2.7.13

Maria do Rosário Pedreira sobre Os Adeuses, de Juan Carlos Onetti





No blogue Horas Extraordinárias, Maria do Rosário Pedreira escreveu sobre Os Adeuses, de Juan Carlos Onetti. De Onetti, a Relógio D’Água publicou A Vida Breve, Um Sonho Realizado e Outros Contos, e Os Adeuses.

 

1.7.13

A Crítica como Forma de Subjectividade





Rogério Casanova é um dos mais talentosos críticos da sua geração. Ajudou-nos a ampliar a leitura de autores como Martin Amis, Thomas Pynchon, Saul Bellow, Jonathan Franzen, Houellebecq e Bolaño. Foi o primeiro a falar-nos de Tom McCarthy, David Foster Wallace, Geoff Dyer e muitos outros. Fê-lo com ironia, estabelecendo inesperadas conexões e sendo sempre incompatível com a rotina.
Em troca disso, tivemos apenas de lhe perdoar fazer-nos sentir desactualizados, alguns anglicismos e uma fase de excessivo entusiasmo jameswoodiano.
Foi por isso com surpresa que li o que sobre o seu livro Trabalhos de Casa é escrito no ípsilon por um crítico não identificado. Este assume que a sua opinião é «completamente subjectiva» e que o livro de Casanova «peca por não ser tão pessoal como deveria, por haver menos Casanova do que o desejável». Acrescenta, citando Rogério Casanova, que «a boa crítica nasce de um bom leitor e bom escritor», que terão falhado em alguns textos (outros são elogiados).
Ou seja, o crítico não só assume uma completa subjectividade como recomenda a Casanova que seja mais subjectivo.
Não é fácil falar de uma crítica quando, como é o caso, esta atinge uma espécie de grau zero de estilo e conceitos.
O fragmento que vai de «Medindo as críticas de Casanova» até «Trabalhos de Casa», na coluna seguinte, tem 54 linhas sem um ponto final e seis frases entre parêntesis. Ou seria um fragmento à Proust ou um desastre. É um desastre.
Além disso, um «fim de contas completamente subjectivo» faz tábua rasa das mais diferentes correntes críticas que se sucederam no passado e dos conceitos que foram deixando. Contributos que vão desde os de Samuel Johnson a Pritchett, Steiner e James Wood, passando por Barthes ou os textos de Benjamin sobre Goethe, Kafka ou Baudelaire, não parecem fazer parte do horizonte de alguém que escolhe como título do seu artigo «A Boa Crítica».
Mesmo a baudelairiana fórmula de que a crítica deve ser absolutamente apaixonada nunca foi uma defesa de reacções emocionais em estado de ignorância literária. São os conceitos inerentes à crítica que permitem a estratificação de valores, considerar hoje que Henry James e Fernando Pessoa são melhores escritores que Du Maurier ou Júlio Dantas, apesar de a maior parte dos críticos «subjectivistas» das respectivas épocas terem pensado o contrário. Um crítico não é apenas um bom leitor, tem de ter os conhecimentos que permitam situar, relacionar e interpretar as obras.
Que o crítico anónimo (falha que não é provavelmente sua) não tenha sequer compreendido a ironia contida no título Trabalhos de Casa só pode ser considerado coerente com a «completa» subjectividade, neste caso sinónimo de ausência de pensamento crítico.

 

Francisco Vale

Trabalhos de Casa, de Rogério Casanova, aprovado pelo i





«As reflexões sobre a literatura, portuguesa ou estrangeira, comercial, de cordel ou intelectual, estão todas lá, para ajudar a repensar os livros.» [i, 29-06-2013]

 

Sobre Uma Antologia Improvável, com organização de Vanda Anastácio



 

«Será possível incluir o papel das mulheres no campo literário dos séculos XV a XVIII? Vanda Anastácio organiza a antologia que responde à pergunta. (…) Dedicatórias a rainhas, prólogos à Virgem Maria, ameaças “da Justiça Divina contra os senhores sacerdotes”, narrações de donzelas pobrezinhas. Não julgue um escrito pelo seu conteúdo e muito menos a sua autora pelo eventual vazio intelectual dos temas. Muito menos acredite que o rol de escribas que se segue seguiu à risca as coordenadas de D. Francisco Manuel de Melo, em “Mulheres ídolos, varonis e sábias” – “Sirva a mulher de ser senhora de sua casa, satisfaça as obrigações deste seu ofício: que assaz fará de serviço a sua casa, a seu marido, se o fizer como deve”.» [Maria Ramos Silva, «i», 29 de Junho de 2013]

Sobre Moby Dick, de Herman Melville





«Melville foi marinheiro, desertou, viveu entre canibais, foi resgatado, chefiou motins. Clássico dos clássicos, Moby Dick transporta-nos para a mais arriscada das viagens: uma viagem à alma humana.» [Henrique Fialho, livreiro da Livraria Bertrand das Caldas da Rainha, sugere cinco livros na revista Somos Livros: Moby Dick, de Herman Melville; Walden ou A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau; Na Patagónia, de Bruce Chatwin, Os Passos em Volta, de Herberto Helder e Livro da Luz, de António Poppe.]

George Sand (01-07-1804/08-06-1876)





A Correspondance de George Sand et Alfred de Musset foi publicada integralmente pela primeira vez em 1904, em Bruxelas, pelo advogado Félix Decori. Esses textos foram de novo editados, com outras cartas e documentos, em 1956.
Os desenhos que representam George Sand são retirados de um caderno de Alfred de Musset conservado em Chantilly na Biblioteca Spoelberch de Lovenjoul.

Sobre Amada Vida, de Alice Munro






«Tornou-se um lugar-comum comparar Alice Munro (n. 1931) com Tchékhov, um dos mestres da arte do conto: com ele partilha o gosto pelo realismo lírico, pela inovação que rejeita o experimentalismo e pela supremacia do mundo interior das personagens sobre a construção do enredo. É a atenção à vida secreta das protagonistas que lhe permite revelar tanta coisa através de curtas narrativas onde aparentemente muito pouco acontece. As suas histórias inspiram-se no quotidiano e analisam com grande subtileza as distinções de classe e costumes típicos da sociedade canadiana dos anos 60: as protagonistas são, como ela, dotadas de uma invulgar capacidade de observação e ironia. Amada Vida reúne 14 contos da vencedora do Man Booker Prize 2009. Os quatro últimos formam, na opinião da escritora, “um conjunto à parte, autobiográfico no sentimento, embora nem sempre no que concerne aos factos. Penso que são as primeiras e últimas – e mais íntimas- coisas que tenho a dizer sobre a minha vida”.» [Sobre Amada Vida, de Alice Munro, no sítio da Agenda Cultural de Lisboa]