25.5.12

Sobre O Prelúdio, de William Wordsworth



No último número da revista Colóquio/Letras (n.º 180, Maio/Agosto 2012), Hugo Pinto Santos escreve sobre O Prelúdio, de William Wordsworth: «A tradução integral, e acatadora dos esquemas formais do original inglês, de O Prelúdio, de William Wordsworth, é cometimento assinalável. O extenso poema do romântico inglês — decerto um dos maiores poetas em língua inglesa, pelo que um dos desafios mais inquietantes com que o tradutor de poesia se poderia deparar — constitui um marco profundo no processo evolutivo da literatura universal. A tradução em língua portuguesa deste que é "talvez o mais perfeito poema épico do Romantismo, porque é, pura e simplesmente, uma autobiografia espiritual", forma um gesto que importa ressalvar inequivocamente.»

24.5.12

Sobre A Ronda, de Arthur Schnitzler



No suplemento ípsilon do Público de 18 de Maio, Maria da Conceição Caleiro escreve sobre A Ronda, de Arthur Schnitzler: «A sexualidade é o leitmotiv da obra, mote e motor da ronda do mundo. A peça, composta por dez diálogos, é editada em 1900, 200 exemplares, edição custeada pelo autor e seus amigos. Foi porém logo objecto de uma recensão. A primeira edição pública de 1903 seria um sucesso, logo alvo de censura. Acusada de pornografia e de prova da degenerescência da arte, despoleta uma vaga de anti-semitismo. Em 1904 é interdita, apesar de não deixar de circular clandestinamente. A primeira representação, em Berlim, data de 1921. (…)
A Ronda é também isso, a delação da máscara, e do dissimular que se lhe cola. Interessante é distinguir os comportamentos de homens e mulheres depois do sexo. Elas insistem mais na pergunta: amas-me? Eles insistem em despachar-se.
A obra suscitou várias adaptações, ou criações, cinematográficas. Uma das mais interessantes terá sido a de Max Ophüls (1950), mise-en-abyme do próprio acto teatral, ou do mundo consciente e quase ternamente filmado como sequência de cenas teatrais, com Gérard Philipe a dar balanço a um carrossel, o do curso do amor, a ronda; ainda com Simone Signoret e Serge Reggiani. E a música de Duke Ellington e Coltrane. Nada mal. Vadim (1964), depois, juntou Anna Karinna e Jane Fonda.»


O último filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles parte de A Ronda. Tem por título 360, e conta com a interpretação de Anthony Hopkins, Rachel Weisz e Jude Law. A obra foi nomeada na categoria de Melhor Filme no Festival de Cinema de Londres de 2011 e tem estreia prevista em Portugal para Agosto de 2012.

23.5.12

Três livros, três filmes



Em Maio, estreiam em Portugal os filmes Cosmópolis (baseado no romance homónimo de Don DeLillo e realizado por David Cronenberg) e Pela Estrada Fora (inspirado na obra de Jack Kerouac e realizado pelo brasileiro Walter Salles).
Ainda sem data marcada, irá igualmente ser visto Apartamento em Atenas, um filme de Ruggero Dipaola, que parte do romance homónimo de Glenway Wescott.

 

A adaptação de Walter Salles do romance de Kerouac que serve de referência à Beat Generation está à altura de obras anteriores do realizador, como Central do Brasil, que recebeu o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1998. O filme tem interpretações de Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund, e estreia prevista em Portugal a 31 de Maio.
O livro foi publicado pela Relógio D’Água em 1998 com tradução de Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato. Mais recentemente, a Relógio D’Água publicou Pela Estrada Fora — O Rolo Original, com tradução de Margarida Vale de Gato.
Em entrevista concedida à Le Nouvel Observateur, Walter Salles afirma que «On the Road é um amor de juventude. Li-o pela primeira vez aos dezoito anos. Fiquei impressionado com essas personagens que viviam à flor da pele, procurando formas diferentes de liberdade, para quem o sexo e as drogas eram maneiras de ampliar a sua percepção do mundo.»
Houve já várias tentativas não concretizadas de levar ao cinema Pela Estrada Fora. Salles pôde mesmo ler os argumentos já preparados por Coppola, por Barry Gifford e Russell Banks.


Cosmópolis é interpretado por Robert Pattinson, Paul Giamatti e Samantha Morton. A propósito do filme, o realizador David Cronenberg considera que «o tema de DeLillo é a ruína do futuro», um mundo devastado e gangrenado pela finança e percorrido pelos mais diversos motins». A maior parte do filme passa-se numa limusina em que o jovem milionário Eric Packer, que deseja cortar o cabelo, constata que Nova Iorque está em ebulição com a bolsa em crash e o caos um pouco por todo o lado.
O filme estreia a 31 de Maio. O romance foi publicado pela Relógio D’Água em 2003 e tem tradução de Paulo Faria.


