11.4.13

Clarice Lispector no JL


Marly de Oliveira, Clarice Lispector e Nélida Piñon


O Jornal de Letras, Artes e Ideias de 3 de Abril publica um extenso dossiê sobre Clarice Lispector e a sua obra, a propósito da exposição A Hora da Estrela, recentemente inaugurada na Fundação Calouste Gulbenkian.
Carlos Mendes de Sousa, estudioso da obra de Clarice Lispector, autor de uma sua biografia e de um livro que vai sair em breve no Brasil, Clarice Lispector. Pintura, fala-nos do percurso da obra da autora de Perto do Coração Selvagem em Portugal.
O dossiê tem artigos de Maria Leonor Nunes («A Hora da Estrela. Palavras Expostas»), Affonso Romano de Sant’Anna («Lembranças de um convívio») e de Alberto Dines («A escritora nos jornais»).
Particularmente interessante é o texto de Nélida Piñon, escritora brasileira que foi a amiga que segurou a mão de Clarice quando morreu: «Clarice era assim. Ia direto ao coração das palavras e dos sentimentos. Conhecia a linha reta para ser sincera. Por isso, quando o arpão do destino, naquela sexta-feira de 1977, atingiu-lhe o coração às 10h20 da manhã, no Hospital da Lagoa, paralisando sua mão dentro da minha, compreendi que Clarice havia afinal esgotado o denso mistério que lhe frequentara a vida e a obra. E que embora a morte com sua inapelável autoridade nos tivesse liberado para a tarefa de decifrar seu enigma — marca singular do seu luminoso génio —, tudo nela prometia resistir ao assédio da mais persistente revelação.»

 

10.4.13

Sobre Enviado Especial, de Evelyn Waugh




«Em Enviado Especial encontramos, numa solução concentrada, de um humor refinadíssimo, tudo aquilo que de melhor se revela na obra de Waugh. Estamos diante de uma obra-prima, onde não temos qualquer receita fácil, mas sim um relato muito bem urdido, que seguimos com naturalidade e prazer, percebendo que a sátira nunca é artificial e que, a cada passo, poderemos encontrar-nos com as mais curiosas e bem caçadas personagens.» [Guilherme d’Oliveira Martins, no Blogue do Centro Nacional de Cultura, 22-08-2011]

Sobre Clarice Lispector





No Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro escreve sobre exposição A Hora da Estrela, dedicada a Clarice Lispector, na Fundação Calouste Gulbenkian.

«Não é a exposição em si mesma que é maravilhosa, maravilhosa obviamente é Clarice, a exposição tem a elegância de o conceder. Clarice é maior que a exposição da mesma maneira que o livro Uma Aprendizagem… “está muito acima de mim”, escreveu Clarice. “Eu sou mais forte do que eu.” A exposição é então o quê? Uma evocação? Uma apresentação? Uma casa, a casa de Clarice? Sim, é isso, é uma visita a uma casa com Clarice lá dentro. É uma construção de pecinhas de texto, frases, livros, folhas, farrapos; um cubo mágico que está sempre solucionado porque a sua combinação está sempre certa, todas as peças são Clarice; é uma geometria quieta para a impossivelmente geométrica Clarice, que é só núcleo, viajante no espaço até ao seu próprio Big Bang, o universo numa casca de noz.»

O texto completo pode ser lido aqui.

Sobre Encontro em Samarra, de John O'Hara






«Encontro em Samarra é uma genuína história de amor, plena de eros mas despida de sentimentalidade, e a relação entre os English é mais convincente e sólida do que, digamos, a de Gatsby e Daisy em O Grande Gatsby, ou de Frederic Henry e Catherine Barkley em Adeus às Armas. (…) Se quer saber como era viver na América dos anos 30, Encontro em Samarra não é um mau lugar para começar (…) a sua mordaz consciência de classe (…) é tão actual como os romances de Tom Wolfe.»
[Charles McGrath, The New York Review of Books, 8-4-2013]

9.4.13

Crónicas de Clarice Lispector apresentadas na Bertrand Chiado





A Descoberta do Mundo, livro que reúne as crónicas de Clarice Lispector, vai ser apresentado sexta-feira, dia 12 de Abril, às 18h30, na Livraria Bertrand do Chiado.
A apresentação será feita por Teolinda Gersão e Pedro Mexia.
Como escreveu Benjamin Moser em Clarice Lispector, Uma Vida, esta obra póstuma «pode considerar-se quase uma autobiografia».
A publicação de A Descoberta do Mundo é acompanhada pela edição de duas obras infanto-juvenis da autora, Quase de Verdade e O Mistério do Coelho Pensante.

