Amanhã, 23 de Agosto, estreia 360 - A vida é um círculo perfeito, o
novo filme de Fernando Meirelles, inspirado na obra A Ronda, de Arthur Schnitzler. O filme tem argumento de Peter
Morgan e a participação de actores como Anthony Hopkins, Rachel Weisz ou Jude
Law.
22.8.12
21.8.12
A Relógio D’Água nos media na semana de 18 a 25 de Agosto
O Expresso e os 50
livros que «toda a gente deve ler»
No suplemento Atual do último número do Expresso um conjunto de críticos
escolheu «meia centena de obras literárias e ensaísticas essenciais».
Trata-se de um grande
avanço em relação à habitual lista de livros para ler nas férias, muito vulgar
em períodos estivais. Por melhor romance policial que seja O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie, não é
certamente comparável a Crime e Castigo,
de Dostoievski.
Com 12 títulos
escolhidos, a Relógio D’Água é de longe a editora mais bem representada na
selecção feita. São eles Crime e Castigo,
de Fiódor Dostoievski, Macbeth, de
William Shakespeare, Madame Bovary,
de Gustave Flaubert, Retrato de Uma
Senhora, de Henry James, Em busca do
Tempo Perdido, de Marcel Proust, O
Vermelho e o Negro, de Stendhal, Poeta
em Nova Iorque, de García Lorca, As
Ondas, de Virginia Woolf, O Monte dos
Vendavais, de Emily Brontë, O Ofício
de Viver, de Cesare Pavese, Ensaios,
de Montaigne, e Debaixo do Vulcão, de Malcolm Lowry.
Os três últimos títulos
tiveram destaque especial por, respectivamente, Pedro Mexia, Henrique Monteiro
e Ana Cristina Leonardo.
Por outro lado, há
outras cinco obras editadas na Relógio D’Água e cujas edições referidas são de
outras editoras; é o caso de O Coração
das Trevas, de Joseph Conrad, Memórias
Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Moby Dick, de Herman Melville, O
Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, A
Terra sem Vida, de T. S. Eliot (A Terra Devastada, na edição da Relógio
D’Água), e ainda Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de
Cervantes. Ignoramos o critério seguido nestas opções entre editoras, mas não
terá sido provavelmente a qualidade das traduções, já que na Relógio D’Água a
edição de Dom Quixote é de José
Bento, A Terra Devastada de Gualter
Cunha, Moby Dick de Alfredo Margarido
e Daniel Gonçalves, e O Grande Gatsby
de Ana Luísa Faria.
De notar ainda que três
dos clássicos escolhidos terão nos próximos meses novas traduções na Relógio
D’Água. Guerra e Paz, de Tolstói,
será traduzido por António Pescada, Ulisses,
de James Joyce, por Jorge Vaz de Carvalho, e Lolita, de Vladimir Nabokov, por Margarida Vale de Gato.
Mas se a escolha do Expresso tem o mérito de fugir a uma
lógica estival, a verdade é que é uma selecção entre outras possíveis. Basta
pensar na ausência de Sonetos ou Os Lusíadas, de Camões, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Anna
Karénina, de Tolstói, de Middlemarch,
de George Eliot, de Os Irmãos Karamázov,
de Dostoievski, Folhas de Erva, de
Walt Whitman, Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, A Morte de Virgílio, de Hermann Broch,
ou Memórias de Adriano, de Marguerite
Yourcenar.
No mesmo número do Atual, Pedro Mexia escreve sobre a
edição de 50 Poemas, de Tomas Tranströmer, traduzido do sueco por Alexandre
Pastor: «Celebradíssimo na Suécia, traduzido em dezenas de línguas, canónico
nas antologias internacionais, Tomas Tranströmer está longe porém de ser uma
figura conhecida fora do circuito poético. Octogenário, ferozmente discreto, há
mais de vinte anos que vive retirado e incapacitado, na sequência de um
acidente vascular cerebral. A atribuição do Prémio Nobel justificou enfim uma
tradução portuguesa substancial (havia poemas em obras colectivas, incluindo os
pouco interessantes poemas “portugueses”). Alexandre Pastor, o nosso homem em
Estocolmo, traduziu 50 textos que representam cinquenta anos de uma produção
vigiada, com uma escassa dezena de colectâneas, de 17 Poemas (1954) a O Grande
Enigma (2004).»
No Público de 18 de Agosto, Susana Moreira Marques escreveu sobre
Hélia Correia: «Atrás de Lillias Fraser,
romance de 2001, voltamos ao século XVIII, fugimos por campos de sangue na
Escócia, passamos por Lisboa, o mundo cai e reconstrói-se. No sexto artigo da
série, visitamos a casa de Hélia Correia, onde as paredes falam e a inspiração
não passa de moda.»