Apartamento em Atenas, baseado na obra homónima de Glenway Wescott (autor de O Falcão Peregrino), convoca os fantasmas para a actualidade, pois trata da ocupação da Grécia pelos Alemães na Segunda Guerra Mundial.
Num apartamento de Atenas, instala-se um oficial alemão que desenvolve relações de dominação sobre a família grega que nele continua a viver. O filme tem interpretação de Laura Morante, Richard Sammel e Gerasimos Skiadaressis. O romance foi publicado pela Relógio D’Água em 2008.

21.5.12

Prémio Camões para Dalton Trevisan






Dalton Trevisan, o escritor brasileiro, talvez devêssemos dizer curitibano, acaba de receber o Prémio Camões.
A editora Relógio D’Água publicou em 1984 o seu único livro saido em Portugal, Cemitério de Elefantes, com prefácio de Fernando Assis Pacheco e capa de João Botelho.
Destacamos em seguida dois fragmentos desse prefácio:

«Otto Lara Resende diz que “ninguém sabe quem é Dalton Trevisan. Deus mesmo não sabe e nem por isso se impacienta”. Ele faz vida de “severo anacoreta” na Rua Emiliano Perneta, em Curitiba, de onde regularmente envia ao seu editor algum novo original. Há vinte e cinco anos mandava folhetos de cordel aos amigos.
Nesse tempo Curitiba teria talvez metade da população que tem em 1984 e os bêbados eram levados por um tropismo indecifrável para o lugar de espera e torpor que Dalton Trevisan classifica como cemitério de elefantes. Com toda a probabilidade o cemitério continua onde estava, só os bêbados duplicaram de número. Curitiba passou o milhão de habitantes. (…)

E para nos dar esta Curitiba povoada por estes curitibanos tragicómicos, a um pêlo do pícaro, Dalton Trevisan foi-se à eloquênica e cravou-lhe a faca. Ironia, elipse, nenhuma cedência ao romantismo nem ao realismo mágico, aí estão outras armas brancas do escritor, afiadas à secretária-mesa-de-cela-monacal. Uma busca pela vivissecção?»

A chegar às livrarias





«Tal é a verdade. A verdade despida de sentimentalismos e dos enfeites românticos com que a imprensa cobriu um desastre absolutamente desnecessário.»

É desde modo que Joseph Conrad termina as suas primeiras reflexões sobre o naufrágio do Titanic.
Na noite de 14 de Abril de 1912, em que o Titanic embateu num iceberg, Joseph Conrad, escritor e antigo marinheiro, acabava de escrever Acaso.
A notícia fez com que voltasse de novo à secretária. Dez dias depois enviava à The English Review o artigo «Algumas Reflexões sobre o Naufrágio do Titanic», com opiniões que viriam a ser confirmadas pela bibliografia posterior.
O autor de Linha de Sombra e O Negro do Narciso criticava a arrogância tecnológica do progresso. Num segundo artigo, de Julho de 1912, Conrad aprofundou as críticas, denunciando a escassez de botes salva-vidas e a pretensa estanquidade das divisões do navio.
Este livro reúne ainda o artigo «A Protecção dos Transatlânticos» e uma carta «Ao Director do Daily Express».




Este livro reúne alguns dos mais interessantes escritos literários sobre a bicicleta publicados nos últimos cem anos. São vinte e dois autores reunidos para celebrar alegrias, dores e possibilidades de um meio de locomoção, de um desporto e de uma arte que conhece actualmente um novo fôlego.

18.5.12

Sobre Mademoiselle Fifi e Contos da Galinhola, de Guy de Maupassant


«Iniciado por Flaubert, que lhe ensina as exigências da estética realista, Guy de Maupassant (1850/1893) produz duas obras-primas no domínio do romance — Uma Vida (1883) e Bel Ami (1885) — mas destaca-se principalmente como um dos melhores contistas de sempre, elevando o género à perfeição. Alcança, através do seu estilo naturalista e da sua visão pessimista da existência, um poder e uma força raramente igualados. (…) José Saramago prefacia e traduz trinta e cinco contos do grande prosador que, segundo o Nobel português, escreve “como se a si próprio se destroçasse, como se de si próprio se apiedasse".» No sítio da Agenda Cultural de Lisboa.

17.5.12

O Tio Vânia, de Anton Tchékhov, no Teatro da Trindade



Desde 10 de Maio e até 10 de Junho, estará em cena no Teatro da Trindade uma recriação do clássico de Anton Tchékhov, Vânia, numa co-produção Escola de Mulheres e Teatro da Trindade. Sobem ao palco José Wallenstein, São José Correia e Pedro Lima, entre outros actores.