9.11.12

Sobre Contos Escolhidos, de Carson McCullers





Na revista Ler de Novembro, José Guardado Moreira escreve sobre Contos Escolhidos, de Carson McCullers: «Com escolha pessoal e tradução da escritora Ana Teresa Pereira (…), reúne uma dúzia de histórias da autora de algumas das mais discretas obras-primas que são das mais intensamente verdadeiras e pessoais da literatura norte-americana do século passado. (…) Os personagens destas histórias insinuadas pelo vento, quase contadas em surdina, avançam em terreno inseguro, tão instável quanto as suas vidas incertas, buscando um momento que tarda.»

8.11.12

David Golder, de Irène Némirovsky





Doente e abandonado pelos seus, David Golder, um temível homem das finanças, parece destinado a aceitar a ruína.
Mas o amor que tem pela sua filha Joyce, uma jovem frívola e gastadora, sobre a qual não tem qualquer ilusão, leva-o de novo ao campo de batalha.
David Golder decide reconstruir o seu império e prepara-se para o último combate, reunindo o que lhe resta da feroz energia do passado.
Publicado em 1929, este foi o primeiro romance de uma jovem escritora de origem russa de insólita maturidade.

6.11.12

Pela Estrada Fora no grande ecrã



 

A revista Ler anunciou no seu blogue a antestreia em exclusivo de On the Road, a adaptação cinematográfica da obra de Jack Kerouac, realizada por Walter Salles, no Festival LER 25 Anos/25 Filmes.

O filme conta com as participações de Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Sam Riley e Kristen Stewart e será exibido no Cinema São Jorge, em Lisboa, no dia 4 de Dezembro.

A Relógio D’Água publicou duas edições de Pela Estrada Fora. A primeira é a edição tal como foi publicada em 1957. A segunda, Pela Estrada Fora — O Rolo Original, em tradução de Margarida Vale de Gato, transcreve o rolo em que a obra foi originalmente dactilografada.

5.11.12

Manuel Gusmão sobre Ana Teresa Pereira





«Para o poeta e ensaísta Manuel Gusmão, este prémio, ao mesmo tempo que valoriza a qualidade deste romance em particular, é também o reconhecimento da importância “da obra de Ana Teresa Pereira como um todo”. Gusmão lembra que a autora vem publicando, desde o final dos anos 80, “quase um livro por ano”, e salienta o seu “universo muito pessoal, marcado pelos sucessivos ‘desdobramentos das suas personagens’” e por um constante “jogo com o teatro e com o cinema”. Em O Lago, diz Gusmão, o habitual clima de mistério dos livros de Ana Teresa Pereira “adensa-se até à inquietação e à ameaça”.» [Luís Miguel Queirós, Público, 25 de Outubro de 2012]

António Guerreiro sobre Ana Teresa Pereira





No suplemento Atual do Expresso de 3 de Novembro, António Guerreiro escreve sobre Ana Teresa Pereira, a quem foi recentemente atribuído o Grande Prémio de Romance e Novela da APE: «Numa altura em que assistimos à proliferação e ao triunfo desenfreado de um tipo de romance que já deixou de ser um género literário para se tornar um mero género editorial — um tipo de romance que parece saído das oficinas de “escrita criativa”, com os seus truques pindéricos e os seus números de prestidigitação —, as narrativas desta escritora situam-se noutro lado: do lado de um mundo interior obsessivo, inquietante, que não procura fazer piruetas para ir entretendo os leitores (acrecente-se, aliás, que a pessoa da autora também nunca foi vista a fazer piruetas e a oferecer os seus préstimos para animar a vida mundano-literária). E, talvez por essa dimensão obsessiva, pelo valor da reiteração e da insistência em lugares e personagens, o universo literário de Ana Teresa Pereira ganha uma maior consistência, e torna-se mais interessante, se o acompanharmos no seu percurso, de livro para livro.»

2.11.12

A chegar às livrarias



Antoinette tem catorze anos e deseja participar, mesmo que apenas por instantes, no baile que os seus pais, os Kampf, organizaram para ostentar a sua recém-adquirida riqueza. Mas a mãe decide não permitir a presença da filha, cujo corpo e maneiras a envergonham.
Desesperada, Antoinette vai vingar-se de um modo tão radical como inesperado.
O Baile, um romance de iniciação sobre a adolescência e os seus tormentos, foi um dos primeiros livros escritos por Irène Némirovsky, prematuramente morta em Auschwitz em 1942.
Surgida em 1930, a novela, inspirada nas difíceis relações entre a autora e a sua mãe, confirmou uma grande escritora, capaz de descrever a crueldade adolescente, ao mesmo tempo natural e premeditada, marcada pelo humor e pela ternura.

A Relógio D'Água no ípsilon de 2 de Novembro de 2012





No ípsilon de 2 de Novembro de 2012, Helena Vasconcelos escreve sobre Dublinenses, de James Joyce: «Até hoje, os contos de Dublinenses continuam a emitir o seu fascínio magnético, graças à perfeição do ritmo, à cadência modulada das palavras, aos sentimentos e aos sobressaltos que evocam, às belas imagens que só o génio observador de Joyce poderia criar. Apenas Tchékhov e, mais tarde, Raymond Carver conseguiram igualar a mestria de Joyce na sua construção de um universo tão rico, de uma acção tão dinâmica e de tão vastas e verdadeiras emoções, tudo contido numa moldura narrativa exígua mas que transcende todas as limitações.»

 

No mesmo suplemento, Maria da Conceição Caleiro escreve sobre Os Cães e os Lobos, de Irène Némirovsky: «Némirovsky escreve com intensidade e tensão, deixando o leitor sem fôlego. O crescendo só subitamente se suspende por ser já desmedido. Um dos trechos mais veementes do livro é a percepção de um pogrom no gueto por duas crianças que estão a ouvir, deitadas, sem ver: “Isto são vidros que estão a partir. Não estás a ouvir os estilhaços a cair? Olha, agora são pedras atiradas às paredes e à porta de ferro da loja. Agora são pessoas a rir. Porquê? E agora são só soldados a cantar.”»