20.8.12

Sobre Tomas Tranströmer





No Quociente de Inteligência, do Diário de Notícias de 4 de Agosto, Joana Emídio Marques escreveu sobre Tomas Tranströmer:
«Quase um ano depois do Nobel a editora Relógio D’Água edita a antologia 50 Poemas, traduzidos por Alexandre Pastor, e Tomas Tranströmer deixa de ser um ilustre desconhecido em Portugal. Esse país cujas paisagens evoca em vários dos seus enigmáticos poemas. (…) Mas se algo caracteriza a obra do sueco é uma paradoxal fixidez mutante idêntica à de certas fotografias como as de Diane Arbus, Nan Goldin ou Robert Frank (…).
A melancolia e a irrepetibilidade dos instantes vividos ou imaginados são outras das constantes da lírica de Tranströmer e que ele mostra em recorrentes figurações da natureza a mudar com as estações do ano ou o bulício humano das grandes urbes.»

No blogue Bibliotecário de Babel, José Mário Silva transcreveu cinco dos 50 Poemas agora publicados pela Relógio D’Água.

10.8.12

Luigi Pirandello no Ípsilon




Rui Lagartinho escreve sobre os Contos de Luigi Pirandello, no suplemento Ípsilon do Público de 10 de Agosto:

«Além do teatro e dos romances que o tornaram famoso, durante os seus 40 anos de produção literária Luigi Pirandello nunca descurou o conto. São centenas de histórias breves que não poucas vezes serviram de balão de ensaio às suas ambições maiores, coroadas com o Prémio Nobel da Literatura que lhe foi atribuído em 1934. (…)
Com esta mistura confessional entre realismo e fantasia, Pirandello experimenta-se a si e deixa sementes que serão colhidas (apenas um exemplo) por Alberto Moravia em muitos dos seus contos, umas décadas depois.»

9.8.12

Novidades




«A minha mãe passou anos a dizer que eu era egoísta, descuidada, irresponsável, etc. Muitas vezes, irritava-se. E quando eu queria responder, tapava os ouvidos com as mãos. Fez tudo o que pôde para mudar-me, mas os anos passavam e eu não mudava, ou, se mudava, nunca tinha a certeza de ter mudado, porque nunca houve um momento em que a minha mãe dissesse: “Deixaste de ser egoísta, descuidada, irresponsável, etc.” Agora sou eu que me digo: “Porque é que não és capaz de pensar primeiro nos outros? Porque não prestas atenção ao que estás a fazer? Porque não te lembras do que tens de fazer?” Irrito-me. Concordo com a minha mãe. Sou um caso tão difícil! Mas não lho posso dizer, a ela — porque, no momento em que lho quero dizer, estou aqui ao telefone com ela, a ouvi-la e preparada para me defender.»


[Lydia Davis, «Um Caso Tão Difícil», de Contos Completos]

Novidades





«A ação deste livro decorre em 1547. Conta-nos a história de dois rapazes, muito semelhantes na aparência. Um é Tom Canty, que vive com o seu violento pai em Offal Court, perto de Pudding Lane, em Londres. O outro, o príncipe Eduardo, filho do rei Henrique VIII.
Tom era forçado pelo pai a pedir esmolas e castigado quando as não obtinha. E para esquecer a sua vida infeliz gostava de brincar com os seus amigos na rua, representando o papel de príncipe.
Foi isso que o levou um dia ao palácio do rei Henrique VIII. Quando o avistou, o príncipe mandou-o entrar. É então que decidem, por brincadeira, trocar de roupas. Mas era tal a semelhança entre os dois rapazes que os guardas acabam por expulsar o príncipe do palácio. Eduardo vagueia pelas ruas da cidade, proclamando-se o verdadeiro príncipe de Gales.
Enquanto isso, e apesar das tentativas de Tom para explicar o sucedido, tanto a corte como o rei insistem em que é ele o verdadeiro príncipe.
Mais tarde, Eduardo acaba por se cruzar com a família de Tom e com um bando de ladrões – parte da história que Mark Twain utiliza como crítica ao sistema de justiça inglês.
Após a morte de Henrique VIII, Eduardo interrompe a cerimónia de coroação de Tom.»

[Mark Twain, O Príncipe e o Pobre]

7.8.12

Nas livrarias




«Para contar a vida íntima de alguém é necessário compreender detalhes simples em que geralmente não reparamos. Laura é uma galinha quase vulgar, não fosse o jeito especial como a sua história é contada. Meio castanha, meio ruiva, Laura tem um pescoço muito feio mas é bonita por dentro, além de ser bem simpática. Não é muito inteligente, mas não é burra de todo porque ao ciscar escolhe coisas que não lhe fazem mal. Laura é casada com Luís, um galo vaidoso que gosta muito dela. Dos muitos ovos que pôs, nasceu Hermany, um pintainho guloso de quem Laura e Luís se orgulham.

Aprender a observar é quase contar uma história. É uma aventura emocionante que todos nós deveríamos experimentar. O leitor já alguma vez tentou?»

[Clarice Lispector, A Vida Íntima de Laura]

31.7.12

Livros da Relógio D’Água na Imprensa de 23 a 29 de Julho


No suplemento Atual do Expresso, de 28 de Julho, Pedro Mexia fala dos «Mistérios de Curitiba», tal como surgem em O Cemitério de Elefantes, de Dalton Trevisan.




Segundo Pedro Mexia:

«Os microcontos de Trevisan, fortes como parábolas de Kafka, mas mais populistas, mais suados, têm essa universalidade situada ao fundo da rua mas em todo o lado. (…) Espero que não lhe batam à porta, que não o incomodem. Os contos dizem tudo o que é preciso saber sobre Trevisan. E sobre Curitiba. E sobre a nossa condição animal e triste.»

Na secção de Escolhas, do mesmo caderno do Expresso, a ensaísta Maria João Coutinho recomenda duas obras publicadas pela Relógio D’Água, a saber O Químico e o Alquimista, de Maria Filomena Molder e Os Olhos de Himmler, de Rui Nunes.
Numa outra secção de escolhas, João Braz, apresentado como «profissional de cinema», propõe Lanterna Mágica, de Ingmar Bergman.

27.7.12

Hugo Pratt em Évora






Cinquenta e uma obras de Hugo Pratt — aguarelas, tinta-da-china, guache — estão expostas na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, de 25 de Julho a 2 de Dezembro de 2012.

A mostra intitula-se Corto Maltese: Viagem à Aventura e retrata viagens de Corto Maltese a Veneza, África, Caribe ou Samarcanda.

Em 2005, a Relógio D’Água publicou uma biografia de Hugo Pratt sob a forma de entrevista: O Desejo de Ser Inútil.