25.2.13

A chegar às livrarias



«O modo de locomoção do espírito a que nos convida parece feito à nossa medida, é experimental de fazer em casa ou de ver na rua, e nele entramos sem iniciação ou reverência, sem baixar a cabeça numa porta estreita ao cimo de uma escada.
O percurso escolhido vai dos sentidos às técnicas pela experiência, da óptica dos espelhos, das lentes, do caleidoscópio ou do arco-íris, aos ímanes, à electricidade, às alavancas e aos foguetões, à pressão e ao atrito, à flutuação dos barcos, à tensão superficial, ou ainda ao peso do ar, aos termómetros, aos fenómenos do som. Pelo caminho, ensina-nos a ferver água numa caixa de papel, a fazer um sempre-em-pé e a gostar de perceber o porquê das coisas.
Rómulo de Carvalho veio recordar-nos, mais uma vez, como a Física também é quotidiana. A sua obra de divulgação científica, agora em reedição, ocupa um lugar destacado na história da divulgação em Portugal.» [Do Prefácio de José Mariano Gago]
 
Rómulo de Carvalho (1906-1997) foi durante mais de quarenta anos professor do ensino secundário. Iniciou a sua carreira em Lisboa em 1934. Em 1950, foi transferido para Coimbra, onde leccionou durante sete anos, fixando-se de novo e definitivamente em Lisboa, onde veio a reformar-se em 1974, aos 68 anos.
Nas escolas onde exerceu a profissão, designadas à época por «liceus», ensinou Física e Química, disciplinas em que se formara na Universidade do Porto, entre 1928 e 1931. As suas actividades docentes e acção pedagógica deixaram marcas indeléveis nas escolas onde trabalhou. Desde logo, na formação e nas escolhas profissionais de numerosos jovens que lhe passaram pelas mãos ou que receberam a sua influência através dos manuais escolares que publicou e que o notabilizaram como professor, ou ainda através dos livros de divulgação científica dirigidos a jovens e a menos jovens.
Neste caso estão, entre muitos outros trabalhos, os livrinhos da colecção «Ciência para Gente Nova» (oito títulos publicados entre 1952 e 1962); a obra pioneira Física para o Povo (dois volumes, de 1968) e os dezoito Cadernos de Iniciação Científica publicados entre 1979 e 1985, já depois de se ter aposentado.
O professor notabilizou-se também como investigador da história das ideias e da actividade científica e técnica em Portugal, no século de setecentos, e dos seus protagonistas — pessoas e instituições —, devendo-se-lhe, neste campo, mais de três dezenas de publicações, entre 1954 e 1996, a que se somam outros tantos estudos diversos relacionados com o mesmo tema. Deve-se-lhe a primeira e ainda hoje única História do Ensino em Portugal, desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano.
Em 1996, por ocasião dos seus 90 anos, Rómulo de Carvalho viu publicamente reconhecido o mérito da obra de uma vida, ao ser instituído, por decisão do governo português, o dia do seu aniversário — 24 de Novembro — como Dia Nacional da Cultura Científica.
Rómulo de Carvalho revelou-se publicamente como poeta publicando aos 50 anos de idade um primeiro livro de poemas. Foi então que nasceu António Gedeão, de quem se pode dizer que a sua poesia, ao mesmo tempo simples e elaborada, profundamente enraizada na sua terra, exprime a alegria, as dores, as inquietações e as contradições, a compaixão pelo outro e o amor da natureza e das coisas que afligem todo o ser humano.
[Frederico Carvalho
Setembro de 2012]

 

Hélia Correia no Correntes d'Escritas





Para ver aqui, o discurso de agradecimento de Hélia Correia no encerramento do encontro literário Correntes d’Escritas, dia 23 de Fevereiro, via Bibliotecário de Babel.

 

22.2.13

Exposição sobre Ryszard Kapuściński: O Poeta da Reportagem



 

É inaugurada amanhã, 23 de Fevereiro, às 16h30, no Centro Português de Fotografia, no Porto, uma exposição dedicada à vida do escritor, viajante e jornalista polaco Ryszard Kapuściński, cujos trabalhos relataram acontecimentos fulcrais da história do mundo.


De Ryszard Kapuściński, a Relógio D’Água publicou Os Cínicos não Servem para Este Ofício, obra que aborda os problemas surgidos na sua actividade, numa época de grandes mudanças políticas e sociais e de rápidas alterações tecnológicas na área da informação. Como falar de pobreza, de fome e das guerras? Qual a relação entre a realidade e a narrativa que dela se faz? Pode ser-se um bom jornalista sem motivações éticas? Que alterações foram provocadas no jornalismo pela televisão e a Internet?
Além de uma conversa com Maria Nadotti, o livro inclui uma entrevista feita por Andrea Semplici sobre os acontecimentos que levaram à emancipação africana do domínio colonial e um diálogo com o crítico de arte John Berger.

Sobre O Próximo Outono, de João Miguel Fernandes Jorge e Pedro Calapez





No suplemento ípsilon do Público de 22 de Fevereiro, Maria da Conceição Caleiro escreve sobre O Próximo Outono, de João Miguel Fernandes Jorge e Pedro Calapez: «O Próximo Outono é um livro literal e etimologicamente fabuloso, fantástico. Tal como a pintura, ele é assumidamente produto de fantasmas — convocados voluntária e involuntariamente, mas quase sempre presentes in absentia tanto no autor como no leitor (talvez outrora visitante) e no próprio artista plástico, cujo contexto material e sensível de produção se apagou e o curador persegue. Tudo o que precede a obra existe latente, mas a sua actualização não esgota o enigma, apenas desloca a transcendência. Esta não cessa de latejar, esfarelando sempre a coincidência, relançando o desejo de produzir arte.»

Sobre Anjos, de Denis Johnson





«Assombroso, Anjos, do poeta Denis Johnson, é a história de pessoas que inevitavelmente resvalam para os seus piores pesadelos. (…) é uma mistura de poesia e obscenidade. Nem todos os leitores serão arrebatados pelo seu melodrama e quase avassalador sentido de desespero. Mas, estejam as personagens a conversar com um anjo negro ou a pedir uma dose de batatas fritas, são pessoas que não podem ser ignoradas. Mr. Johnson escreveu um primeiro romance deslumbrante e selvagem.» [Alice Hoffman, New York Times]

21.2.13

Sobre Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda





Na Time Out Lisboa de 20 de Fevereiro, Hugo Pinto Santos escreve sobre Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda: «Obra de juventude, escrita aos 19 anos, Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada não tem a rudeza, nem a incipiência, do principiante – que Pablo Neruda já então não era. Comprovam-no a segurança das suas manobras de mão firme sobre a metáfora – “búzio terrestre, em ti a terra canta” (p. 31) – e uma impressionante capacidade de gerir o concreto e o imaterial – “o teu corpo paralelo submete-se aos meus braços/ como um peixe infinitamente preso à minha alma” (p. 69).»

Sobre É assim Que A Perdes, de Junot Díaz





Na Time Out Lisboa de 20 de Fevereiro, Rui Lagartinho escreve sobre É assim Que A Perdes, de Junot Díaz: «Junot Díaz tornou-se conhecido quando, em 2008, o seu segundo livro — A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao — venceu uma série de prémios, entre os quais o Pulitzer para melhor ficção. Nascia uma esctrela americana com origem hispânica: Junot Díaz nasceu em 1968 em Santo Domingo, na República Dominicana, e cresceu em New Jersey.
A colecção de nove contos É assim Que A Perdes é o seu terceiro livro e dá de novo destaque a Yunior, personagem principal do seu primeiro livro de contos e secundário no romance premiado.»