25.6.13

Sobre Hannah Arendt





Em 2012, Margarethe von Trotta realizou Hannah Arendt, um filme sobre a filósofa que assinou artigos da The New Yorker sobre o julgamento de Adolf Eichmann por crimes de guerra.
O filme foi exibido na Judaica – 1.ª Mostra de Cinema e Cultura um certame de temática judaica que se realizou em Lisboa, no Cinema São Jorge, de 22 a 25 de Maio de 2013, com ênfase na exibição de estreias absolutas e com uma série de actividades culturais paralelas, entre as quais debates em torno de Hannah Arendt e o seu Eichmann em Jerusalém, e Freud e Anti-Freud.
No blogue Jugular, Irene Pimentel escreveu sobre o filme: «penso estar bem retratado no filme (…) que a liberdade de pensar, a capacidade de julgamento, em tempos sombrios, em distinguir o bem do mal, sem se agarrar a ideologias, como se fossem uma bengala, é muito difícil, é um acto de profunda solidão, mas vitalmente necessário.» [http://jugular.blogs.sapo.pt/3544452.html]
De Hannah Arendt, a Relógio D’Água publicou Homens em Tempos Sombrios, A Condição Humana, Compreensão e Política e Outros Ensaios, Sobre a Revolução, Entre o Passado e o Futuro e A Promessa da Política.

24.6.13

Ernesto Sabato (24-06-1911/30-04-2011)








«Numa altura em que o existencialismo dominava a cena literária e, em particular, os autores de formação marxista como Sabato (não esquecer que O Ser e o Nada, de Sartre, saiu em 1943), não surpreende que o narrador tire todas as consequências do assassinato de María Iribarne. (…) Faz todo o sentido que seja sob o pano de fundo do Peronismo, numa Buenos Aires em brasa, que o tema da incomunicabilidade encontre o cenário ideal. Albert Camus, que traduziu o livro para francês, Graham Greene e Thomas Mann, não regatearam elogios. (…) Em escassas 135 páginas, Sabato deixou à posteridade um romance que se lê hoje com o mesmo prazer de há 60 anos.» [Eduardo Pitta, ípsilon, 25-9-2009]

Alice Munro vence Trillium Book Award 2013




fotografia de Peter Morrison
 

O Trillium Book Award é maior prémio literário de Ontário atribuído a obras escritas em inglês e francês.
É a terceira vez que Alice Munro recebe o prémio, este ano pela obra Amada Vida (em 1999 venceu com O Amor de Uma Boa Mulher, também publicado pela Relógio D’Água).
A escritora afirmou que receber o prémio é algo ainda mais especial, porque provavelmente Amada Vida terá sido o seu último livro e «é bom sair em grande».
Amada Vida reúne contos cuja acção decorre em pequenas vilas e cidades em redor do Lago Huron e nos mostram que — nas partidas, nos novos começos, nos acidentes, nos perigos e nos regressos, tanto imaginários como reais — o quotidiano da nossa vida pode ser tão estranho e arriscado como belo.

21.6.13

Machado de Assis (21/06/1839 – 29/09/1908)





«O maior escritor da América Latina.» [Susan Sontag]



Memórias Póstumas de Brás Cubas e o Quincas Borba são dois dos principais romances de Machado de Assis unidos por uma personagem comum. Nesta fase, a prosa de Machado de Assis (1839-1908) distingue-se pela ironia, o modo como interpela os leitores e por evitar o realismo «implacável e lógico» que ele criticou em O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós.
Ao cepticismo distanciado de Memórias Póstumas de Brás Cubas segue-se, seis anos depois, em Quincas Borba, a credulidade romântica de Rubião, humilde professor tornado rico por herança de filósofo e perdido no Rio de Janeiro e na Corte em busca de emoções. Rubião é fascinado por Sofia e enganado pelo marido desta, Cristiano Palha, que transforma a mulher em instrumento da sua ascensão burguesa. Mas Sofia não tem a audácia de uma Bovary, nem sequer a desenvoltura da Luísa de O Primo Basílio e Rubião naufraga nas esperanças perdidas.
Se Memórias Póstumas de Brás Cubas deixa um rasto de lúcida diversão que evita a tragédia, Quincas Borba mergulha na irreversível loucura do seu personagem. Rubião parece destinado a ilustrar a teoria do filósofo Quincas Borba, resumida na frase ao vencedor, as batatas. Neste romance cuja acção decorre entre 1867 e 1870 são visíveis os reflexos dos acontecimentos da época, desde a guerra do Brasil com o Paraguai ao esplendor e queda de Napoleão III, com quem Rubião se identificaria.


