8.5.13

Sobre Guerra Conjugal, de Dalton Trevisan





No programa Livro do Dia de 8 de Maio de 2013, na TSF, Carlos Vaz Marques falou sobre Guerra Conjugal, de Dalton Trevisan.
O programa pode ser ouvido aqui.

7.5.13

Sobre Fala, Memória — Uma Autobiografia Revisitada, de Vladimir Nabokov





Na revista Ler de Maio de 2013, Filipa Melo escreve sobre Fala, Memória — Uma Autobiografia Revisitada, de Vladimir Nabokov:

«Talvez o segredo da beleza e mestria de Fala, Memória esteja no facto de ser uma das mais poderosas homenagens ao poder da sensibilidade de uma criança, aqui traduzido numa acumulação de detalhes rememorados com extrema exatidão pelo adulto. É deles e da sua busca e aperfeiçoamento metódicos que nasce a perfeição da forma deste livro. “A imaginação, suprema delícia do imortal e do imaturo, devia ser limitada”, defende o escritor. Sim, a literatura nasce do poder de observação. Paradoxalmente, este aumenta em proporção à posição distanciada do observador e à riqueza do objeto observado. Nesta perspetiva, o caso de Nabokov é único: a passagem para a idade adulta dá-se com a perda violenta (do pai, da pátria, de fortuna, privilégios e poder) e o distanciamento radical e definitivo (o exílio) da riqueza paradisíaca de um “passado perfeito”. Esta cisão será o tema central desta autobiografia e a raiz do seu método.»

Sobre Clarice Lispector





«Antes de a vermos, é ela que nos vê. Ao fundo da sala, o olho de Clarice emerge da escuridão. Só o olho em grande plano, a curva da pálpebra, a ténue sobrancelha, as finas pestanas, um ponto de luz na pupila. Quando nos proximamos, percebemos que a imagem é transparente. Por trás, uma frase: “Ver é a pura loucura do corpo.” [in Um Sopro de Vida]» [José Mário Silva sobre a exposição A Hora da Estrela, na Ler de Maio de 2013]

Apresentação musical baseada no livro A hora da estrela, de Clarice Lispector



 

O concerto, intitulado Outra hora da estrela, com direcção de Eucanaã Ferraz e participação de Jussara Silveira (cantora), Marcelo Costa (percussão), Muri Costa (violão) e Bebe Kramer (acordeon), e narração do actor João Miguel, foi preparado para as comemorações do 92.º aniversário de Clarice Lispector, no Brasil.

Em Junho acontecerá em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, conforme anuncia Eduardo Coelho na revista Ler de Maio de 2013.

Sobre O Falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello






«Tão divertido, muitas vezes hilariante. E também emocionante, perturbador, trágico. Porque para Pirandello a comédia estava na “contradição fundamental… entre a ambição humana e a fragilidade”, uma contradição que provoca “uma certa hesitação entre chorar e rir”.» [The New York Times Book Review]

Sobre Contos, de Luigi Pirandello





«Pirandello é um dos “meus” escritores. Cultiva um humor muito particular, original e difícil de definir, às vezes macabro, outras vezes trágico e desesperado. No prefácio da edição de 1947, Graziella Molinari escreve que os contos de Pirandello “apareceram em volumes variamente intitulados, mas foram depois por ele próprio reunidos sob o título complexivo de Contos para um Ano. Tencionava, pois, escrever 365.” Esteve perto: escreveu cerca de 300.» [Rui Manuel Amaral sobre Contos de Pirandello, uma das suas escolhas para a revista digital NovosLivros]

6.5.13

Sobre Sigmund Freud (06-05-1856/23-09-1939)




De Sigmund Freud, a Relógio D’Água publicou Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci, Psicopatologia da Vida Quotidiana, Moisés e o Monoteísmo, Totem e Tabu, Sobre os Sonhos, O Mal-Estar na Civilização, Autobiografia Intelectual, Para Além do Princípio do Prazer, Três Ensaios sobre Teoria da Sexualidade, A Interpretação dos Sonhos, Cinco Conferências sobre Psicanálise.



A primeira edição de A Interpretação dos Sonhos (Die Traumdeutung) foi publicada em Novembro de 1899. Esta obra inaugurou a teoria da análise do sonho, cuja actividade Freud descrevia como «a estrada real para o conhecimento dos processos mentais do inconsciente»: «Nas páginas que se seguem, apresentarei a prova de que há uma técnica psicológica que permite interpretar os sonhos, e de que pela aplicação desse processo todos os sonhos surgirão como uma configuração psicológica significante, que podemos inserir num lugar específico nas actividades psíquicas da vigília. Além disso, tentarei elucidar os processos que subjazem à estranheza e à obscuridade dos nossos sonhos, e deduzir desses processos a natureza das forças psíquicas cujo conflito ou cooperação são por eles responsáveis. Feito isto, darei a minha investigação por terminada, pois terá atingido o ponto em que o problema do sonho se entronca em problemas mais gerais, cuja resolução exige o recurso a materiais de índole diferente.» [Do I Capítulo de A Interpretação dos Sonhos]

 


Esta Autobiografia é a descrição dos primeiros anos de trabalho e investigação de Sigmund Freud, do modo como foi descobrindo as principais correntes psicológicas e neurológicas da sua época e como, através da influência de Breuer, encontrou o caminho para a psicanálise. E nenhuma teoria sobre o funcionamento da estrutura psíquica exerceu uma influência tão grande como a psicanálise. Esta Autobiografia de 1925 é acompanhada pela História do Movimento Psicanalítíco publicada em 1914. Freud, que estivera praticamente só na defesa da psicanálise durante cerca de dez anos e sujeito às mais diversas e violentas críticas, foi conseguindo obter a adesão para as suas concepções de vários jovens médicos e investigadores de diferentes países. Depois, o próprio movimento psicanalítico foi-se institucionalizando e ramificando, sob o olhar atento de seu fundador.