20.8.12
Sobre Tomas Tranströmer
No Quociente de Inteligência,
do Diário de Notícias de 4 de Agosto,
Joana Emídio Marques escreveu sobre Tomas Tranströmer:
«Quase um ano depois do
Nobel a editora Relógio D’Água edita a antologia 50 Poemas, traduzidos por
Alexandre Pastor, e Tomas Tranströmer deixa de ser um ilustre desconhecido em
Portugal. Esse país cujas paisagens evoca em vários dos seus enigmáticos
poemas. (…) Mas se algo caracteriza a obra do sueco é uma paradoxal fixidez
mutante idêntica à de certas fotografias como as de Diane Arbus, Nan Goldin ou
Robert Frank (…).
A melancolia e a
irrepetibilidade dos instantes vividos ou imaginados são outras das constantes da
lírica de Tranströmer e que ele mostra em recorrentes figurações da natureza a
mudar com as estações do ano ou o bulício humano das grandes urbes.»
No blogue Bibliotecário de Babel, José Mário Silva transcreveu cinco dos 50 Poemas agora publicados pela Relógio D’Água.
10.8.12
Luigi Pirandello no Ípsilon
Rui Lagartinho escreve sobre os Contos de Luigi Pirandello, no
suplemento Ípsilon do Público de 10 de Agosto:
«Além do teatro e dos romances que o tornaram
famoso, durante os seus 40 anos de produção literária Luigi Pirandello nunca
descurou o conto. São centenas de histórias breves que não poucas vezes
serviram de balão de ensaio às suas ambições maiores, coroadas com o Prémio
Nobel da Literatura que lhe foi atribuído em 1934. (…)
Com esta mistura confessional entre realismo
e fantasia, Pirandello experimenta-se a si e deixa sementes que serão colhidas
(apenas um exemplo) por Alberto Moravia em muitos dos seus contos, umas décadas
depois.»
9.8.12
Novidades
«A minha mãe passou anos a dizer que eu era
egoísta, descuidada, irresponsável, etc. Muitas vezes, irritava-se. E quando eu
queria responder, tapava os ouvidos com as mãos. Fez tudo o que pôde para
mudar-me, mas os anos passavam e eu não mudava, ou, se mudava, nunca tinha a
certeza de ter mudado, porque nunca houve um momento em que a minha mãe
dissesse: “Deixaste de ser egoísta, descuidada, irresponsável, etc.” Agora sou
eu que me digo: “Porque é que não és capaz de pensar primeiro nos outros?
Porque não prestas atenção ao que estás a fazer? Porque não te lembras do que
tens de fazer?” Irrito-me. Concordo com a minha mãe. Sou um caso tão difícil!
Mas não lho posso dizer, a ela — porque, no momento em que lho quero dizer,
estou aqui ao telefone com ela, a ouvi-la e preparada para me defender.»
[Lydia Davis, «Um Caso Tão Difícil», de Contos Completos]
Novidades
«A ação deste livro decorre em 1547.
Conta-nos a história de dois rapazes, muito semelhantes na aparência. Um é Tom
Canty, que vive com o seu violento pai em Offal Court, perto de Pudding Lane,
em Londres. O outro, o príncipe Eduardo, filho do rei Henrique VIII.
Tom era forçado pelo pai a pedir esmolas e
castigado quando as não obtinha. E para esquecer a sua vida infeliz gostava de
brincar com os seus amigos na rua, representando o papel de príncipe.
Foi isso que o levou um dia ao palácio do rei
Henrique VIII. Quando o avistou, o príncipe mandou-o entrar. É então que
decidem, por brincadeira, trocar de roupas. Mas era tal a semelhança entre os
dois rapazes que os guardas acabam por expulsar o príncipe do palácio. Eduardo
vagueia pelas ruas da cidade, proclamando-se o verdadeiro príncipe de Gales.
Enquanto isso, e apesar das tentativas de Tom
para explicar o sucedido, tanto a corte como o rei insistem em que é ele o
verdadeiro príncipe.
Mais tarde, Eduardo acaba por se cruzar com a
família de Tom e com um bando de ladrões – parte da história que Mark Twain
utiliza como crítica ao sistema de justiça inglês.
Após a morte de Henrique VIII, Eduardo
interrompe a cerimónia de coroação de Tom.»
[Mark Twain, O Príncipe e o Pobre]
7.8.12
Nas livrarias
«Para contar a vida
íntima de alguém é necessário compreender detalhes simples em que geralmente
não reparamos. Laura é uma galinha quase vulgar, não fosse o jeito especial
como a sua história é contada. Meio castanha, meio ruiva, Laura tem um pescoço
muito feio mas é bonita por dentro, além de ser bem simpática. Não é muito
inteligente, mas não é burra de todo porque ao ciscar escolhe coisas que não
lhe fazem mal. Laura é casada com Luís, um galo vaidoso que gosta muito dela.
Dos muitos ovos que pôs, nasceu Hermany, um pintainho guloso de quem Laura e
Luís se orgulham.
Aprender a observar é
quase contar uma história. É uma aventura emocionante que todos nós deveríamos
experimentar. O leitor já alguma vez tentou?»
[Clarice Lispector, A
Vida Íntima de Laura]
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