4.4.13

Sobre É assim Que A Perdes, de Junot Díaz





No programa Livro do Dia de 2 de Abril de 2013, na TSF, Carlos Vaz Marques falou sobre É assim Que A Perdes, de Junot Díaz. O programa pode ser ouvido aqui.

3.4.13

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector





«Ali em pé na semiescuridão do terraço, de repente mais suave, veio-lhe outra revelação que durou pois era o resultado intuitivo de coisas que ela pensara antes racionalmente. O que lhe veio foi a levemente assustadora certeza de que os nossos sentimentos e pensamentos são tão sobrenaturais como uma história passada depois da morte. E ela não compreendeu o que queria dizer com isso. Ela o deixou ficar, ao pensamento, porque sabia que ele encobria outro, mais profundo e mais compreensível. Simplesmente, com o copo de água na mão, descobria que pensar não lhe era natural. Depois refletiu um pouco, com a cabeça inclinada para um lado, que não tinha um dia a dia. Era uma vida a vida. E que a vida era sobrenatural.
Naquela hora da noite conhecia esse grande susto de estar viva, tendo como único amparo apenas o desamparo de estar viva. A vida era tão forte que se amparava no próprio desamparo.»

2.4.13

A chegar às livrarias: Quase de Verdade e O Mistério do Coelho Pensante, de Clarice Lispector e com ilustrações de Susana Oliveira





É uma história que parece mentira e que parece verdade. Mas só é verdade num mundo de quem gosta de inventar, como Ulisses, o cachorro. Os animais falam à sua maneira. Ulisses conta com latidos histórias para a sua dona e aproveita para nos contar a viagem que fez ao quintal da senhora Oniria, onde havia muitos galos que cantavam felizes e galinhas que cacarejavam felizes e punham ovos. Nesse quintal, havia também uma enorme figueira que não dava figos e que por isso tinha inveja da alegria das aves. Um dia resolveu pedir ajuda a uma nuvem negra, que era bruxa, para atrapalhar a vida dos galos e das galinhas. O que aconteceu depois da conversa da figueira com a nuvem é o que Ulisses nos vai contar.

 
 

Os coelhos não pensam como nós, mas podem ter ideias e descobrir coisas. Eles compreendem o mundo com o nariz. Franzindo e desfranzindo o nariz, Joãozinho, o coelho pensante, cheirava ideias. A primeira ideia que cheirou foi uma maneira de fugir da gaiola de ferro. Fugia sempre que não tinha comida. Mas depois tomou o gosto pela liberdade e fugia para passear, descobrir o mundo e visitar a namorada e os filhos. Ninguém até hoje foi capaz de explicar como conseguia sair da gaiola. Quem sabe se franzindo bem o nariz também nós consigamos «cheirar» alguma ideia e descobrir esse mistério…

Sobre Anjos, de Denis Johnson



 

Na Time Out de 27 de Março de 2013, Hugo Pinto Santos escreveu sobre Anjos, de Denis Johnson: «Mais do que aprender com Carver – de quem foi aluno – a burilar a frase até a despir de toda a pompa, Johnson supera-o. A sua prosa é a de um poeta (estreou-se em verso, e só ao terceiro livro de poesia editou este seu primeiro romance) – «em breve as estrelas arderiam claramente sobre a cidade» (p. 87) –; a sua narrativa, a de um mestre, no modo como encaixa peças aparentemente desavindas – tempos, planos e vozes.»

1.4.13

Clarice Lispector — A Hora da Estrela na sexta-feira na Gulbenkian



 

É já na próxima sexta-feira, dia 5 de Abril, que abre ao público a exposição dedicada à vida e obra de Clarice Lispector na Fundação Calouste Gulbenkian.
A capa do último Atual do semanário Expresso é-lhe dedicada, com um texto de Luciana Leiderfarb, que ouviu o poeta Ferreira Gullar e Julia Peregrino, curadores da exposição.
Luciana Leiderfarb descreve alguns dos principais focos da exposição, que vão desde a mostra de manuscritos de Clarice, a frases destacadas das suas obras, até à entrevista que a autora de Perto do Coração Selvagem deu à TV Cultura no início de 1977, na condição de apenas ser divulgada após a sua morte.
O artigo não refere as edições de Clarice Lispector em Portugal, lacunas que preenchemos de boa vontade.
Está publicada em Portugal pela Relógio D’Água quase toda a obra de Clarice Lispector. O seu primeiro livro a sair entre nós foi Laços de Família, em 1990. No prefácio, Lídia Jorge afirmava: «Entre nós, poucos são aqueles que têm de Clarice outra referência que não seja o nome, e no entanto, trata-se de um dos mais singulares escritores da nossa língua.»
Depois seguiu-se Onde Estivestes de Noite e Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, A Paixão segundo G. H., Perto do Coração Selvagem, A Maçã no Escuro, A Hora da Estrela, A Cidade Sitiada, Contos Reunidos, Água Viva, O Lustre, Um Sopro de Vida, e os livros infanto-juvenis A Mulher Que Matou os Peixes e A Vida Íntima de Laura.
Ainda esta semana chegarão às livrarias as suas crónicas reunidas em A Descoberta do Mundo e dois dos seus contos infanto-juvenis, O Mistério do Coelho Pensante e Quase de Verdade.
A restante obra de Clarice será publicada até Setembro de 2013.

Centenário de Em busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust





Em busca do Tempo Perdido foi publicado há cem anos. Do Lado de Swann, o primeiro volume de Em busca do Tempo Perdido, foi publicado em Novembro de 1913.
Foi uma edição da Grasset, custeada pelo próprio autor, dada a recusa de André Gide, então editor da Gallimard, que na sua resposta afirmou não conseguir entender que alguém precise de trinta páginas para descrever como vai para a cama dormir.
Entre as comemorações do centenário, destaca-se no Morgan Library & Museum de Nova Iorque a exposição com o material da Bibliothèque Nationale de France, que inclui manuscritos, provas corrigidas e parte da correspondência que Proust manteve com a sua mãe.

Sobre Vladimir Nabokov





«Aquando da publicação de Ada, John Leonard, do New York Times, escreveu: “Se ele não ganhar o Prémio Nobel, é só porque o Prémio Nobel não o merece.” A observação de Leonard haveria de confirmar-se profética: Nabokov juntar-se ia aos grandes escritores do século XX – Tchékhov, Joyce, Proust, Kafka – que nunca receberam o prémio.» [Brian Boyd, Vladimir Nabokov, The American Years]