbal, em parágrafos que acumulam bizarrias do enredo ficcional com hipóteses interpretativas pessoalíssimas, às vezes num exibicionismo inevitável.»