 

Dom Casmurro foi publicado em 1899. A subtileza dos seus protagonistas e o seu carácter contraditório é tal que ainda hoje os críticos brasileiros discutem se Capitu «traiu» ou não o marido.
A este livro aplica-se o que escreveu Afredo Bosi, que considerava que Machado de Assis dissolvia «paixões e entusiasmos no ácido de uma ironia e um humor que nada poupam: indivíduos e sociedade são aí “delicadamente” desmascarados em seu egoísmo e alienação».
Esaú e Jacó, publicado em 1904, é o penúltimo livro de Machado de Assis e distingue-se por uma maior organicidade narrativa, sem abandono das intenções modernistas do autor que o levaram a subverter a forma tradicional do romance. Um dos seus principais personagens é o conselheiro Aires que irá ressurgir em Memorial de Aires. Também em Esaú e Jacó a narrativa é subvertida, o fundo histórico está presente e os homens e as mulheres não são feitos de uma matéria única embora abundem as referências míticas. Como escreve Júlio Castanõn Guimarães: «o humor irónico quase constantemente se vincula a uma reflexão sobre a narrativa, quando esta, voltando-se sobre si, desmonta sua própria estruturação. Surge aí a oportunidade do discurso de aparência reticente, que avança por retrocesso, faz-se, desfaz-se e refaz-se. Enquanto isso, aqui e ali, o romance se pontua com referências a factos históricos. Assinalados astuciosamente como que em pano de fundo, surgem a lei Rio Branco, a abolição, a questão militar, o baile da ilha Fiscal, a proclamação da República, o encilhamento, numa verdadeira marcação temporal externa. Internamente ao romance, no entanto, esses factos em nada ou quase nada alteram a vida dos personagens, ao nível das acções pelo menos, assim se ressaltando, estrategicamente, sua alienação, dentro da mesma perspectiva irónica que desvenda o percurso da narrativa.»

Sobre Breves Notas, de Gonçalo M. Tavares





«Em Breves Notas vamos encontrar várias definições ou propostas de definições, que vão desde a definição de coleccionador à noção de movimento. Se nas breves notas sobre ciência critica ferozmente o Ser e a sua situação, nas breves notas sobre o medo aprofunda conceitos, e finda com um diálogo nas breves notas sobre as ligações, com um confronto de leituras (esse confronto é fulcral para qualquer leitura crítica). (…) Breves Notas é talvez o livro mais assumidamente filosófico do autor.» [P. Fialho Serra no sítio Orgia Literária. O texto completo pode ser lido aqui.]

Sobre Amada Vida, de Alice Munro





Na Sábado de 20 de Junho, Eduardo Pitta escreve sobre Amada Vida, de Alice Munro. No blogue Da Literatura pode ler-se:

«Os catorze contos aqui reunidos são puro vintage. Todos têm quota autobiográfica, como a autora reconheceu em entrevista dada à New Yorker. Convém aliás fazer uma precisão: os quatro textos finais «não são propriamente contos. [...] são as primeiras e últimas — e mais íntimas — coisas que tenho a dizer sobre a minha vida.» O livro fala de um mundo particular e de uma época que hoje parece remota. Sem saudosismo, Alice Munro desenterra o modo de vida das pessoas comuns durante os anos que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial. Não me ocorre nenhum outro autor com uma escrita tão terra-a-terra como a de Alice Munro, capaz de nos meter dentro da vida das personagens com uma economia narrativa admirável. (…) Como sempre, tradução excelente de José Miguel Silva.»

Fluir, de Mihaly Csikszentmihalyi




Durante mais de vinte anos, Mihaly Csikszentmihalyi estudou estados de «experiência óptima», os estados em que uma pessoa desfruta verdadeiramente de alguma coisa ou em que se concentra activamente numa tarefa. O autor chamou estados de «fluxo» a estes estados de satisfação profunda. Fluir explica como o fluxo pode ser controlado, provocado e como podemos recorrer à sua energia para enfrentar os desafios concretos da vida.


«Fluir é importante… o caminho para a felicidade não está no hedonismo desenfreado, mas em aceitar conscientemente um desafio.» [New York Times Book Review]

«Um livro intrigante sobre o eterno problema da procura da felicidade.» [Library Journal]