19.7.13

Sobre O Jogo Sério, de Hjalmar Söderberg





No ípsilon do Público de 19 de Julho de 2013, José Riço Direitinho rescreveu sobre O Jogo Sério, de Hjalmar Söderberg: «O Jogo Sério, o último dos romances do sueco Hjalmar Söderberg (1869-1941), publicado em 1912, ano da morte de August Strindberg — cujos temas literários influenciaram profundamente a obra de Söderberg — é uma tocante e amarga história de amor que tem como cenário a elegante Estocolmo fin-de-siècle. Com as tortuosas deambulações e os dilemas que fustigam as personagens, o autor traça uma espécie de cartografia fatalista da solidão do espírito e da impossibilidade do amor. Escrito de uma forma luminosa e precisa, este romance é um verdadeiro estudo das contradições sombrias da alma humana, dos seus anseios, das inevitáveis renúncias, da traição e do desamparo afectivo.»

Sobre Tojo, de Miguel-Manso





Na Time Out de 17 de Julho, Hugo Pinto Santos escreveu sobre Tojo, de Miguel-Manso: «Os poemas coligidos em Tojo não acatam as ordens de uma organização bibliográfica, nem cedem à tentação da cronologia. São antes os lastros gerados por mitos criadores e por outros arcanos, pelas justaposições de sentidos, o que cria as partições para os poemas. Mas são também esses elementos que lançam sub-reptícios boicotes aos possíveis nexos a impor às composições antologiadas, porque esta poesia parece adivinhar na interpretação algum modo de devassa. Daí que se esquive à declaração e prefira sugerir; não, de forma anacrónica, debaixo do credo simbolista – embora também permita a gestação de uma camada de possibilidades para o sentido –, mas, aparentemente, sem nunca admitir fixá-las num plano estável.»

18.7.13

Exposição de Andersen na Torre do Tombo



 


A exposição «Hans Christian Andersen» é da autoria do designer dinamarquês Niels Fisher, que percorre Portugal desde 2005, encontra-se no edifício da Torre do Tombo até 28 de Outubro.
A exposição é da iniciativa de Niels Fisher – ideia, design, produção, organização e financiamento – e tem como objectivo a divulgação da obra do escritor dinamarquês.
A parte permanente da exposição integra quadros, livros ilustrados de artistas plásticos portugueses, recortes de papel concebidos por Hans Christian Andersen, esculturas, jóias, cerâmicas, teatro, música, bailado, filmes, etc., e sobretudo instalações de crianças, jovens e adultos anónimos de todo o país.
De Hans Christian Andersen, a Relógio D’água pubicou Contos (volumes I e II) e Contos (edição cartonada).

Mais informações aqui.

16.7.13

Uma Antologia Improvável (A Escrita das Mulheres – Séculos XVI a XVIII) apresentada no Palácio Fronteira





A antologia A Escrita das Mulheres (Séculos XVI a XVIII), organizada por Vanda Anastácio, vai ser apresentada no Palácio dos Marqueses de Fronteira, no Largo de São Domingos de Benfica, no próximo dia 25 de Julho, quinta-feira, pelas 18.30.
A obra será apresentada pelo Professor António Feijó, Director da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com participação das escritoras Maria Teresa Horta e Patrícia Reis.

«Será possível escrever uma História da Literatura Portuguesa anterior a 1900 que inclua as mulheres? Ou, dito de outro modo: será possível falar de escritoras antes da contemporaneidade?
Estas perguntas têm sido feitas insistentemente por todos aqueles que se vêem confrontados com a escassez de dados sobre as relações estabelecidas pelas mulheres do passado com a escrita e com a leitura. Numa época marcada pela revalorização das contribuições femininas para a sociedade e para a cultura, na qual se questionam os motivos da exclusão das mulheres do discurso historiográfico, o silêncio dos historiadores sobre as escritoras portuguesas parecia impossível de romper.
Esta antologia resulta do esforço de pesquisa em busca da realidade improvável que parecia ser a existência de um número significativo de mulheres com papel activo no campo literário português dos séculos XV a XIX.»

 

15.7.13

Sobre Tojo, de Miguel-Manso





«Miguel-Manso é exemplar no modo como parte de factos tangíveis — músicas, urbes distantes, cafés, histórias de amor, o fumo dos cigarros, uma foto do pai em Moçambique, “olhando o mar” — para uma espécie de “inflexão elegíaca, desconexa”, que torce o poema e o leva por caminhos sempre inesperados. Os versos materializam “um delay entre a matéria e a consciência”, porque é nesse desfasamento que a poesia acontece.»

[José Mário Silva, Ler, Julho/Agosto de 2013]

12.7.13

Imagens oficiais de The Counselor, de Cormac McCarthy e Ridley Scott





Ridley Scott reuniu alguns dos melhores actores da actualidade no seu mais recente filme, The Counselor, com argumento de Cormac McCarthy, que será editado em Outubro pela Relógio D’Água. Michael Fassbender é o protagonista, no papel de um advogado que se perde nos meandros do tráfico de droga, e contracena com actores como Brad Pitt, Javier Bardem, Cameron Diaz e Penélope Cruz. O filme tem estreia prevista para 5 de Dezembro.

Sobre Trabalhos de Casa, de Rogério Casanova





«Porque Casanova é, na genuína acepção do termo, um iconoclasta. Mesmo alguns autores que aprendemos a associar ao seu nome, como Wood (que traduziu), são assim descritos: “No seu melhor James Wood é um crítico pavão (…); mas acerta mais vezes do que falha” (p.257).

Não quer isso dizer que R. Casanova exerça a crítica bulldozer. Mas o que pratica parece estar em vias de extinção: uma crítica de notável amplitude e inusual proficiência, capaz de ser apelativa sem relaxar; que é incisiva sem ter de lavar roupa suja, nem comprometer a tão descurada forma. Esta grande prosa parece ter levado à letra o conselho de Pound aos poetas: “fazê-lo novo”. Casanova é, definitivamente, aquilo que, algures, chama “crítico-escritor”. Por isso, não pertence a qualquer casta de crítico actualmente em stock, porque – usando uma metáfora mimética das suas recorrências desportivas – está demasiado longe do pelotão: isolado, prestes a cruzar a meta. Mas recusará, com grande probabilidade, a camisola. Basta-lhe a corrida. (…) Diferentemente do que sucede com a generalidade dos críticos, o que está aqui em causa é, além do mais – sobretudo, dir-se-ia –, uma teoria do romance.» [Hugo Pinto Santos, Time Out, 10-07-2013]