28.3.13

A chegar às livrarias: Guerra Conjugal, de Dalton Trevisan




«Nesses contos e novelas, diria que Dalton Trevisan se antecipou à geração brasileira dita do mimeógrafo ou marginal na captação dessas cenas do quotidiano, entre o trágico e o pícaro, como se antecipou às gerações mais modernas até na concisão.»
Arnaldo Saraiva, JL, junho de 2012
 
«… as suas curtas e irónicas epifanias atingem a revelação das elípticas personagens de Maupassant e Tchékhov.»
Bruce Allen, Library Journal

«O dom de Dalton Trevisan é a habilidade de escolher e destacar um único momento, um lampejo, poucas linhas de diálogo, e projetar artisticamente esse microcosmo de vida.»
Robert A. McLean, Boston Globe


27.3.13

A chegar às livrarias: Clarice Lispector





A Maçã no Escuro (1961) foi o primeiro dos três romances publicados por Clarice Lispector nos anos sessenta. Em 1964 surgiria A Paixão segundo G. H. e, em 1969, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, onde abandona as noções tradicionais do género.
Foi no decurso de uma estada em Torquay, em Inglaterra, que Clarice Lispector começou a tomar notas para aquele que seria o mais longo dos seus livros, só terminado em Washington, em 1956. Durante a escrita das numerosas versões de A Maçã no Escuro, a autora ouviu até à exaustão a Quarta Sinfonia de Brahms, número que se exprime no livro como símbolo do mundo criado e de vida.
É um romance de iniciação, através da busca individual de Martim, que, pensando ter cometido um crime, se refugia num hotel e depois numa fazenda. Deslumbrante e psicologicamente denso, este livro tem as marcas mais pessoais da autora, pois nele tudo se relaciona numa criação que é ao mesmo tempo narrativa e exercício espiritual.




«A aterradora magnificência de A Paixão segundo G. H. colocou o romance entre os mais importantes do século. Pouco antes da sua morte, na sua última visita ao Recife, Clarice disse a um repórter que, de todos os seus livros, era esse que “correspondia melhor à sua exigência como escritora”. A obra inspirou uma gigantesca bibliografia, mas, na época em que foi publicada, parece ter sido quase ignorada.»
[Benjamin Moser, em Clarice Lispector, Uma Vida]

26.3.13

Obra dramática de Shakespeare na Relógio D’Água





A Relógio D’Água vai publicar, por acordo com o grupo de investigação «Shakespeare e o Cânone Inglês», do CETAPS – Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies da Faculdade de Letras do Porto, a tradução de toda a obra dramática de William Shakespeare. O projecto é coordenado pelo professor Manuel Gomes da Torre.
Com esta colecção pretende-se «oferecer uma imagem actual e coerente da obra dramática de Shakespeare, através de um plano de tradução que obedece a critérios amplamente discutidos e rigorosamente definidos, e que beneficia de um aturado estudo sobre o autor, o seu tempo e a sua obra».
Os primeiros títulos, a publicar ao longo do próximo mês, são Romeu e Julieta, com tradução de Filomena Vasconcelos, Henrique IV (Parte I e Parte II), tradução de Gualter Cunha, e Bem Está O Que Bem Acaba, tradução de Manuel da Torre.
Com esta iniciativa, procurou-se trazer Shakespeare para o século XXI, tornando-o acessível na nossa língua, ao mesmo tempo que se evidencia «a dimensão histórica e transcultural da sua obra».

25.3.13

«Menina Lora», de Junot Díaz, vence prémio de conto do Sunday Times




O escritor Junot Díaz, vencedor de um Pulitzer e de uma Bolsa MacArthur, derrotou escritores como Sarah Hall, Toby Litt, Ali Smith, Mark Haddon e Cynan Jones ao receber o inglês de conto Sunday Times EFG Private Bank.
Sobre «Menina Lora» Junot Díaz disse: «Muitos rapazes com quem cresci tiveram, na adolescência, destas relações sexuais difíceis de classificar com mulheres mais velhas. O que desalenta é que, como pensamos nestes rapazes como já hipersexuais (…), tendemos a não considerar este tipo de relação como criminosa ou abusiva, como fazemos quando envolvem raparigas. Quis meter-me mesmo no meio desta terrível ambivalência. E também quis fazer justiça a essa atmosfera de medo apocalíptico de meados dos anos 80 em que cresci. (…) Penso que esta é uma daquelas histórias de sexo e apocalipse, o meu próprio New Jersey, Meu Amor.»
O conto valeu ao autor 30 mil libras e faz parte de É assim Que A Perdes, recentemente publicado pela Relógio D’Água.

A Relógio D’Água Editores na blogosfera



 

No blogue Bibliotecário de Babel, José Mário Silva transcreve os primeiros parágrafos de Riso na Escuridão, de Vladimir Nabokov: «Era uma vez um homem chamado Albinus que vivia em Berlim, na Alemanha. Era rico, respeitável, feliz; certo dia abandonou a mulher por causa de uma amante jovem; amava; não era amado; e a sua vida acabou em desastre.
Isto é a história toda e podíamos tê-la deixado por aqui se não fosse o proveito e o prazer no contar; e embora haja numa pedra tumular espaço de sobra para conter, encadernada em musgo, a versão resumida da vida de um homem, os pormenores são sempre bem-vindos.»

Sobre A Rapariga sem Carne, de Jaime Rocha




No suplemento Atual do Expresso de 2 de Março de 2013, Manuel de Freitas escreveu sobre o último livro de poesia de Jaime Rocha (Mulher Inclinada com Cântaro, ed. Volta d’Mar), dizendo: «Em 2012, Jaime Rocha publicou dois livros excecionais em que a questão do género se torna absolutamente secundária. De facto, se A Rapariga sem Carne (Relógio D’Água) é muito mais do que uma novela, Mulher Inclinada com Cântaro excede os 18 “cantos” do poema que parece ser, afirmando-se como uma intensa narrativa “virada para o fundo do mar”.»

22.3.13

Sobre Clarice Lispector





«E Ivan Lessa relata como o pessoal reagia à chegada dos textos de Clarice enviados por correio dos Estados Unidos à redação (…): “Chegava tudo por carta. Lembro daquele, ‘A Menor Mulher do Mundo’. Sensacional. Apareciam os envelopes americanos, a gente voava lá. Feito exemplar da New Yorker.”» [Ivan Lessa, A Gazeta Mercantil, 7-9 de Maio de 1999, citado por Nádia Battella Gotlib em Clarice Fotobiografia.]


«A Menor Mulher do Mundo» é um dos contos de Laços de Família, de Clarice Lispector.