12.2.13

A chegar às livrarias






O aclamado primeiro romance de Denis Johnson, Anjos, coloca Jamie Mays – uma esposa fugitiva que leva consigo as duas filhas – e Bill Houston – um ex-oficial da Marinha, ex-marido e ex-preso – juntos num autocarro da Greyhound em viagem pelos Estados Unidos. Guiados por um espírito inquieto, álcool e necessidades desesperadas, Jamie e Bill andam em estações de autocarros e hotéis baratos, onde vão deparando com as estranhas, fascinantes e perigosas margens da vida norte-americana. O seu bilhete pode muito bem dizer Phoenix, mas o seu destino é uma última paragem de surpreendente violência.
Denis Johnson, conhecido pelos seus retratos de norte-americanos marginais, ilumina esta odisseia com a sua visão única e uma sabedoria pessoal totalmente original.


«Um dos mais notáveis escritores americanos da actualidade.» [Los Angeles Times Book Review]

«Uma pequena obra-prima… prosa de extraordinário poder e estilo.» [Philip Roth]

Sobre Sylvia Plath




No Quociente de Inteligência, suplemento do Diário de Notícias de 9 de Fevereiro, Joana Emídio Marques escreve sobre Sylvia Plath, recordada por Helder Macedo: «Para além dos contos e da poesia Plath escrevia diversas formas de textos diarísticos, que podiam ser exercícios intimidade e de auto-flagelação, tentativas de auto-mobilização para resolver problemas, descrições de pessoas ou acontecimentos. “Alguns destes textos”, escreveu Hughes [na introdução a Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos], “revelam mais claramente ainda que os seus melhores contos, a que ponto a pura presença objetiva das coisas e dos acontecimentos lhe paralisava a fantasia e a invenção.” (…) Depois da morte, Sylvia Plath haveria de ganhar uma projecção como poeta que nunca teve em vida. Os movimentos feministas dos anos 60 e 70 fizeram dela uma bandeira o que, para Helder Macedo “poderia ter sido fatal para a obra, pois acantonou-a num getho ideológico que lhe menorizava o alcance.”» [Citado da página de Facebook da jornalista]

11.2.13

Em Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos, de Sylvia Plath





«Certos poemas e versos são para mim tão densos e milagrosos como o devem ser os altares de igreja e as cerimónias de coroação das rainhas para os devotos de outras imagens bem diferentes. Não me aflige que os poemas só alcancem um número bastante pequeno de pessoas. Mesmo assim, já vão surpreendentemente longe — viajam por entre estranhos, chegam por vezes a dar a volta ao mundo. Vão mais longe que as palavras de um professor na sala de aula ou as receitas de um médico; mais longe até, com um pouco de sorte, que o tempo de uma vida.»

[Sylvia Plath, «Contexto», in Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos]

Sobre Sylvia Plath





No dia em que passam cinquenta anos sobre a morte de Sylvia Plath, Vanda Marques escreve no i sobre a autora de Zé Susto e a Bíblia dos Sonhos, Ariel e O Fato do Tanto-Faz-como-Fazia, três obras editadas em Portugal pela Relógio D’Água.

O texto pode ser lido aqui.

A Relógio D’Água na blogosfera



 

No blogue Casmurros dá-se notícia da lista dos finalistas do Man Booker International Prize, em que se inclui Lydia Davis, e acrescenta-se sobre a edição de Contos Completos: «São 198 pequenas histórias (quase mínimas) que tratam do amor, da solidão, do humor e da estranheza da vida.» [Texto completo aqui.]

8.2.13

Elizabeth Bishop (08-02-1911/06-10-1979)





«Uma arte

A arte de perder não é difícil de se dominar;
tantas coisas parecem cheias da intenção
de se perderem que a sua perda não é uma calamidade.

Perder qualquer coisa todos os dias. Aceitar a agitação
de chaves perdidas, a hora mal passada.
A arte de perder não é difícil de se dominar.

Então procura perder mais, perder mais depressa:
lugares e nomes e para onde se tencionava
viajar. Nenhuma destas coisas trará uma calamidade. […]»


(in Geografia III, de Elizabeth Bishop, tradução de Maria de Lourdes Guimarães)
 

Alexandra Lucas Coelho encontra «vampiro» de Curitiba

 
 
No ípsilon de 8 de Fevereiro, Alexandra Lucas Coelho conta-nos o seu encontro na cidade de Curitiba com Dalton Trevisan, Prémio Camões 2012 e o mais «invisível» escritor brasileiro.
 
«Estou assim, cara na grade, quando uma figura entra no meu campo de visão. É um homem de boné, um pouco curvado, mãos atrás das costas, passo firme. Caminha ao longo das árvores como se matutasse, quase falasse com ele mesmo. Vai até ao fim e volta, na mesma cadência. Cai o vermelho, cai o verde, Curitiba roda à volta do seu vampiro. Não me ocorre tirar fotografias nem esconder-me. Ocorre-me que talvez Dalton saiba que eu ia ver a casa. Chain [livreiro de Curitiba], fiel, não lhe diria? Se disse, terá Dalton saído ao jardim para me deixar com estas perguntas? E nisto o boné desaparece em direcção à casa. (…) “Era ele mesmo”, confirma Chain, quando volta à livraria. Tem a certeza? Dalton vive sozinho? E usa aquele boné? Sim, sim e sim. (…)
Não sei se Dalton alguma vez escreveu “Raskolnikov sou eu”, mas sei que escreveu “Capitu sou eu”, e os amigos contam que ele não tem dúvidas sobre o maior enigma da literatura brasileira: Capitu (heroína de Dom Casmurro) traiu Bentinho? Machado de Assis é o herói de Dalton Trevisan (juntem-lhe Flaubert, Tchékhov e cinefilia).
Na manhã seguinte paro na livraria a caminho do aeroporto. Lá estão os livros que comprei, todos assinados. E mais dois com dedicatória: oferta do vampiro.»