A chegar às livrarias: A Trombeta do Anjo Vingador, de Dalton Trevisan





«Talvez o modo justo de começar uma resenha sobre um livro de Dalton Trevisan — qualquer um — seja reconhecer, afinal, que estamos diante de um grande mestre da literatura brasileira; mais que isso, diante do último sobrevivente de uma estirpe rara, a dos criadores de linguagem. E para dar o toque bíblico que os mestres merecem, acompanharemos o elogio do mesmo lamento que têm chorado os desgraçados personagens daltonianos ao longo do mais consistente painel literário que o país produziu nas últimas décadas. (…)
Dalton pinta painéis, conjuntos bem amarrados de textos curtos que tanto mais força terão quanto mais sejam percebidos em conjunto.
E não há como escapar, gostemos ou não: a obra de Dalton Trevisan representa o trabalho absolutamente solitário de um mestre, na estatura de uma vida inteira. Nenhum outro escritor brasileiro, hoje, terá o impacto, o poder de síntese, a violência, a absoluta, seca, irredimível brutalidade da frase de Dalton Trevisan. Mas atenção: não se trata apenas do domínio técnico, do bom artesão burilando sentenças, o parnasiano da desgraça - não são elas, as frases enxutas, que nos tocam, mas o universo sufocante detonado por elas na cabeça do leitor, palavra e visão de mundo inextricáveis no seu texto.» [Cristovão Tezza, O Globo, Prosa&Verso, 26-04-1997]

8.4.13

A Relógio D'Água na Ler de Abril de 2013




Na Ler de Abril de 2013, Rogério Casanova escreve sobre Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, por ocasião do bicentenário da edição da obra. 


Dóris Graça Dias aborda Laços de Família, de Clarice Lispector: «Os seus contos transportam-nos a um mundo de vertigem, perturbação, violência, impasse. Uma cartografia raríssima, pessoal, infeliz.»


 

José Guardado Moreira escreve sobre Anjos, de Denis Johnson, referindo que se trata do «romance de estreia de Denis Johnson, autor de um magnífico Sonhos e Comboios, entre outros livros. A vastidão rodoviária do continente americano serve de palco às desventuras de Jamie Mays, uma mulher em fuga que leva na bagagem as duas filhas. Num autocarro conhece Bill Houston, antigo marinheiro e ex-presidiário. O que se segue é o roteiro de uma alucinação que termina bastante mal para ambos: um “silêncio que não é vazio e a cegueira que não é escura”.

 

Fernando Sobral analisa Os Criadores da Economia Moderna, de Sylvia Nasar: «A sua análise de Viena (tanto no período da sua moderníssima Belle Époque como na decrépita cidade do pós-Primeira Guerra Mundial) mostra como é possível falar de economia de forma sedutora, e relembra algo que volta a ser tão actual como nos anos 20 e 30: o que é bom para uma nação pode ser péssimo para outras. Nasar fala, entre outras coisas, da desvalorização cambial. Pelo caminho conhecemos grandes referências pouco conhecidas da economia: de Alfred Marshall a Irving Fisher, passando por Beatrice Webb.»



Ainda na Ler de Abril, na secção Visitas ao Sofá, a actriz Maria João Falcão diz o que anda a ler: «Tenho agora sempre à mão A Paixão segundo G. H., da Clarice Lispector, que é uma autora que só comecei a ler agora. Acho-a dura, é quase uma luta às vezes lê-la. Mas levo-a sempre.»